Mapa de questões · 1º dia
Questão 30 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia
Aplicativos de rastreamento ajudam os pais a manter o controle — mas até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias? Uma mãe estava ansiosa por saber se o seu filho havia retornado com segurança ao apartamento dele no Texas, nos Estados Unidos, depois de uma recente visita à família. Mas, em vez de esperar que ele ligasse ou enviasse uma mensagem de texto, a mãe — que mora em Baltimore, também nos EUA — estava cuidando das suas tarefas diárias enquanto aguardava um som tranquilizador — um plim — no seu telefone. Isso porque, como 32 milhões de outras pessoas em todo o mundo, Spector e toda a sua família têm o aplicativo instalado nos seus telefones.
O aplicativo controla permanentemente o paradeiro dos seus três filhos, informando a ela quando eles estão em trânsito, quando estão em segurança em casa, se estão em algum lugar onde não deveriam estar e enviando uma série de outras informações. “Se eles chegam à escola, o celular faz plim. Se eles chegam em casa, plim”, conta Spector, que é advogada de patentes. “É apenas uma forma de a família saber onde todos estão.”.
Nesse texto, o aplicativo que permite o rastreamento dos usuários reflete condições sociais e configurações de família definidas pela
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto jornalístico-argumentativo
- ⚡ Nível: Médio — a resposta certa exige inferir um julgamento crítico que o texto sugere, mas não afirma com todas as letras
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificação do efeito de sentido/posicionamento crítico construído por um texto informativo (competência de leitura e interpretação — reconhecer relações entre linguagem, tecnologia e sociedade)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que o app de rastreamento revela sobre como a sociedade hoje organiza a proteção e a liberdade dentro da família?"
- Palavras-chave decisivas: controla permanentemente, até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade, se estão em algum lugar onde não deveriam estar
- Armadilha típica: confundir o tema de superfície (um app que ajuda pais a monitorar filhos) com a leitura crítica proposta — a reportagem não é elogio ingênuo à tecnologia; abre com pergunta retórica que problematiza os limites desse controle.
- O que a resposta precisa demonstrar: perceber que o texto expõe uma tensão entre proteção e vigilância, e que essa vigilância afeta diretamente a autonomia de quem é monitorado.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Texto jornalístico com viés argumentativo: tem aparência informativa (caso real, fonte, dado numérico), mas é construído para conduzir a uma reflexão crítica — evidente já na primeira frase, uma pergunta retórica.
- Pergunta retórica como estratégia de sentido: "até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias?" não busca resposta objetiva; instala uma dúvida antes mesmo de o leitor conhecer o app, sinalizando que há um limite tênue a ser discutido, não uma solução perfeita.
- Vigilância como configuração social contemporânea: monitorar constantemente a localização de outra pessoa, mesmo com boa intenção, redefine a fronteira entre cuidado e controle — pano de fundo que sustenta a leitura correta.
- Autonomia: capacidade de agir sem prestar contas o tempo todo. O texto mostra o oposto: movimentação registrada e comunicada "permanentemente", o que reduz o espaço de autonomia mesmo com objetivo declarado de segurança.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "o aplicativo controla permanentemente o paradeiro dos seus três filhos" → "controlar" + "permanentemente" indicam monitoramento contínuo e total, marca explícita de vigilância, não de comunicação pontual.
- Evidência 2: "se estão em algum lugar onde não deveriam estar" → o app julga se a localização é permitida, regulando o comportamento em tempo real e restringindo a liberdade de ir e vir.
- Síntese: as evidências, somadas à pergunta retórica de abertura, mostram que o texto normaliza a vigilância constante como parte da configuração familiar atual — vigilância que passa a definir os limites da autonomia dos filhos monitorados.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o efeito de sentido central do texto
O texto abre com a pergunta "até onde eles podem ir sem afetar a tranquilidade das famílias?", que já entrega a chave de leitura: há uma linha entre cuidado legítimo e excesso de controle. O caso da mãe em Baltimore, o som "plim" e os "32 milhões de pessoas" servem para ilustrar esse limite em ação, não para elogiá-lo sem ressalvas.
Subpasso 4.2 — Conectar os detalhes descritivos ao julgamento crítico
O app avisa quando o filho "está em trânsito", chega "em segurança em casa" e está "em algum lugar onde não deveriam estar". Esse último trecho é decisivo: não é apenas informar a localização, é classificar se ela é permitida. Um aplicativo que julga se o usuário está "onde deveria estar" regula o comportamento e reduz a margem de decisão autônoma de quem é rastreado, mesmo com intenção protetiva.
Subpasso 4.3 — Verificação
O comando pede o que estrutura a "configuração de família" retratada. Não é a tecnologia em si (superficial), nem a comunicação entre pais e filhos (o texto mostra o contrário: a mãe não precisa mais que o filho ligue, o app substitui esse contato direto). O que estrutura a cena é a vigilância constante, que passa a mediar e limitar a autonomia dos indivíduos monitorados — confirma a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) intenção de fortalecer o conceito de segurança.
❌ Incorreta: reduz o texto a um elogio simples da segurança, ignorando a pergunta retórica de abertura e o trecho sobre "lugares onde não deveriam estar", que revelam controle comportamental.
B) proposta de avançar nas tecnologias de localização.
❌ Incorreta: desloca o foco para o aspecto técnico (GPS, geolocalização), quando o texto trata do impacto social e comportamental do rastreamento — a tecnologia é o meio, não o assunto central.
C) ampliação das redes tradicionais de proteção à infância.
❌ Incorreta: o texto mostra a substituição de práticas tradicionais de cuidado (ligar, mandar mensagem) por monitoramento automatizado — não há "ampliação" de rede de proteção, e sim mudança qualitativa na forma de vigiar.
D) facilidade de comunicação instantânea entre vários interlocutores.
❌ Incorreta: o app não promove diálogo — emite notificações automáticas ("plim") que dispensam a comunicação verbal. Não há troca entre interlocutores, só transmissão unilateral de dados de localização.
E) marca da vigilância na construção da autonomia dos indivíduos.
✅ Correta: o controle permanente do paradeiro e a avaliação de lugares "indevidos" mostram que a vigilância virou elemento estruturante da relação familiar contemporânea, moldando e limitando a autonomia de quem é monitorado.
🏆 Gabarito: E — o texto usa dados concretos (monitoramento permanente, alerta de desvio de rota) para mostrar que a vigilância constante passa a condicionar a autonomia dos filhos rastreados, e é exatamente esse o sentido pedido pelo comando.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa E nomeia o fenômeno social por trás da cena — vigilância que interfere na autonomia —, enquanto as demais descrevem aspectos periféricos (segurança, tecnologia, redes de proteção, comunicação) não sustentados como ideia central do texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM usa textos jornalísticos sobre tecnologia digital para testar se o candidato enxerga, por trás de uma notícia aparentemente neutra, um posicionamento crítico sobre controle social, privacidade ou vigilância.
- Generalização: em textos que abrem com pergunta retórica ou ressalva logo no início, desconfie de alternativas que tratam o assunto de forma unilateral e elogiosa — o texto quase sempre problematiza, não celebra sem ressalvas.
- Dica de eliminação rápida: elimine primeiro alternativas com elementos técnicos isolados (localização, comunicação) sem ligação com o julgamento crítico do texto — descarta B e D em segundos; depois compare A e C com "lugares onde não deveriam estar" para ver que ambas suavizam demais o sentido de controle.
- Conexões: sociedade da vigilância (conceito de Sociologia útil para embasar a leitura); parentalidade digital e monitoramento infantil, tema recorrente em textos de divulgação cobrados pelo ENEM.
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