Mapa de questões · 1º dia
Questão 36 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia
Há quem ache difícil a leitura das bulas de remédios por causa das letras reduzidas e dos termos técnicos que deixam a compreensão das informações mais complicada. Mas as indústrias já oferecem alternativas para ajudar na leitura e no entendimento da bula.
Consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso e causar ainda mais problemas para o paciente, segundo um médico endocrinologista. “Ele pode ler alguns termos técnicos e fazer má interpretação da bula, levando a prejuízos no tratamento. Qualquer dúvida, é mais interessante tirá-la com o médico que prescreveu o medicamento.”, explica.
Para facilitar o entendimento das informações que constam das bulas, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentou algumas características com relação ao formato e à linguagem usada. “A bula obrigatória vem com perguntas e respostas, em termos simples e compreensíveis, e ficou de mais fácil leitura. A indústria é obrigada a oferecer bula em áudio, ou pode vir em tamanho maior ou em braile. O paciente, entrando em contato com a indústria, tem até dez dias para receber esse material.”, afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia.
Considerando a função social do gênero reportagem, a estratégia empregada nesse texto para dar credibilidade às informações apresentadas é a
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → gênero textual reportagem; estratégias de construção da credibilidade jornalística
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta está sinalizada por marcas textuais explícitas (aspas, verbos de dizer, identificação de cargo), sem exigir inferência complexa
- 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de estratégias argumentativas em textos jornalísticos (Competência de Área 1 de Linguagens — compreender textos de diferentes gêneros e suas funções sociais)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual recurso o texto usa para tornar as informações mais confiáveis aos olhos do leitor?"
- Palavras-chave decisivas: função social do gênero reportagem, estratégia... para dar credibilidade, informações apresentadas
- Armadilha típica: confundir "credibilidade" com qualquer recurso de estilo (como se dirigir ao leitor ou dar exemplos), ignorando que o texto constrói sua autoridade citando vozes de profissionais qualificados
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar o mecanismo textual concreto — presente do início ao fim do texto — que sustenta a veracidade do que é informado, não apenas um efeito estilístico secundário
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Gênero reportagem: texto jornalístico que investiga e expõe um tema de interesse público, combinando informação factual com vozes de diferentes atores sociais; sua função social é informar com credibilidade, diferenciando-se da opinião pessoal do repórter.
- Argumento de autoridade (fala de especialistas): estratégia em que o autor do texto cede a palavra a alguém com saber técnico ou institucional reconhecido (médico, presidente de conselho de classe) para legitimar a informação — o leitor tende a confiar mais quando "quem fala" tem competência sobre o assunto.
- Marcas linguísticas do discurso citado: aspas delimitando a fala alheia, verbos dicendi ("explica", "afirma") e a identificação do cargo/profissão logo após a citação — é esse conjunto que sinaliza ao leitor "isto não é opinião do jornalista, é a palavra de um especialista".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso [...] segundo um médico endocrinologista." → o texto atribui a afirmação a uma fonte com formação técnica em saúde, não a uma opinião genérica do jornalista.
- Evidência 2: "'A bula obrigatória vem com perguntas e respostas [...]', afirma o presidente do Conselho Regional de Farmácia." → segunda citação, agora de uma autoridade institucional do setor farmacêutico, reforçando a informação sobre a regulamentação da ANVISA.
- Síntese: as duas fontes citadas — um médico e o presidente de um conselho de classe — são inseridas exatamente nos pontos em que o texto precisa comprovar afirmações técnicas (riscos da automedicação e regras da bula). Essa recorrência não é aleatória: é a estratégia de dar voz a especialistas para blindar a reportagem contra dúvidas sobre a veracidade do que é dito.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Mapear todas as vozes presentes no texto
O texto tem três "vozes": a do repórter (que narra e contextualiza o problema das bulas), a do médico endocrinologista (que alerta sobre os riscos de interpretar mal os termos técnicos) e a do presidente do Conselho Regional de Farmácia (que detalha as exigências da ANVISA quanto ao formato da bula). Note que as informações mais "delicadas" do texto — aquelas que poderiam ser questionadas por exigirem conhecimento técnico — não são ditas pelo repórter em nome próprio: são sempre atribuídas a alguém com autoridade sobre o assunto.
Subpasso 4.2 — Identificar a função dessas citações
Se o repórter afirmasse por conta própria que "consultar a bula sem orientação médica pode ser perigoso", o leitor teria motivo para duvidar: de onde vem essa certeza? Ao atribuir a frase a "um médico endocrinologista", o texto transfere a responsabilidade e a legitimidade da afirmação para quem tem competência técnica para fazê-la. O mesmo ocorre com os dados sobre bula em áudio, braile e o prazo de dez dias: vêm todos da fala do presidente do Conselho Regional de Farmácia, autoridade institucional do setor. Essa técnica é chamada de argumento de autoridade, e é uma das ferramentas mais clássicas do jornalismo para sustentar a credibilidade de uma reportagem.
Subpasso 4.3 — Verificação
Voltando à função social do gênero reportagem — informar com precisão e responsabilidade sobre um tema de relevância pública —, a estratégia que melhor explica como o texto conquista a confiança do leitor é justamente a inserção de falas de especialistas (o médico e o presidente do conselho de farmácia), que validam tecnicamente as informações apresentadas. Isso corresponde exatamente à alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) supressão de marcas de informalidade.
❌ Incorreta: o texto não é construído em contraste com uma suposta informalidade anterior a ser eliminada; ele já é redigido em registro formal/jornalístico padrão desde o início, e essa "supressão" não é mencionada nem evidenciada em nenhum trecho — não é esse o mecanismo que sustenta a credibilidade.
B) utilização de exemplificações.
❌ Incorreta: o texto não recorre a exemplos concretos e ilustrativos (como "por exemplo, um paciente que...") para provar seus pontos; o que aparece são explicações técnicas atribuídas a fontes, não casos exemplificativos.
C) referência a fatos recentes.
❌ Incorreta: não há qualquer marcador de atualidade ou temporalidade explícita no texto (datas, expressões como "recentemente" ou "este ano"); a regulamentação da ANVISA é mencionada de forma atemporal, sem ancoragem cronológica que sustente essa alternativa.
D) interlocução com o leitor.
❌ Incorreta: interlocução com o leitor pressupõe uso de segunda pessoa, perguntas diretas ou imperativos que criem diálogo explícito ("você já leu a bula do seu remédio?"); o texto é predominantemente narrativo/expositivo em terceira pessoa, sem esse tipo de interação direta.
E) fala de especialistas.
✅ Correta: as duas citações centrais do texto — do médico endocrinologista e do presidente do Conselho Regional de Farmácia — são a estratégia explícita usada pela reportagem para legitimar tecnicamente as informações sobre riscos da automedicação e sobre as regras da ANVISA para bulas, conferindo credibilidade ao texto.
🏆 Gabarito: E — o texto constrói sua credibilidade citando diretamente um médico endocrinologista e o presidente do Conselho Regional de Farmácia, transferindo a responsabilidade técnica das afirmações para essas autoridades do assunto — a essência do argumento de autoridade.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a letra E descreve um recurso textual efetivamente presente e recorrente no texto — as duas citações de profissionais qualificados —, enquanto as demais alternativas descrevem estratégias ausentes do texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência o reconhecimento de estratégias argumentativas em textos jornalísticos e publicitários (argumento de autoridade, dados estatísticos, apelo emocional, exemplificação); é essencial saber nomear cada uma e reconhecer suas marcas linguísticas típicas.
- Generalização: sempre que um texto jornalístico citar, entre aspas, a fala de alguém identificado por profissão ou cargo, a estratégia argumentativa em jogo é o argumento de autoridade — recurso clássico para dar credibilidade a afirmações técnicas.
- Dica de eliminação rápida: procure no texto os sinais físicos de cada estratégia: aspas + cargo = fala de especialista; "por exemplo" = exemplificação; datas/"recentemente" = fato recente; "você"/perguntas diretas = interlocução com o leitor. Se o sinal não está no texto, a alternativa cai imediatamente.
- Conexões: tipos de argumento (autoridade, exemplificação, dados estatísticos, senso comum); função social dos gêneros jornalísticos (notícia, reportagem, editorial, artigo de opinião).
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