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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 76ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

TEXTO I
A partir da Segunda Guerra Mundial o cenário europeu se altera com o progressivo aumento de um sentimento democrático e de compreensão do poder público e das suas modalidades de ação e de relação com a sociedade, que passa a exercer de modo um pouco mais articulado algum controle social, o qual era visto até então como de exclusividade do poder público. Essa nova perspectiva também altera significativamente a percepção da arte e, por óbvio, da historicidade da mesma.

MARZADRO, F. Revista NAU Social, n. 5, maio-out. 2013 (adaptado).

TEXTO II
A liberdade artística é termômetro democrático dos mais sensíveis. Nela encontram-se o pensamento, a expressão e a criatividade. É o espaço do novo e da diversidade. Não espanta que incomode quem não deseja um mundo plural e livre. Ainda mais quando extremismos e ódio sufocam o convívio das diferenças. É preciso cultivar a liberdade artística. Cerceá-la, por imposturas que semeiam a discórdia e se valem da confusão, do medo e do preconceito, não é novidade. O nazismo se valeu disso contra a “arte degenerada” para instaurar uma sociedade fascista. Essa repressão não é inocente. Ela afronta o direito à cultura, que é de todos, e discrimina particularmente certos grupos, como no caso em que atinge pessoas LGBTQIAPN+. Abre as portas para a violência, como já vivenciam os adeptos de religiões afro-brasileiras, que são apedrejados e que têm suas casas de religião incendiadas, ou quando atendimento médico é negado a crianças por motivação ideológica.

RIOS, R. R. Arte e democracia. Disponível em:
https://gauchazh.clicrbs.com.br. Acesso em:
26 out. 2023 (adaptado).

Os textos enfatizam a importância histórica da manifestação artística como um instrumento de

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → arte como fenômeno social; movimentos sociais; cidadania e diversidade
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar dois textos de gêneros diferentes (acadêmico e opinativo) e identificar o eixo argumentativo comum, sem apoio de dados numéricos ou imagem
  • 🎯 Tema/Habilidade: Arte como instrumento de participação democrática e inclusão social (H8/H9 — analisar manifestações culturais como formas de ação política e de resistência)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo os dois textos, para que serve historicamente a arte enquanto instrumento social?"
  • Palavras-chave decisivas: sentimento democrático, liberdade artística é termômetro democrático, espaço do novo e da diversidade
  • Armadilha típica: prender-se a um único exemplo do Texto II (religiões afro-brasileiras, pessoas LGBTQIAPN+) e escolher uma alternativa que descreva apenas esse recorte específico, em vez do princípio geral que os exemplos ilustram — a inclusão de grupos diversos pela via democrática.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o examinando entendeu a arte não como mero objeto estético, mas como prática social articulada à ampliação da democracia e à defesa de grupos historicamente marginalizados.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Arte como fato social: a produção artística não é neutra — ela expressa, reproduz ou contesta as relações de poder e os valores de uma sociedade em determinado momento histórico.
  • Democratização da cultura: processo, intensificado após a Segunda Guerra Mundial, pelo qual o acesso à cultura e a liberdade de expressão artística passam a ser reconhecidos como direitos coletivos, e não privilégios de poucos.
  • Liberdade artística e cidadania cultural: criar, expor e circular obras sem censura indica o grau de abertura democrática de uma sociedade; cercear a arte é, historicamente, um dos primeiros passos de regimes autoritários (o Texto II cita o nazismo e a perseguição à "arte degenerada").
  • Grupos minorizados e representação: quando a arte dá visibilidade a identidades e práticas culturais de grupos como pessoas LGBTQIAPN+ e religiões de matriz africana, ela funciona como instrumento de reconhecimento e de disputa por inclusão no espaço público.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "progressivo aumento de um sentimento democrático [...] que passa a exercer [...] algum controle social" → o Texto I situa historicamente a ampliação da participação da sociedade civil no debate público, inclusive sobre arte, como parte da consolidação democrática do pós-guerra.
  • Evidência 2: "a liberdade artística é termômetro democrático dos mais sensíveis. Nela encontram-se o pensamento, a expressão e a criatividade" → o Texto II afirma que o grau de liberdade artística mede a saúde da democracia, pois é nesse espaço que a pluralidade de vozes se manifesta.
  • Evidência 3: "discrimina particularmente certos grupos, como no caso em que atinge pessoas LGBTQIAPN+ [...] adeptos de religiões afro-brasileiras" → a repressão à arte é ataque direto a grupos minorizados: defender a arte é defender a inclusão desses grupos na vida social.
  • Síntese: os dois textos constroem uma linha de raciocínio única — a arte se fortalece à medida que a sociedade se democratiza, e sua liberdade garante espaço de expressão e reconhecimento a grupos diversos; logo, a arte funciona como instrumento de participação cidadã em defesa da inclusão.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o fio condutor entre os dois textos

O Texto I é um recorte teórico-histórico: mostra que, a partir da Segunda Guerra Mundial, a Europa passa a valorizar mais a participação da sociedade no controle e na compreensão do poder público, o que altera também a forma de perceber a arte — que deixa de ser assunto restrito a especialistas ou ao Estado e passa a integrar um processo mais amplo de democratização social. O Texto II radicaliza essa ideia ao afirmar que a liberdade artística é o "termômetro democrático" de uma sociedade, pois é no espaço da arte que circulam pensamento, expressão, criatividade e diversidade.

Subpasso 4.2 — Conectar a defesa da arte à defesa de grupos sociais

O Texto II sai do plano abstrato e lista consequências concretas da repressão à liberdade artística: analogia com o nazismo e a perseguição à "arte degenerada", discriminação de pessoas LGBTQIAPN+, violência contra adeptos de religiões afro-brasileiras. Esses exemplos demonstram, na prática, que cercear a arte é cercear a existência pública e o reconhecimento social de grupos historicamente vulnerabilizados. Logo, exercer a liberdade artística é, ao mesmo tempo, um ato de participação cidadã (a sociedade se posiciona, como aponta o Texto I) e um ato de defesa da inclusão desses grupos.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa síntese com as alternativas, apenas uma reúne os dois elementos centrais dos textos — participação cidadã e defesa da inclusão: a alternativa A. As demais isolam um exemplo secundário (rituais religiosos), invertem o sentido do argumento (estratificação) ou deslocam o eixo para dimensões que os textos não abordam (economia, regulação).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) participação cidadã em defesa da inclusão.

✅ Correta: sintetiza o argumento dos dois textos — o Texto I mostra a arte inserida num processo de maior participação e controle social pela sociedade civil, e o Texto II mostra que a liberdade artística protege grupos como pessoas LGBTQIAPN+ e religiões afro-brasileiras da discriminação. É a única alternativa que une as duas dimensões presentes em ambos os textos.

B) ordenamento de rituais em espaços de crença.

❌ Incorreta: toma um exemplo pontual do Texto II — a violência contra religiões afro-brasileiras — e o transforma indevidamente em "ordenamento de rituais". Os textos não tratam de organizar práticas religiosas; tratam da liberdade artística como proteção contra a perseguição a essas práticas.

C) estratificação de grupos em situações de risco.

❌ Incorreta: inverte o sentido do texto. "Estratificar" significa hierarquizar, separar em camadas desiguais — exatamente o que a repressão à arte (análoga ao nazismo) provoca, e não o que a arte, como instrumento democrático, promove. Os textos defendem o oposto: inclusão e valorização da pluralidade.

D) independência econômica em prol da autonomia.

❌ Incorreta: nenhum dos dois textos aborda questões econômicas ou financiamento cultural. O argumento é político e social — democracia, liberdade de expressão e inclusão —, não econômico. A alternativa introduz um eixo ausente no texto.

E) regulação criativa em contextos de vulnerabilidade.

❌ Incorreta: "regulação" sugere controle ou normatização da criação artística, ideia contrária ao que os textos defendem — a liberdade e a ausência de cerceamento. Além disso, é genérica demais e não capta o núcleo de participação cidadã e inclusão presente nos textos.

🏆 Gabarito: A — os textos convergem para mostrar que a arte, sustentada pela liberdade e pela participação da sociedade civil, funciona historicamente como instrumento de inclusão de grupos diversos e minorizados na vida democrática.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A articula os dois pilares presentes nos textos — participação cidadã (Texto I: sociedade civil ganhando voz e controle social) e defesa da inclusão (Texto II: proteção de grupos vulnerabilizados pela liberdade artística) —, o que a torna a única síntese fiel ao argumento comum das duas fontes.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a arte, a cultura e o patrimônio como expressões de identidade e cidadania, ligando manifestações culturais a processos de democratização, resistência e reconhecimento de grupos minorizados — um eixo típico das Ciências Humanas e da Sociologia.
  • Generalização: em questões que cruzam dois textos, a resposta correta quase sempre é a que resume o ponto de convergência entre ambos, e não a que reproduz um detalhe isolado de apenas um deles — desconfie de alternativas que "encaixam" perfeitamente em só um dos textos.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas com sentido oposto ao dos textos (como "estratificação", que contradiz a defesa da diversidade) e as que introduzem temas ausentes no enunciado (economia, em D); depois, prefira sempre a alternativa que combina os dois conceitos-chave repetidos nos textos (democracia/participação + inclusão/diversidade).
  • Conexões: liberdade de expressão como direito fundamental; movimentos sociais e reconhecimento de identidades (LGBTQIAPN+, religiões de matriz africana) como pauta de cidadania cultural.

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