Mapa de questões · 1º dia
Questão 24 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia
Mas, afinal: o corretor ortográfico ajuda ou atrapalha?
Quem nunca passou por aquela situação constrangedora proporcionada pelo corretor ortográfico que atire a primeira pedra. Essa ferramenta, que, na teoria, deveria nos ajudar a escrever perfeitamente e com mais facilidade, tem potencial para ser mais uma inimiga do que uma aliada. Um especialista em inovação e tecnologia afirma que essa ferramenta pode ser criada de várias maneiras. “Temos o trabalho humano, com pessoas checando os detalhes. E de outro lado existe a alimentação do corretor por dicionários, que, em tese, têm as palavras escritas corretamente”. Mas, afinal: será que o corretor mais ajuda ou mais atrapalha na escrita? De acordo com uma professora de um curso de Letras, depende primeiramente da concepção de escrita. “Se consideramos apenas a gramática e a ortografia, há ferramentas de revisão que auxiliam em aspectos ortográficos e até sintáticos. Mas essas ferramentas não garantem a coesão e a coerência, ou seja, as articulações e o sentido do texto. O acesso amplo à informação pode auxiliar na construção de repertório para a escrita, mas também é necessário ter contato com diferentes gêneros textuais e contar com o aprendizado de aspectos formais relacionados à escrita”, explica a professora.
Disponível em: https://canaltech.com.br. Acesso em: 5 fev. 2024 (adaptado).
De acordo com esse texto, o uso do corretor ortográfico
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Português → Compreensão e interpretação de texto jornalístico/informativo
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta correta está explicitamente sustentada no texto, bastando localizar e parafrasear a informação central
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura crítica de texto argumentativo sobre tecnologia e linguagem; identificação de informações explícitas e limites de uma ferramenta descrita no texto
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, o que exatamente o corretor ortográfico faz?"
- Palavras-chave decisivas: "alimentação do corretor por dicionários", "aspectos ortográficos e até sintáticos", "não garantem a coesão e a coerência"
- Armadilha típica: trocar "revisão ortográfica/sintática" (o que o corretor de fato faz) por "coesão, coerência, sentido, gênero ou repertório" (o que o texto afirma, de forma explícita, que o corretor NÃO faz) — é exatamente essa troca que sustenta as alternativas B, C, D e E.
- O que a resposta precisa demonstrar: reconhecer que o texto define o corretor como uma ferramenta técnica de checagem de grafia, alimentada por bases de dados lexicais (dicionários), sem competência sobre sentido, contexto de interação ou gênero textual.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Corretor ortográfico (definição operacional): programa que compara a grafia digitada com uma base de dados (dicionário) para sinalizar desvios; pode avaliar aspectos sintáticos básicos, mas não interpreta significado.
- Coesão e coerência: propriedades ligadas à articulação lógica entre as partes do texto e à construção do sentido global; dependem de julgamento humano sobre contexto — não são "computáveis" por comparação lexical.
- Gêneros textuais e repertório: construídos por leitura, prática e ensino formal; o texto atribui essa formação ao "contato com diferentes gêneros" e ao "aprendizado", nunca ao corretor.
- Estrutura da reportagem: o texto entrelaça a fala de dois especialistas (tecnologia e uma professora de Letras) para compor um panorama equilibrado sobre potencial e limite da ferramenta.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "de outro lado existe a alimentação do corretor por dicionários, que, em tese, têm as palavras escritas corretamente" → mostra explicitamente que o corretor opera a partir de uma base de dados lexical (dicionário) usada para checar a grafia — é uma descrição de "programação abastecida por dicionários".
- Evidência 2: "há ferramentas de revisão que auxiliam em aspectos ortográficos e até sintáticos. Mas essas ferramentas não garantem a coesão e a coerência" → delimita com precisão o alcance do corretor: atua na forma (ortografia/sintaxe), jamais no sentido (coesão/coerência).
- Síntese: as duas vozes citadas no texto convergem para a mesma conclusão — o corretor é um mecanismo de comparação grafia-dicionário, eficiente na correção formal da escrita, mas incapaz de atuar sobre sentido, contexto de interação, gênero textual ou repertório vocabular do usuário.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo informativo do texto
O título já anuncia o debate central: "o corretor ortográfico ajuda ou atrapalha?" O texto não oferece um "sim" ou "não" simples; explica como a ferramenta é construída (trabalho humano de checagem + alimentação por dicionários) e qual é, precisamente, o seu alcance. Logo, a alternativa correta precisa descrever fielmente "como o corretor funciona", não avaliar de forma inflada suas capacidades.
Subpasso 4.2 — Cruzar as evidências textuais com as alternativas
Somando a Evidência 1 (o corretor é "alimentado por dicionários") à Evidência 2 (ele atua sobre ortografia e sintaxe, mas não garante coesão/coerência), chega-se a uma conclusão única: o corretor ajusta a grafia por meio de uma programação abastecida por dicionários — quase uma paráfrase direta do texto. Só a alternativa A reproduz esse conteúdo sem extrapolação.
Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação
As demais alternativas (B, C, D, E) atribuem ao corretor competências ligadas a sentido, gênero, repertório ou interação verbal — exatamente o que o texto nega ao afirmar que "essas ferramentas não garantem a coesão e a coerência". A convergência entre o que o texto afirma que o corretor faz e o que afirma que ele não faz confirma que A é a única alternativa sustentada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ajusta a grafia com uma programação abastecida por dicionários.
✅ Correta: reproduz com precisão a informação do texto — o corretor é descrito como um sistema ("programação") alimentado por dicionários, cuja função é corrigir/ajustar a grafia (ortografia). É a paráfrase mais literal e restrita das evidências apresentadas.
B) alinha a redação do texto às circunstâncias de interação verbal.
❌ Incorreta: "circunstâncias de interação verbal" remete à adequação da linguagem ao contexto comunicativo (formalidade, interlocutor, finalidade) — uma competência humana de análise pragmática que o texto jamais atribui ao corretor, cuja atuação se restringe a grafia e, no máximo, a aspectos sintáticos.
C) atua no aprendizado da estruturação de gêneros textuais.
❌ Incorreta: o próprio texto afirma que é necessário "ter contato com diferentes gêneros textuais" para complementar o uso do corretor — ou seja, o domínio de gêneros textuais é justamente algo que o corretor NÃO ensina; essa é uma responsabilidade do processo formal de aprendizagem, não da ferramenta.
D) amplia o repertório vocabular da língua portuguesa.
❌ Incorreta: o corretor sinaliza desvios a partir de um banco de palavras já existente no dicionário; ele não introduz, ensina ou explica palavras novas ao usuário. O texto atribui a ampliação de repertório ao "acesso amplo à informação", nunca ao corretor ortográfico.
E) colabora na construção dos sentidos do texto.
❌ Incorreta: é a inversão direta da tese central da entrevistada. A professora de Letras afirma categoricamente que as ferramentas de revisão "não garantem a coesão e a coerência", isto é, não constroem sentido — esse é exatamente o limite da ferramenta apontado pelo texto.
🏆 Gabarito: A — o texto define o corretor ortográfico como uma ferramenta técnica de checagem de grafia baseada em dicionários, sem competência sobre sentido, contexto de interação ou gênero textual, o que somente a alternativa A traduz com fidelidade.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: A é a única alternativa que descreve o corretor pelo que o texto efetivamente afirma que ele é — uma programação abastecida por dicionários que ajusta a grafia — sem extrapolar para sentido, gênero ou repertório, competências que o texto nega à ferramenta.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz reportagens de divulgação sobre tecnologia e linguagem (corretores automáticos, IA, comunicação digital) cobrando que o candidato distinga o que o texto afirma do que ele relativiza ou nega.
- Generalização: em compreensão textual, a alternativa correta costuma ser a paráfrase mais literal e restrita das evidências; alternativas que "ampliam" um conceito citado no texto tendem a ser distratores por extrapolação.
- Dica de eliminação rápida: risque de imediato qualquer alternativa que associe o corretor a "sentido", "coerência", "gêneros textuais" ou "repertório" — o texto nega essas competências à ferramenta. Sobra apenas a opção ligada a "grafia" e "dicionário".
- Conexões: letramento digital; revisão e edição textual; distinção entre forma (ortografia/sintaxe) e conteúdo (coesão/coerência) na produção escrita.
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