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Mapa de questões · 1º dia
HumanasSociologiaMédio

Questão 72ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

A realização de inúmeras tarefas por máquinas é apresentada como garantia de um futuro no qual ninguém mais precisaria trabalhar (transformar a natureza), pois tudo seria produzido por tecnologias (muito ou pouco “inteligentes”), liberando os seres sociais do trabalho, a começar pelas tarefas rudes ou repetitivas. A perda de trabalho que a introdução capitalista de máquinas promove para intensificar a extração de valor é metamorfoseada em liberação do trabalho. A necessidade de trabalhar, porém, subsiste entre os seres sociais da sociedade capitalista, pois, sem vender força de trabalho, tais expropriados não subsistem no mercado. Entre ameaça e promessa, desaparecem as possibilidades concretas trazidas por processos de trabalho cada dia mais socializados, como redução das jornadas sem redução da remuneração, por exemplo.

De acordo com o texto, o efeito da relação entre trabalho e tecnologia sobre a realidade social é o(a)

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Sociologia → Sociologia do Trabalho (crítica marxista à automação capitalista)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto usa vocabulário teórico denso ("extração de valor", "expropriados", "força de trabalho"), exigindo interpretação crítica e não apenas localização de palavras
  • 🎯 Tema/Habilidade: Efeitos sociais da relação entre trabalho e tecnologia no capitalismo; leitura crítica de texto sociológico e reconhecimento de processos sociais, econômicos e do trabalho (competência de Ciências Humanas)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o autor do texto, qual é a consequência real, sobre a sociedade, de máquinas substituírem trabalhadores no capitalismo?"
  • Palavras-chave decisivas: "perda de trabalho", "metamorfoseada em liberação", "não subsistem no mercado"
  • Armadilha típica: confundir a promessa citada no início ("ninguém mais precisaria trabalhar", "liberação do trabalho") com a tese do autor — quem lê rápido pode marcar uma alternativa "otimista" (ampliação laboral), sem perceber que o texto desmonta esse discurso como ideologia.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o autor denuncia a automação capitalista como geradora de exclusão permanente do mercado de trabalho, não de um benefício, de uma flexibilização jurídica ou de uma variação temporária.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Desemprego estrutural: desemprego duradouro, causado por transformações permanentes na base produtiva (automação, robotização), que não se resolve com a simples retomada do crescimento — diferente do desemprego conjuntural, ligado a crises passageiras.
  • Extração de valor (Marx): no capitalismo, o lucro nasce da exploração do trabalho vivo; a máquina não "liberta" o trabalhador, mas reduz custos com força de trabalho e intensifica a extração de valor, mesmo descartando trabalhadores.
  • Força de trabalho como mercadoria: quem não possui meios de produção próprios (os "expropriados") só sobrevive vendendo sua capacidade de trabalhar; quando as máquinas eliminam esse posto, o trabalhador fica sem meio de subsistência.
  • Ideologia da "liberação tecnológica": discurso que apresenta a automação como progresso emancipador, mascarando seu efeito concreto — a exclusão de parcelas da força de trabalho do processo produtivo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A perda de trabalho que a introdução capitalista de máquinas promove para intensificar a extração de valor é metamorfoseada em liberação do trabalho." → a "liberação" é uma reformulação ideológica de uma perda real e duradoura de postos de trabalho.
  • Evidência 2: "sem vender força de trabalho, tais expropriados não subsistem no mercado" → a ausência de emprego causada pelas máquinas não é passageira: não há via alternativa de sobrevivência a quem perde seu posto.
  • Síntese: a tecnologia, ao substituir definitivamente postos de trabalho para intensificar o lucro capitalista, produz uma exclusão que não é sazonal nem se resolve sozinha — um desemprego estruturalmente embutido no uso capitalista das máquinas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o discurso apresentado e a crítica do autor

O texto abre citando a promessa da automação: máquinas assumiriam "inúmeras tarefas", livrando os trabalhadores das funções "rudes ou repetitivas". Mas essa promessa não é a tese do autor — é o alvo da crítica. Em seguida, o texto revela que essa "liberação" é, na verdade, uma "metamorfose" discursiva: o que ocorre de fato é perda de trabalho, usada para intensificar a extração de valor pelo capital.

Subpasso 4.2 — Identificar a consequência social concreta descrita

O texto mostra por que essa perda de trabalho é grave: os trabalhadores "expropriados" (sem meios de produção próprios) não têm como sobreviver sem vender sua força de trabalho. Se as máquinas ocupam esse lugar, eles ficam permanentemente fora do circuito produtivo — não é uma pausa temporária, é uma condição que se sustenta enquanto durar essa lógica de substituição movida pela busca de lucro. A frase final reforça isso, ao lamentar o desaparecimento de possibilidades concretas — como "redução das jornadas sem redução da remuneração" — abafadas pelo discurso da promessa ou pela ameaça do desemprego.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando o comando ("o efeito da relação entre trabalho e tecnologia sobre a realidade social") com as evidências, a única expressão que sintetiza "perda permanente de postos de trabalho decorrente da automação capitalista" é desemprego estrutural. As demais alternativas contradizem o texto (ampliação laboral), pertencem a outro campo temático (flexibilização judicial) ou distorcem a ideia central (padronização salarial, deslocamento sazonal), como detalhado no Passo 5.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ampliação laboral.

❌ Incorreta: o texto afirma o oposto — "perda de trabalho". A alternativa reproduz a promessa ideológica de "liberação"/aumento de oportunidades que o autor está desmontando, não a conclusão real do texto.

B) flexibilização judicial.

❌ Incorreta: o texto não trata de mudanças no âmbito jurídico (leis, tribunais, normas trabalhistas); discute a relação econômica entre capital, tecnologia e força de trabalho. É um distrator com vocabulário ausente do texto.

C) padronização salarial.

❌ Incorreta: não há menção à uniformização de salários. Ao citar como possibilidade perdida a "redução das jornadas sem redução da remuneração", o texto sugere precarização e desigualdade crescentes, não padronização.

D) desemprego estrutural.

✅ Correta: é a única alternativa que traduz com precisão o que o texto descreve — a substituição permanente de trabalhadores por máquinas na lógica capitalista de extração de valor, gerando exclusão duradoura do mercado para os "expropriados" que não conseguem mais vender sua força de trabalho.

E) deslocamento sazonal.

❌ Incorreta: "sazonal" remete a variações periódicas e previsíveis (como o emprego rural ligado às safras), fenômeno distinto do descrito no texto, que é permanente e ligado à reestruturação produtiva pela automação, não a ciclos temporários.

🏆 Gabarito: D — o texto denuncia que a automação capitalista, sob o discurso de "liberação do trabalho", produz na realidade a exclusão duradoura de trabalhadores do mercado, ou seja, desemprego estrutural.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa coerente com a tese do texto: a automação, movida pela lógica capitalista de extração de valor, gera perda permanente — não sazonal, temporária ou positiva — de postos de trabalho.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra com frequência a crítica sociológica (de raiz marxista) ao discurso da "tecnologia libertadora", associando automação e reestruturação produtiva a desemprego estrutural, precarização e concentração de renda — temas centrais em autores como Ricardo Antunes e nos debates sobre a "quarta revolução industrial".
  • Generalização: quando um texto contrapõe um "discurso oficial/otimista" a um "efeito real/crítico" apontado pelo autor, a alternativa correta normalmente expressa o efeito real denunciado, não a promessa citada apenas para ser desconstruída.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas de tom "positivo" ou "neutro" (ampliação, padronização) quando o texto tem tom claramente crítico; elimine termos técnicos de outro campo (jurídico, sazonal) ausentes do vocabulário do texto.
  • Conexões: mais-valia e exploração do trabalho em Karl Marx; reestruturação produtiva, toyotismo e "uberização"/precarização do trabalho contemporâneo.

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