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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEducação FísicaMédio

Questão 12ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

A partir de 1980, as academias de ginástica, com as suas diferentes modalidades de exercícios e a visão da aptidão física, passam a ser amplamente divulgadas no Brasil como essenciais à saúde, numa perspectiva médica, individual e de consumo, sem se questionar a relação dominante entre elas. Entretanto, essa análise carece de um olhar ampliado. O modelo de valorização da atividade física como fator de promoção da saúde (em sua perspectiva do controle de riscos), provocando o melhor ajuste do ser humano à sociedade capitalista por meio de uma boa aptidão física, é limitado. As reflexões em busca das práticas do movimento humano voltadas à saúde, em sentido complexo e multidimensional, tal como exigem os desafios contemporâneos, precisam considerar a natureza abrangente de relações entre a educação, o trabalho, o lazer e as práticas corporais, voltados para a melhoria das condições de vida para a saúde da população em sua totalidade. NOGUEIRA, J. A. D. ; BOSI, M. L. M. Saúde Coletiva e Educação Física: distanciamentos e interfaces. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, 2017 (adaptado).

Na sociedade atual, a relação entre o exercício físico e a saúde resulta no(a)

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Educação Física → Saúde Coletiva; determinantes sociais da saúde
  • ⚡ Nível: Médio — a dificuldade não está em dados, mas em não confundir o vocabulário do texto (capitalismo, aptidão, academias) usado para criticar um modelo com uma resposta que o endossa.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Crítica ao modelo biomédico-individual de saúde e defesa de uma abordagem multidimensional e social; leitura crítica de texto acadêmico de Educação Física
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, no que deve resultar, hoje, a relação entre exercício físico e saúde?"
  • Palavras-chave decisivas: olhar ampliado, natureza abrangente de relações, condições de vida... em sua totalidade
  • Armadilha típica: marcar a alternativa B, que repete palavras literais do texto ("capitalismo", "ajuste") como se fossem a conclusão desejada — quando, na verdade, é justamente o que o texto denuncia como limitado.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o texto propõe superar a visão individual/biomédica de saúde em favor de uma leitura social, coletiva e multifatorial.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Modelo biomédico-individual de saúde: reduz saúde à ausência de doença e à aptidão física mensurável no corpo, tratando o indivíduo isoladamente do contexto em que vive.
  • Saúde coletiva e determinantes sociais da saúde: corrente teórica (ligada ao SUS e à Saúde Coletiva) que entende a saúde como produto de condições de vida — trabalho, educação, moradia, lazer, renda — e não apenas de hábitos individuais.
  • Crítica à mercantilização do corpo: o texto denuncia como, a partir de 1980, a indústria fitness vendeu "aptidão física" como sinônimo de saúde, sem discutir as relações de poder e de consumo por trás desse modelo.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "sem se questionar a relação dominante entre elas" → o texto já sinaliza, na primeira frase, que vai desmontar a naturalização das academias como sinônimo automático de saúde.
  • Evidência 2: "o melhor ajuste do ser humano à sociedade capitalista... é limitado" → deixa explícito que o modelo de "boa aptidão física = boa saúde" é insuficiente e não é a proposta do texto.
  • Evidência 3: "a natureza abrangente de relações entre a educação, o trabalho, o lazer e as práticas corporais, voltados para a melhoria das condições de vida para a saúde da população em sua totalidade" → aqui está a tese central: saúde depende de múltiplos fatores sociais, e o objetivo é coletivo, não individual.
  • Síntese: as três evidências convergem para uma mesma direção — o texto não quer que o leitor associe exercício físico a um ganho pessoal e biomédico isolado, mas sim a uma reflexão ampla sobre os fatores sociais que produzem (ou impedem) saúde para toda a população.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a estrutura argumentativa do texto

O trecho de Nogueira e Bosi (2017) segue uma estrutura clássica de artigo crítico em três movimentos: (1) descreve um fenômeno histórico — a expansão das academias de ginástica a partir de 1980 e sua divulgação como "essenciais à saúde"; (2) aponta o limite desse fenômeno — a visão "médica, individual e de consumo", que ajusta o corpo à lógica capitalista sem questioná-la; (3) propõe um caminho alternativo — pensar a saúde de forma "complexa e multidimensional", articulando educação, trabalho, lazer e práticas corporais.

Subpasso 4.2 — Traduzir a proposta final do texto em uma alternativa

A conclusão do texto não é uma crítica vazia: ela indica explicitamente o que deveria substituir o modelo biomédico. A expressão "natureza abrangente de relações" mostra que a saúde não pode ser explicada por um único fator (o exercício), mas por vários fatores sociais entrelaçados. E o objetivo final declarado — "melhoria das condições de vida para a saúde da população em sua totalidade" — é um objetivo de justiça social, não de bem-estar individual.

Subpasso 4.3 — Verificação por eliminação lógica

Comparando essa tese com as cinco alternativas, apenas uma menciona simultaneamente (a) multiplicidade de fatores e (b) um horizonte social mais justo: a alternativa E, "reflexão sobre os múltiplos fatores necessários para condições sociais mais justas". As demais alternativas retomam, cada uma à sua maneira, exatamente o modelo que o texto criticou: prevenção individual de doença (A), adaptação ao capitalismo (B), causalidade simplista entre exercício e aptidão (C) ou valorização das próprias academias (D). Nenhuma delas amplia o olhar para os determinantes sociais — logo, a única compatível com a tese do texto é E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) entendimento vinculado à prevenção de doenças.

❌ Incorreta: reduz a relação exercício-saúde à lógica biomédica de "evitar a doença", que é exatamente a "perspectiva médica" apontada pelo texto como limitada e insuficiente.

B) assimilação do estilo de vida ativo adaptado ao capitalismo.

❌ Incorreta: descreve com precisão o próprio modelo denunciado pelo texto ("ajuste do ser humano à sociedade capitalista"). É uma armadilha que usa vocabulário do texto para inverter seu sentido crítico em conclusão positiva.

C) percepção da causalidade atribuída à melhoria da aptidão física.

❌ Incorreta: mantém o raciocínio linear e individual (exercício → aptidão física → saúde) que o texto classifica como "limitado" por ignorar o contexto social em que o corpo está inserido.

D) compreensão sobre a importância das academias e suas inovações.

❌ Incorreta: as academias e sua "visão da aptidão física" são justamente o objeto questionado pelo texto — ligado ao consumo e ao mercado —, não a solução que ele propõe.

E) reflexão sobre os múltiplos fatores necessários para condições sociais mais justas.

✅ Correta: retoma diretamente a "natureza abrangente de relações" entre educação, trabalho, lazer e práticas corporais, convergindo com a busca do texto por "condições de vida" mais justas para a população em sua totalidade.

🏆 Gabarito: E — é a única alternativa que amplia o debate para múltiplos determinantes sociais, tal como o texto propõe explicitamente, em vez de repetir o modelo individual e biomédico que ele critica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa E é a única que espelha a tese central do texto — saúde como resultado de "natureza abrangente de relações" sociais, e não de um único fator individual como o exercício físico.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz, em Educação Física, textos que criticam o "mito da boa forma" e a mercantilização do corpo (academias, indústria fitness), exigindo que o estudante reconheça a crítica social por trás da divulgação do exercício como sinônimo automático de saúde.
  • Generalização: em textos de crítica social — sobre saúde, educação ou trabalho —, a alternativa correta costuma ser a que amplia o escopo do problema (multicausal, estrutural, coletivo), enquanto as erradas restringem o fenômeno a uma causa isolada ou reproduzem, sem perceber, o próprio modelo que o texto contesta.
  • Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas que reaproveitam palavras literais do texto (capitalismo, aptidão, academias) como se fossem a conclusão positiva — em textos argumentativos, esse é o recurso clássico de "armadilha invertida".
  • Conexões: determinantes sociais da saúde e SUS; sociologia do corpo e do consumo; crítica ao biopoder e à medicalização da vida cotidiana.

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