Mapa de questões · 1º dia
Questão 8 — ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

Al Margen é um artista argentino que questiona padrões de comportamento da sociedade contemporânea. Essa ilustração reflete práticas sociais sintetizadas na
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Artes → leitura crítica de imagem; sociologia da cultura visual
- ⚡ Nível: Médio — exige traduzir símbolos surrealistas (olho alado, cabeça aberta, corpo-flor) em um conceito abstrato único, e não apenas descrever a cena.
- 🎯 Tema/Habilidade: Leitura de imagem como crítica de práticas sociais contemporâneas — a arte como discurso sobre visibilidade, imaginário coletivo e desejo.
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual prática social contemporânea a ilustração de Al Margen sintetiza criticamente?"
- Palavras-chave decisivas: questiona padrões de comportamento, sociedade contemporânea, sintetizadas
- Armadilha típica: confundir um elemento isolado da imagem (a figura feminina, o corpo estilizado) com o tema "beleza" ou "vaidade", quando na verdade a cena constrói um circuito completo — ver, ser visto, ser desejado — que nenhuma dessas leituras parciais esgota.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de generalizar TODOS os elementos visuais simultaneamente (o olho que voa, o corpo que se abre, o objeto que "alimenta" a figura) em um único conceito que os articule, e não escolher a alternativa que cita apenas um detalhe.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Sociedade da visibilidade/espetáculo: leitura da vida social contemporânea como mediada pelo ato de ver e ser visto, em que a exposição ao olhar do outro se tornou parte constitutiva da experiência do sujeito.
- Imaginário social: repertório coletivo de imagens, símbolos e fantasias que uma sociedade constrói e compartilha; a arte crítica costuma dar forma visível (muitas vezes onírica ou surreal) a esse imaginário.
- Desejo como consumo do corpo: quando o corpo é tratado visualmente como algo a ser "servido", contemplado ou devorado pelo olhar alheio, a imagem denuncia como o sujeito é transformado em objeto de desejo coletivo.
- Alegoria surrealista: recurso estético (corpo-planta, cabeça-vaso, olhos e objetos alados) usado para tornar visível, de forma simbólica e exagerada, um fenômeno social abstrato — aqui, o circuito olhar-desejo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (imagem): a cabeça se abre como uma tampa/vaso voltada para cima → o sujeito não se protege, ele se oferece, literalmente aberto para receber o que os outros projetam nele.
- Evidência 2 (imagem): um olho alado voa em direção ao rosto, e ao lado um objeto (pão com colher), também alado, se dirige à boca, com bolhas flutuando entre os dois → o olho é vigilância/visibilidade; o objeto que "entra" na boca sugere que esse olhar alimenta e, ao mesmo tempo, consome o sujeito (desejo).
- Evidência 3 (imagem): o corpo nasce de um cálice/flor, mãos segurando as pétalas como se estivesse sendo ofertado, exposto como um troféu → corpo em destaque, disponível ao olhar e ao desejo alheio.
- Evidência textual: "Al Margen... questiona padrões de comportamento da sociedade contemporânea" → confirma que a resposta certa exige uma crítica social ampla, não um detalhe estético isolado.
- Síntese: a combinação de vigilância (olho), atmosfera coletiva onírica (ambiente flutuante) e consumo/oferta do corpo (objeto-alimento e pose de flor) sintetiza a crítica: vivemos dependentes de sermos vistos, e essa visibilidade retroalimenta um imaginário coletivo de desejo sobre os corpos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Nomear a função de cada símbolo
Retomando a decodificação: o olho alado cumpre a função de vigilância (visibilidade); o corpo-flor e o ambiente onírico cumprem a função de cenário coletivo de representações (imaginário social); o objeto-alimento voando em direção à boca cumpre a função de consumo/oferta (desejo). Três funções, três conceitos.
Subpasso 4.2 — Unir as três funções em um único conceito
Nenhuma das funções sozinha fecha a questão. É a soma delas que forma o circuito denunciado por Al Margen: o sujeito se expõe (visibilidade), essa exposição é absorvida por um repertório coletivo de imagens e fantasias (imaginário social) e, por fim, se converte em objeto de desejo alheio (desejo). Essa cadeia de três elos é o que a alternativa correta precisa nomear.
Subpasso 4.3 — Verificação
Testando contra as cinco alternativas, só a opção D reúne simultaneamente os três termos — visibilidade, imaginário social e desejo — na mesma frase. As demais recortam apenas um fragmento do fenômeno (só vaidade, só beleza, só gênero, só clausura), o que as torna insuficientes diante da riqueza simbólica da ilustração.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) exposição da vida privada nas redes sociais como estímulo à vaidade.
❌ Incorreta: a ilustração não contém nenhuma referência visual a redes sociais, telas ou dispositivos digitais, nem reduz a cena a um sentimento individual de vaidade; o circuito olhar-desejo representado é mais amplo e atemporal do que o fenômeno específico das redes.
B) ideia de perfeição associada a padrões de beleza inacessíveis.
❌ Incorreta: não há, na imagem, nenhum indício de comparação estética ou de um "padrão ideal" de beleza a ser perseguido; o corpo é estilizado de forma surreal (flor, tampa, cálice), e a crítica recai sobre o mecanismo do olhar e do desejo, não sobre cânones de beleza.
C) natureza simbólica da linguagem relacionada ao gênero.
❌ Incorreta: a questão de gênero enquanto categoria social não é tematizada; a figura feminina funciona como recurso estético e simbólico universal (o corpo observado), não como uma discussão sobre masculino/feminino.
D) relação entre visibilidade, imaginário social e desejo.
✅ Correta: o olho alado (visibilidade), o cenário onírico de elementos flutuantes que pairam coletivamente sobre a figura (imaginário social) e o gesto de consumir/alimentar o corpo-flor (desejo) formam exatamente essa tríade nomeada pela alternativa.
E) visão falseada do enclausuramento como proteção.
❌ Incorreta: não há clausura alguma na cena — ao contrário, a cabeça está literalmente aberta e o corpo, exposto e acessível a elementos externos que voam livremente em sua direção; o sentido predominante é de abertura total, o oposto de proteção por isolamento.
🏆 Gabarito: D — a ilustração de Al Margen combina o olhar vigilante (visibilidade), a atmosfera simbólica e coletiva que envolve a cena (imaginário social) e o gesto de consumir o corpo exposto (desejo); apenas a alternativa D nomeia essa tríade completa, presente em todos os elementos visuais da obra.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que articula, ao mesmo tempo, os três elementos centrais da imagem — o olho (visibilidade), a cena fantástica coletiva (imaginário social) e o "consumo" do corpo (desejo); as demais recortam apenas um detalhe isolado da ilustração.
- Padrão de cobrança: o ENEM costuma usar charges, ilustrações e obras de arte contemporânea (como as de Al Margen) para testar a leitura crítica de imagem associada a conceitos de sociologia da cultura — visibilidade, espetáculo, consumo e objetificação do corpo.
- Generalização: em questões de leitura de imagem com crítica social, escolha sempre a alternativa que dê conta de TODOS os elementos centrais da cena simultaneamente; alternativas que descrevem apenas um fragmento (um objeto, uma pose) são armadilhas quase certas.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato qualquer alternativa que cite algo ausente da imagem — aqui, "redes sociais", "padrão de beleza", "gênero" e "clausura" não têm respaldo visual algum; sobra a alternativa que descreve o mecanismo geral de olhar e desejo.
- Conexões: sociedade do espetáculo (Guy Debord), cultura da imagem e vigilância, objetificação do corpo na publicidade e na arte contemporânea.
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