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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaFácil

Questão 73ENEM 2024 PPLCaderno azul · 1º Dia

Quem foram os primeiros europeus? Novas pesquisas apontam que os atuais europeus, de qualquer país do continente, resultam de uma mistura de antigos legados da África, do Oriente Médio e da estepe russa. Os indícios vêm de objetos coletados em sítios arqueológicos, da análise de dentes e ossos antiquíssimos ali exumados e dos estudos linguísticos. Numa época tão preocupada com as migrações e as fronteiras nacionais, a ciência comprova que a Europa é um continente de imigrantes — e sempre foi assim. “Os exames de DNA estão solapando o paradigma nacionalista de que sempre vivemos aqui e nunca nos misturamos com outros povos”, diz Kristian Kristiansen. “Não há dinamarqueses, suecos ou alemães”. Em vez disso, “somos todos russos, somos todos africanos”.

CURRY, A. National Geographic, ago. 2019 (adaptado).

Em relação à Europa, as descobertas científicas destacadas no texto desconstroem um discurso de

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → nacionalismo, identidade europeia e discurso de pureza racial
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto entrega a resposta quase de forma explícita ("Não há dinamarqueses, suecos ou alemães"), bastando reconhecer o conceito por trás da frase
  • 🎯 Tema/Habilidade: Crítica ao nacionalismo étnico a partir de evidências científicas (genética e arqueologia) — competência de leitura crítica de textos que articulam ciência e discurso político/identitário
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual discurso sobre a Europa as pesquisas genéticas e arqueológicas citadas no texto desmontam?"
  • Palavras-chave decisivas: "paradigma nacionalista", "Não há dinamarqueses, suecos ou alemães", "continente de imigrantes"
  • Armadilha típica: confundir "o que a ciência revela" (miscigenação, diversidade genética) com "o que a ciência desconstrói" (a crença de povos puros e isolados). O texto mostra as duas pontas — mas a pergunta quer o discurso que é destruído, não o achado científico em si.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar que a mistura genética comprovada pela ciência é a antítese de qualquer narrativa de origem étnica "pura" e imutável associada a uma nação.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Pureza racial: ideia (falsa do ponto de vista científico) de que um povo ou nação descende de uma linhagem étnica única, homogênea e não misturada ao longo da história. É a base de discursos nacionalistas exclusivistas e de teorias racistas que separam "nós" de "outros".
  • Paradigma nacionalista: construção ideológica, típica dos séculos XIX e XX, que associa território, cultura e "sangue" a uma identidade nacional fixa — como se dinamarqueses, suecos ou alemães fossem categorias biológicas estáveis desde sempre.
  • Genética populacional e arqueogenética: ramo da ciência que analisa DNA antigo (ossos, dentes) para reconstruir fluxos migratórios. As pesquisas citadas mostram camadas sucessivas de povos vindos da África, do Oriente Médio e da estepe russa formando os europeus atuais — ou seja, mistura constante, não isolamento.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "os atuais europeus [...] resultam de uma mistura de antigos legados da África, do Oriente Médio e da estepe russa" → mostra que não existe uma origem étnica única e "pura" para nenhum povo europeu — todos são produto de sucessivas migrações e cruzamentos.
  • Evidência 2: "Os exames de DNA estão solapando o paradigma nacionalista de que sempre vivemos aqui e nunca nos misturamos com outros povos" → a própria fonte (o pesquisador Kristian Kristiansen) nomeia explicitamente o alvo desconstruído: o paradigma nacionalista fundado na ideia de povo puro e fixo em seu território.
  • Síntese: o texto usa provas científicas (DNA, arqueologia, linguística) para derrubar a crença de que existiriam etnias europeias "puras" e isoladas — essa crença é precisamente o que se chama de discurso de pureza racial.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o discurso alvo mencionado no texto

O texto é claro ao citar a fala de Kristiansen: os exames de DNA "solapam" (destroem, minam) o "paradigma nacionalista" segundo o qual um povo sempre viveu no mesmo lugar e nunca se misturou a outros. Esse paradigma nacionalista, aplicado a "raças" ou etnias fixas associadas a um território, é exatamente a definição de discurso de pureza racial: a crença de que existe uma linhagem étnica original, homogênea e não miscigenada, que fundamentaria a identidade de um povo.

Subpasso 4.2 — Conectar a evidência científica ao efeito discursivo

A descoberta central do texto é que todo europeu contemporâneo carrega heranças genéticas de três grandes fluxos migratórios distintos (África, Oriente Médio, estepe russa). Isso é o oposto lógico de qualquer alegação de pureza: se há mistura constante e comprovada por DNA, ossos e estudos linguísticos, não pode haver um "povo original" intocado. A frase final da fonte — "somos todos russos, somos todos africanos" — reforça que a identidade europeia é fruto de fusão, não de isolamento étnico.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando com o comando da questão ("desconstroem um discurso de..."), a única alternativa que descreve algo que a ciência derruba (e não confirma) é a pureza racial. Diversidade étnica, variedade linguística e multiplicidade genética são achados que a ciência confirma, não desconstrói — logo, não podem ser a resposta, pois a pergunta pede o discurso desmontado, não o resultado da pesquisa.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) pureza racial.

✅ Correta: é exatamente o "paradigma nacionalista" citado no texto — a crença de que um povo (dinamarquês, sueco, alemão) sempre existiu de forma homogênea e sem misturas. As evidências genéticas e arqueológicas provam o contrário, desconstruindo esse mito.

B) diversidade étnica.

❌ Incorreta: a diversidade étnica é o que a pesquisa comprova, não o que ela desconstrói. Confundir "resultado da descoberta" com "discurso desmontado" é a armadilha central da questão.

C) variedade linguística.

❌ Incorreta: os estudos linguísticos são citados apenas como um dos métodos de evidência (junto com objetos arqueológicos e análise de DNA), não como o discurso que está sendo questionado. A variedade linguística nem é tema central do texto.

D) multiplicidade genética.

❌ Incorreta: assim como a diversidade étnica, a multiplicidade (ou mistura) genética é o achado confirmado pelas pesquisas — é a prova usada para desmontar a pureza racial, não o alvo da desconstrução.

E) nomadismo demográfico.

❌ Incorreta: o texto trata de migrações antigas que formaram a população europeia, mas não usa esse conceito como um "discurso" a ser combatido; nomadismo não é mencionado nem é o objeto do debate — o embate do texto é entre pureza étnica e mistura, não entre fixação e nomadismo.

🏆 Gabarito: A — as descobertas genéticas e arqueológicas citadas comprovam que todo europeu é fruto de sucessivas migrações e misturas, o que desmonta diretamente qualquer discurso de pureza racial/étnica associado às nações europeias.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra A é a única alternativa que nomeia um discurso negado pela ciência; todas as demais nomeiam achados confirmados pela pesquisa, invertendo a lógica pedida pelo comando.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa textos de divulgação científica (genética, arqueologia, antropologia) para questionar discursos nacionalistas, racistas ou de "identidade pura" — é um tema caro às competências de cidadania e direitos humanos da matriz de referência.
  • Generalização: sempre que um texto citar ciência (DNA, fósseis, dados históricos) "desmontando", "solapando" ou "desconstruindo" uma crença popular, a resposta certa nomeia a crença errada que caiu, não o fato científico que se confirmou.
  • Dica de eliminação rápida: leia o verbo do comando ("desconstroem um discurso de..."). Elimine de cara qualquer alternativa que descreva algo que o texto trata como verdade cientificamente comprovada (diversidade, mistura genética, línguas variadas) — sobra apenas o mito que a ciência derrubou.
  • Conexões: discurso de superioridade racial e eugenia; construção de identidades nacionais no século XIX; uso de DNA e genoma humano em debates sobre migração e xenofobia contemporânea.

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