Mapa de questões · 1º dia
Questão 87 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia
A topografia predominante no Planalto Central é a de uma região horizontal, chata, que me fez recordar muito do Planalto Central da África do Sul: o mesmo horizonte circular, a mesma vegetação baixa e rala, que permite à vista varrer extensões infinitas.
WEIBEL, L. Capítulos de geografia tropical e do Brasil. Rio de Janeiro: IBGE, 1979.
Quais formações vegetais pertencem às paisagens apresentadas?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Biogeografia e domínios morfoclimáticos (formações vegetais tropicais e extratropicais)
- ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer, a partir de uma descrição paisagística, quais formações vegetais no mundo compartilham a mesma origem climática (savanas tropicais) e descartar formações de climas totalmente diferentes.
- 🎯 Tema/Habilidade: Correspondência entre paisagens vegetais análogas em diferentes continentes, associada à leitura e interpretação de texto descritivo de geografia física (Competência de Área 5 do ENEM — utilizar conhecimentos geográficos para compreender a interação sociedade/natureza).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que tipo de vegetação existe tanto no Planalto Central brasileiro quanto no planalto sul-africano descritos no texto?"
- Palavras-chave decisivas: horizonte circular, vegetação baixa e rala, Planalto Central da África do Sul
- Armadilha típica: confundir "vegetação baixa e rala" com qualquer bioma de arbustos baixos do mundo (garrigue, maquis, chaparral, caatinga), ignorando que o texto fala especificamente de dois planaltos tropicais/subtropicais com clima estacional — não de climas mediterrâneos, áridos ou frios.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar que cerrado (Brasil) e savana (África) são nomes regionais para o mesmo tipo de formação vegetal — savana tropical —, resultado de climas tropicais com estação seca e estação chuvosa bem definidas.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Savana (conceito geral): formação vegetal típica de climas tropicais com duas estações (uma seca, outra chuvosa), caracterizada por estrato herbáceo-gramíneo contínuo, árvores e arbustos esparsos, baixos e tortuosos, adaptados ao fogo e à seca sazonal. Ocorre em grandes áreas da África (savana africana), da América do Sul (cerrado) e da Austrália.
- Cerrado: é o nome dado no Brasil à savana tropical que recobre o Planalto Central. Possui vegetação xeromórfica (troncos retorcidos, cascas grossas, raízes profundas) adaptada à alternância entre seca e chuva e à presença de queimadas naturais — exatamente o tipo de paisagem "horizontal, chata" e de "vegetação baixa e rala" descrita por Weibel.
- Garrigue e maquis: formações arbustivas do clima mediterrâneo (sul da Europa/norte da África), adaptadas a verões secos e quentes e invernos amenos e chuvosos — nada a ver com o clima tropical dos planaltos citados.
- Pradarias e estepes: formações herbáceas de clima temperado continental (interior da América do Norte e da Eurásia), sem a estacionalidade tropical descrita no texto.
- Caatinga: vegetação xerófila do semiárido brasileiro, adaptada à escassez de água quase o ano todo — distinta da savana, que tem estação chuvosa definida e cobertura de gramíneas mais densa.
- Restingas e chaparrais: restinga é vegetação costeira sobre solos arenosos; chaparral é a formação arbustiva mediterrânea da Califórnia — ambas ligadas a climas e relevos muito específicos, incompatíveis com "planalto tropical de vegetação baixa e rala".
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "topografia predominante no Planalto Central é a de uma região horizontal, chata" → descreve um relevo de planalto (chapadão), aplainado, típico do interior do Brasil (Planalto Central/Goiás-DF) coberto por cerrado.
- Evidência 2: "o mesmo horizonte circular, a mesma vegetação baixa e rala, que permite à vista varrer extensões infinitas" → o autor compara diretamente a paisagem brasileira à do Planalto Central sul-africano (highveld), reconhecendo semelhança fisionômica: vegetação rasteira/arbustiva, aberta, sem grande verticalização, resultado de climas tropicais/subtropicais com sazonalidade hídrica.
- Síntese: o texto de Weibel estabelece uma analogia entre duas paisagens de savana tropical situadas em planaltos de latitudes próximas (Brasil e África do Sul), reforçando que ambas resultam do mesmo tipo climático — o que aponta diretamente para cerrado (nome brasileiro) e savana (nome africano/genérico) como as formações vegetais em questão.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar as paisagens descritas no texto
Weibel narra sua experiência no Planalto Central brasileiro e a compara ao Planalto Central da África do Sul (região do highveld sul-africano). Ele destaca dois elementos: (1) o relevo aplainado, de horizonte circular, típico de superfícies de erosão elevadas; e (2) a vegetação baixa e rala, que não obstrui a visão e permite enxergar "extensões infinitas". Essa descrição é a marca registrada das savanas tropicais.
Subpasso 4.2 — Relacionar a descrição ao domínio climático-vegetacional
Tanto o Planalto Central brasileiro quanto o planalto sul-africano estão em faixas de clima tropical/subtropical com estações seca e chuvosa bem marcadas. Esse regime climático produz, em ambos os continentes, uma vegetação de estrato herbáceo-gramíneo dominante, intercalado por árvores e arbustos baixos, tortuosos e espaçados — fisionomia que, no Brasil, recebe o nome de cerrado, e na África (e em outras regiões tropicais do mundo, de forma genérica), o nome de savana. Cerrado é, portanto, tecnicamente a savana brasileira: mesma origem climática, mesma estrutura de vegetação, apenas denominações regionais distintas.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao confrontar essa conclusão com as alternativas, apenas a opção A reúne exatamente as duas formações compatíveis com savanas tropicais de planalto: cerrado (Brasil) e savana (termo mais amplo, usado inclusive para a África). As demais alternativas trazem pares de vegetação associados a climas mediterrâneos, temperados frios ou semiáridos, incompatíveis com o cenário tropical descrito no texto — confirmando a alternativa A como resposta.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Os cerrados e as savanas.
✅ Correta: cerrado é a savana tropical brasileira, e "savana" é o termo usado, entre outras regiões, para a vegetação análoga do Planalto Central sul-africano. Ambas resultam do mesmo tipo climático (tropical/subtropical com sazonalidade de chuvas), explicando a semelhança de paisagem relatada por Weibel — vegetação baixa, rala e horizonte aberto.
B) Os garrigues e as pradarias.
❌ Incorreta: garrigue é vegetação arbustiva rala típica do clima mediterrâneo (região do Mediterrâneo europeu), associada a solos calcários e verões secos; pradaria é formação herbácea de clima temperado continental (América do Norte). Nenhuma das duas corresponde aos planaltos tropicais descritos no texto.
C) As caatingas e os maquis.
❌ Incorreta: caatinga é a vegetação xerófila do semiárido nordestino brasileiro, adaptada à escassez hídrica quase constante (e não a uma estação chuvosa regular como no cerrado); maquis é a formação arbustiva densa do clima mediterrâneo. Ambas divergem do regime climático tropical dos dois planaltos citados.
D) As coníferas e as estepes.
❌ Incorreta: florestas de coníferas ocorrem em climas frios/temperados (taiga), com árvores altas de folhas aciculares — o oposto de "vegetação baixa e rala"; estepes são formações herbáceas de clima frio-continental do interior da Eurásia. Nenhuma delas condiz com planaltos tropicais.
E) As restingas e os chaparrais.
❌ Incorreta: restinga é vegetação litorânea sobre solos arenosos, ligada à faixa costeira brasileira, não a planaltos interiores; chaparral é a formação arbustiva mediterrânea da costa da Califórnia. Ambas são geograficamente e climaticamente incompatíveis com a paisagem descrita.
🏆 Gabarito: A — cerrado e savana são a mesma formação vegetal (savana tropical) sob nomes regionais diferentes, exatamente o que explica a semelhança entre o Planalto Central brasileiro e o sul-africano descrita no texto de Weibel.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A reúne duas formações vegetais originadas do mesmo tipo climático (tropical com estação seca e chuvosa) presente nos dois planaltos comparados pelo autor; todas as outras alternativas misturam vegetações de climas mediterrâneos, semiáridos ou frios, incompatíveis com o texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra comparações entre biomas/domínios brasileiros e formações vegetais análogas em outros continentes (cerrado-savana, floresta amazônica-floresta equatorial africana/asiática, caatinga-savana estépica etc.), sempre relacionando clima → vegetação → paisagem.
- Generalização: para identificar uma formação vegetal a partir de um relato de viagem ou descrição paisagística, primeiro determine o tipo climático da região (tropical, temperado, mediterrâneo, frio, árido) e só depois associe à vegetação — a vegetação é sempre consequência do clima (e do solo/relevo), nunca o ponto de partida.
- Dica de eliminação rápida: ao ler "Planalto Central" + países tropicais/subtropicais, elimine de cara qualquer par que contenha vegetação de clima mediterrâneo (garrigue, maquis, chaparral) ou de clima frio (coníferas, estepes), pois o texto não menciona invernos rigorosos nem verões secos típicos do Mediterrâneo — restam apenas cerrado/savana e caatinga, e a caatinga é eliminada por não ter estação chuvosa regular nem ser comparável ao highveld sul-africano.
- Conexões: revise também os domínios morfoclimáticos brasileiros de Aziz Ab'Sáber e o conceito de zonas de convergência climática global (classificação de Köppen) aplicados à distribuição das savanas tropicais no mundo.
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