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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaMédio

Questão 81ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

A importância do conhecimento está em seu uso, em nosso domínio ativo sobre ele, quero dizer, reside na sabedoria. É convencional falar em mero conhecimento, separado da sabedoria, como capaz de incutir uma dignidade peculiar a seu possuidor. Não compartilho dessa reverência pelo conhecimento como tal. Tudo depende de quem possui o conhecimento e do uso que faz dele.

WHITHEHEAD, A. N. Os fins da educação e outros ensaios.  São Paulo: Edusp, 1969.

No trecho, o autor considera que o conhecimento traz possibilidades de progresso material e moral quando

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Teoria do Conhecimento / Filosofia da Educação (Whitehead)
  • ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar, dentro de um texto filosófico denso, o conceito de "conhecimento" do conceito de "sabedoria" e localizar o critério que o autor usa para valorizar o primeiro.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre conhecimento e sabedoria como fundamento do progresso material e moral — competência de leitura e interpretação de textos filosóficos (H6/H8 da matriz de Ciências Humanas).
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o autor, o conhecimento gera progresso material e moral quando o indivíduo faz o quê com ele?"
  • Palavras-chave decisivas: uso, domínio ativo, sabedoria
  • Armadilha típica: confundir o texto com uma defesa do conhecimento "puro" (rigor conceitual, dogmas, inovação tecnológica ou método científico) quando, na verdade, Whitehead está criticando exatamente a ideia de que o conhecimento vale por si mesmo, independentemente de como é empregado.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o valor do conhecimento, para o autor, não está em possuí-lo ou em sua sofisticação teórica, mas na maneira prática como ele é aplicado pelo sujeito que o detém.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Conhecimento (mero conhecimento): para Whitehead, é a informação acumulada, o saber teórico isolado, que por si só não garante nenhum benefício — é neutro até ser colocado em ação.
  • Sabedoria: é a capacidade de usar o conhecimento de forma ativa e produtiva; é o "domínio" prático sobre o que se sabe, aquilo que transforma dado em resultado concreto.
  • Aplicabilidade/uso: critério central do texto — o autor mede o valor do conhecimento não pelo conteúdo em si, mas pelo emprego que dele se faz e por quem o maneja.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "A importância do conhecimento está em seu uso, em nosso domínio ativo sobre ele [...] reside na sabedoria." → o autor define, já na primeira frase, que o valor do conhecimento é funcional: está no uso, não na posse.
  • Evidência 2: "É convencional falar em mero conhecimento, separado da sabedoria, como capaz de incutir uma dignidade peculiar a seu possuidor. Não compartilho dessa reverência pelo conhecimento como tal." → Whitehead rejeita explicitamente a ideia de que saber algo, por si, já tenha mérito — refutando de saída alternativas que valorizam o conhecimento abstrato (rigor conceitual, dogmas, ciência pela ciência).
  • Síntese: as duas evidências convergem para o mesmo ponto: o conhecimento só produz progresso quando é avaliado e empregado em função de sua utilidade prática — ou seja, quando se avalia sua aplicabilidade.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a tese central do trecho

O texto de Alfred North Whitehead, filósofo e educador britânico, integra a obra "Os fins da educação e outros ensaios", na qual ele critica um modelo de ensino baseado no acúmulo de informações desconectadas da vida prática (o que ele chama, em outros trechos da obra, de "ideias inertes"). Aqui, a tese é direta: conhecimento não vale pela posse, vale pelo uso. A "dignidade peculiar" que se atribui ao "mero conhecimento" é uma convenção que o autor rejeita — ele não reverencia o saber acumulado como um fim em si mesmo.

Subpasso 4.2 — Traduzir a tese para os termos da pergunta

A pergunta pede o momento em que o conhecimento "traz possibilidades de progresso material e moral". Como o autor condiciona todo o valor do conhecimento ao seu uso ("tudo depende de quem possui o conhecimento e do uso que faz dele"), o progresso só aparece quando se examina a aplicação prática daquele saber — isto é, quando se avalia sua aplicabilidade. Não basta ter conhecimento nem ostentá-lo teoricamente: é preciso perguntar "para que serve" e "como é usado".

Subpasso 4.3 — Verificação

Voltando ao texto: cada expressão-chave ("uso", "domínio ativo", "sabedoria", "do uso que faz dele") aponta para a mesma direção semântica — a aplicação prática/utilidade do saber. Isso corresponde exatamente à alternativa C ("avalia a sua aplicabilidade"), que é a única que fala de julgamento sobre o uso prático do conhecimento, e não sobre sua natureza teórica, dogmática, tecnológica ou metodológica.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) prioriza o rigor conceitual.

❌ Incorreta: o rigor conceitual diz respeito à precisão teórica do saber, algo que pertence ao campo do "mero conhecimento" que o autor explicitamente desvaloriza. Whitehead não elogia o conhecimento por ser rigoroso, mas por ser bem empregado.

B) valoriza os seus dogmas.

❌ Incorreta: o texto não menciona dogmas em nenhum momento, e a postura do autor é justamente antidogmática — ele questiona a "reverência" automática ao conhecimento, isto é, recusa tratá-lo como verdade inquestionável ou valor fixo e institucionalizado.

C) avalia a sua aplicabilidade.

✅ Correta: é exatamente o critério defendido no trecho. O autor afirma que a importância do conhecimento "está em seu uso" e que "tudo depende [...] do uso que faz dele". Avaliar a aplicabilidade é avaliar como e para quê o conhecimento é empregado — o que, segundo Whitehead, é a fonte real do progresso material e moral.

D) busca a inovação tecnológica.

❌ Incorreta: o texto não trata de tecnologia nem de inovação; fala em termos gerais sobre a relação entre saber e sabedoria, aplicável a qualquer área da vida humana, não apenas ao campo técnico-científico.

E) instaura uma perspectiva científica.

❌ Incorreta: adotar uma perspectiva científica também se relaciona ao "mero conhecimento" teórico-metodológico, não ao critério de uso prático que o autor valoriza. O texto não é sobre método científico, mas sobre a finalidade e o emprego do saber.

🏆 Gabarito: C — o autor condiciona o progresso material e moral do conhecimento à avaliação de sua aplicabilidade, isto é, ao uso ativo e prático que se faz dele, e não à sua posse teórica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a letra C é a única alternativa que reproduz o critério explícito do texto — o valor do conhecimento medido pelo uso, não pela teoria, pelo dogma, pela tecnologia ou pelo método.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos filosóficos sobre educação (Whitehead, Paulo Freire, Rousseau, Dewey) que opõem "saber teórico/decorado" a "saber aplicado/crítico" — é um tema clássico das Ciências Humanas e também aparece em Linguagens, na crítica à educação bancária.
  • Generalização: em questões de interpretação filosófica, a resposta certa costuma repetir o vocabulário e o raciocínio central do próprio texto, enquanto as erradas introduzem termos ou ideias ausentes dele (dogma, tecnologia, ciência) para testar se o candidato leu com atenção ou apenas associou palavras soltas.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que fale de "rigor", "dogma", "tecnologia" ou "ciência" sem que esses termos apareçam no texto-base — nesse tipo de questão, a alternativa correta quase sempre parafraseia a frase mais explícita do trecho (aqui, "o uso que faz dele").
  • Conexões: compare com textos de Paulo Freire sobre "educação bancária" versus "educação problematizadora", e com discussões sobre a diferença entre informação e conhecimento crítico na sociedade contemporânea.

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