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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 48ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) reuniu historiadores, romancistas, poetas, administradores públicos e políticos em torno da investigação a respeito do caráter brasileiro. Em certo sentido, a estrutura dessa instituição, pelo menos como projeto, reproduzia o modelo centralizador imperial. Assim, enquanto na Corte localizava-se a sede, nas províncias deveria haver os respectivos institutos regionais. Estes, por sua vez, enviariam documentos e relatos regionais para a capital.
DEL PRIORE, M.; VENÂNCIO, R. Uma breve história do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2010 (adaptado).

De acordo com o texto, durante o reinado de D. Pedro II, o referido instituto objetivava

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Império, formação do Estado Nacional e produção do conhecimento histórico (IHGB)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a estrutura institucional descrita no texto (centralização, coleta de documentos regionais) com a finalidade política do IHGB no século XIX.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Construção da identidade e da narrativa nacional no Brasil oitocentista (Competência de Área 3 — ENEM: compreender processos de formação socioeconômica, política e cultural).
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual era o objetivo político-cultural por trás da estrutura centralizada do IHGB, que reunia intelectuais e coletava documentos das províncias para a Corte?"
  • Palavras-chave decisivas: caráter brasileiro, modelo centralizador imperial, documentos e relatos regionais
  • Armadilha típica: confundir a atuação de historiadores, romancistas e políticos reunidos no IHGB com uma pauta de crítica social (desigualdades, injustiças coloniais) ou com um projeto de valorização das diferenças (diversidade étnica), quando na verdade a instituição foi criada justamente para unificar um sentido de nação, não para expor suas fraturas.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que reunir intelectuais e centralizar informações das províncias na Corte era um instrumento de construção de uma identidade nacional coesa, a serviço do projeto de consolidação do Estado imperial recém-independente.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • IHGB (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro): fundado em 1838, no Segundo Reinado, sob proteção direta de D. Pedro II, reunia elites intelectuais (historiadores, poetas, políticos, administradores) com a missão de escrever a história oficial do Brasil e consolidar seus símbolos identitários.
  • Formação do Estado Nacional pós-Independência: após 1822, o Brasil precisava construir, do zero, um sentimento de pertencimento coletivo que justificasse a existência de um país unificado sob a Coroa, apesar das enormes diferenças regionais, étnicas e sociais herdadas da colônia.
  • Centralização política do Segundo Reinado: o modelo administrativo do Império era fortemente centralizado na Corte (Rio de Janeiro), com as províncias subordinadas ao poder central — o mesmo desenho institucional do IHGB, que replicava essa lógica ao concentrar na sede carioca o que os institutos regionais produziam.
  • Historiografia como projeto político: no século XIX, escrever história não era uma atividade neutra; era uma ferramenta de Estado para inventar tradições, eleger heróis, mitos de origem (como a idealização do indígena e a valorização da mestiçagem) e narrativas de continuidade que dessem legitimidade à nação em formação.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "reuniu historiadores, romancistas, poetas, administradores públicos e políticos em torno da investigação a respeito do caráter brasileiro" → mostra que o objetivo não era produzir conhecimento técnico isolado, mas construir coletivamente uma resposta à pergunta "quem somos como nação", misturando ciência histórica com literatura e política — típico de um projeto identitário.
  • Evidência 2: "a estrutura dessa instituição [...] reproduzia o modelo centralizador imperial [...] enquanto na Corte localizava-se a sede, nas províncias deveria haver os respectivos institutos regionais [...] enviariam documentos e relatos regionais para a capital" → revela que toda a matéria-prima histórica e cultural das diferentes regiões era canalizada para um único centro de produção de sentido, a Corte, onde seria filtrada, organizada e transformada em uma narrativa única e oficial sobre o Brasil.
  • Síntese: o texto descreve, na prática, uma engenharia institucional de fabricação de identidade nacional: dados regionais entram, uma narrativa nacional coesa sai — exatamente o papel que o IHGB cumpriu no processo de consolidação do Estado imperial brasileiro.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o contexto histórico do IHGB

O Brasil, recém-independente (1822), enfrentava um problema de legitimação: como manter unido um território continental, com populações e economias muito diferentes entre si, sob uma única Coroa? A resposta do Império passou por instituições que produzissem coesão simbólica. O IHGB, fundado em 1838 e diretamente vinculado a D. Pedro II, foi uma dessas peças-chave: seu papel era construir uma versão oficial e unificadora do passado brasileiro, elegendo fatos, personagens e valores que pudessem ser compartilhados por todo o território como "história nacional".

Subpasso 4.2 — Relacionar a estrutura institucional ao objetivo político

O enunciado é explícito ao descrever que o IHGB copiava o desenho centralizador do próprio Estado imperial: sede na Corte, institutos regionais nas províncias, fluxo de informação sempre em uma direção — das margens para o centro. Essa arquitetura não é um detalhe burocrático qualquer; ela é a materialização de um projeto: cada província fornecia fragmentos (documentos, relatos, tradições locais) que eram reunidos, selecionados e reelaborados na Corte para compor uma narrativa única, capaz de dar ao "caráter brasileiro" um sentido de unidade nacional, apagando ou subordinando as diferenças regionais em nome de uma identidade comum.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando essa leitura com as alternativas, apenas a opção que fala em "construir uma narrativa de nação" capta com precisão o que o texto descreve: um esforço institucional, centralizado e deliberado, de produzir um relato coeso sobre o Brasil a partir da reunião de intelectuais e da coleta sistemática de fontes regionais. As demais alternativas introduzem finalidades que o texto não sustenta (crítica social, combate a injustiças, abolicionismo, valorização da diversidade étnica), portanto o gabarito converge para a alternativa A.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) construir uma narrativa de nação.

✅ Correta: é exatamente essa a função descrita — reunir historiadores, literatos e políticos, centralizar documentos das províncias na Corte e, a partir disso, elaborar uma versão oficial e coesa da história e do "caráter" do Brasil, capaz de sustentar simbolicamente a unidade do Estado imperial.

B) debater as desigualdades sociais.

❌ Incorreta: o texto não menciona qualquer preocupação do IHGB com hierarquias sociais, condições de vida ou desigualdade entre classes; a instituição estava voltada para a produção de uma memória histórica oficial, não para análise ou crítica das estruturas sociais do período.

C) combater as injustiças coloniais.

❌ Incorreta: o IHGB era uma instituição ligada às elites e ao próprio Imperador, sem qualquer proposta de revisão crítica ou reparação do passado colonial; ao contrário, seu projeto tendia a legitimar a continuidade entre o passado colonial e a nação imperial, não a denunciá-lo.

D) defender a retórica do abolicionismo.

❌ Incorreta: o texto não trata de escravidão nem de abolição; o recorte apresentado é institucional e historiográfico (organização do Instituto), sem qualquer menção ao debate abolicionista, que ganharia força nacional apenas décadas depois, sobretudo a partir da década de 1880.

E) evidenciar uma diversidade étnica.

❌ Incorreta: o movimento descrito é o oposto — em vez de destacar e valorizar diferenças étnicas e regionais, o IHGB centralizava as informações provinciais na Corte justamente para produzir uma síntese unificadora, homogeneizando o múltiplo em uma única narrativa nacional.

🏆 Gabarito: A — a estrutura centralizadora do IHGB, reunindo intelectuais e documentos das províncias na Corte, tinha como finalidade construir uma narrativa unificada de nação para o Brasil recém-independente.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa A traduz corretamente a lógica apresentada no texto: centralização institucional a serviço da produção de uma identidade nacional coesa, e não de crítica social, denúncia colonial, pauta abolicionista ou celebração da diversidade.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra o papel de instituições do Império (como o IHGB, o Colégio Pedro II e a Academia Imperial de Belas Artes) na "invenção" de símbolos, mitos de origem e narrativas nacionais — sempre associando essas instituições ao projeto de consolidação do Estado após a Independência.
  • Generalização: sempre que uma questão descrever uma instituição do século XIX reunindo elites intelectuais para "investigar", "documentar" ou "sistematizar" o passado ou a cultura brasileira sob supervisão do poder central, a resposta tende a girar em torno da construção/consolidação de uma identidade ou narrativa nacional, e não de pautas de crítica social típicas de outros contextos históricos.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que trazem pautas anacrônicas ou fora do escopo do texto (aqui, "abolicionismo" e "injustiças coloniais" não aparecem em nenhuma linha do enunciado); em seguida, compare as duas opções que parecem plausíveis por tratarem de "unidade x diferença" — o texto descreve centralização, então a resposta certa fala em unificar (narrativa de nação), não em evidenciar diferenças (diversidade étnica).
  • Conexões: compare com o Romantismo indianista (José de Alencar) e com a criação do Colégio Pedro II — ambos fazem parte do mesmo projeto imperial de construção de símbolos e de uma cultura nacional brasileira no século XIX.

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