Mapa de questões · 1º dia
Questão 57 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

As imagens representam fases de um conflito geopolítico no qual as forças envolvidas buscam
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geopolítica do Oriente Médio (conflito Israel-Palestina) e leitura comparativa de mapas temáticos
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar informações de dois mapas históricos (1947 e 2013) e associá-las a um conceito de geopolítica territorial, sem que a resposta esteja escrita literalmente em nenhum dos dois
- 🎯 Tema/Habilidade: Expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia como estratégia de ocupação territorial (compreender transformações do espaço geográfico e conflitos geopolíticos contemporâneos a partir de representações cartográficas)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que a comparação entre o mapa da Partilha da ONU (1947) e o mapa de 2013 revela sobre o objetivo da política israelense de expansão de assentamentos na Cisjordânia?"
- Palavras-chave decisivas: Assentamentos judaicos, Controle palestino total ou parcial, Muro
- Armadilha típica: associar automaticamente o conflito israelo-palestino a motivações exclusivamente religiosas (por causa de Jerusalém) ou a recursos econômicos como petróleo, ignorando que os próprios mapas mostram, de forma explícita, uma disputa por espaço físico — Estado, assentamento, controle, muro.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o(a) candidato(a) entende que a multiplicação de assentamentos e a fragmentação do território sob controle palestino entre 1947 e 2013 expressam uma lógica de ocupação e consolidação de fronteiras "de fato", isto é, de posse territorial.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Plano de Partilha da ONU (1947): a Resolução 181 da Assembleia Geral da ONU dividiu o antigo Mandato Britânico da Palestina em um Estado judeu, um Estado árabe palestino e uma zona sob controle internacional, que incluía Jerusalém — é exatamente o que o primeiro mapa retrata.
- Assentamentos judaicos (settlements): povoados civis construídos por Israel dentro da Cisjordânia, território ocupado após a Guerra dos Seis Dias (1967). São considerados ilegais pelo direito internacional (Convenção de Genebra), mas funcionam, na prática, como instrumento de ocupação e consolidação de fronteiras.
- "Fatos consumados" (fait accompli): estratégia geopolítica de ocupar fisicamente um território em disputa — com casas, estradas, infraestrutura — de modo a tornar sua eventual devolução política ou negociação diplomática cada vez mais difícil.
- Muro na Cisjordânia: barreira de separação construída por Israel a partir dos anos 2000, que em diversos trechos avança sobre território palestino, incorporando de fato áreas de assentamento ao lado israelense e fragmentando o espaço palestino em bolsões isolados.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: a legenda do mapa de 2013 traz "Assentamentos judaicos" representados por pequenos pontos espalhados justamente por dentro da área identificada como "Controle palestino total ou parcial" → mostra que o Estado de Israel ocupa fisicamente terras que, administrativamente, deveriam estar sob autoridade palestina.
- Evidência 2: comparando a mancha do "Estado judeu" em 1947 — concentrada no litoral e no sul — com a extensão de áreas sob presença israelense em 2013, que cerca, penetra e recorta praticamente toda a Cisjordânia → evidencia um processo histórico de avanço territorial contínuo, não de manutenção das fronteiras originais da Partilha.
- Evidência 3: a presença do "Muro" cortando a Cisjordânia e isolando ainda mais os fragmentos de controle palestino → reforça que a organização do espaço obedece a uma lógica de segurança e controle físico do território, e não a elementos religiosos, arqueológicos, petrolíferos ou comerciais.
- Síntese: a leitura comparativa dos dois mapas mostra que, ao longo de mais de sessenta anos, o Estado de Israel ampliou progressivamente sua presença física sobre a Cisjordânia por meio de assentamentos protegidos por muros e vias de acesso exclusivas, tornando cada vez mais fragmentado e inviável um território palestino contíguo. A finalidade central dessa política, revelada pelos próprios mapas, é territorial.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Comparar os dois momentos históricos representados
No mapa de 1947, a Partilha da ONU distribui o território em três categorias bem definidas: Estado judeu, Palestina (Estado árabe) e uma pequena área de controle internacional em torno de Jerusalém (e um pouco de Hebron, ao sul). As manchas são contínuas e relativamente compactas. Já no mapa de 2013, a categoria "Estado" some da legenda e é substituída por "Controle palestino total ou parcial", que aparece como pequenos fragmentos dispersos, cercados por assentamentos judaicos e recortados pelo Muro — um retrato de um território muito mais espremido e descontínuo do que o previsto originalmente.
Subpasso 4.2 — Identificar o padrão geográfico revelado pela comparação
O elemento central da transformação entre os dois mapas não é uma redefinição de fronteiras internacionalmente reconhecidas — é a proliferação de assentamentos dentro da própria Cisjordânia, inclusive em áreas nominalmente sob administração palestina. Cada assentamento, uma vez erguido, passa a contar com moradias, estradas de acesso restrito e infraestrutura de água e energia, o que torna sua desocupação futura politicamente cara e praticamente improvável. Some-se a isso o Muro, que "protege" e conecta esses assentamentos ao território israelense, e o resultado é uma Cisjordânia recortada em ilhas isoladas de controle palestino, cercadas por território de facto israelense.
Subpasso 4.3 — Verificação contra as alternativas
Ao testar as alternativas contra os elementos centrais dos mapas (assentamentos, muro, fragmentação do controle palestino), nota-se que motivações religiosas, arqueológicas, petrolíferas ou comerciais não encontram respaldo cartográfico algum — nenhuma dessas categorias aparece na legenda ou na disposição espacial. O único padrão que explica simultaneamente a multiplicação de pontos de assentamento, a construção do muro e o encolhimento das áreas palestinas é a busca por ampliar e consolidar a posse física do território. Isso confirma que a alternativa correta é a que trata diretamente de posse territorial.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) garantir a posse territorial.
✅ Correta: a multiplicação de assentamentos judaicos dentro da Cisjordânia — protegidos por muros, estradas exclusivas e infraestrutura permanente — consolida na prática a ocupação física do território, mesmo sem reconhecimento internacional dessas anexações. Trata-se da criação de "fatos consumados" que ampliam e garantem o controle israelense sobre a área, dificultando a formação de um Estado palestino contíguo. É exatamente o padrão espacial mostrado pelos dois mapas.
B) promover a conversão religiosa.
❌ Incorreta: os assentamentos não têm como finalidade converter a população palestina — majoritariamente muçulmana e cristã — ao judaísmo. A disputa registrada nos mapas é sobre linhas de controle e ocupação de solo, não sobre proselitismo ou catequização religiosa; a legenda não menciona nenhum elemento de natureza confessional.
C) explorar as reservas petrolíferas.
❌ Incorreta: a Cisjordânia não é historicamente reconhecida por reservas petrolíferas relevantes, e os mapas não trazem qualquer indicação de jazidas, poços ou infraestrutura de exploração de petróleo. A motivação energética simplesmente não está representada na cartografia apresentada.
D) controlar os sítios arqueológicos.
❌ Incorreta: embora Jerusalém e seu entorno tenham inegável valor histórico e arqueológico, os mapas não demarcam ruínas ou sítios patrimoniais — demarcam Estados, assentamentos civis e áreas de controle administrativo/militar. A disputa retratada é territorial e política em escala regional, não pontual sobre monumentos ou escavações.
E) monopolizar o comércio marítimo.
❌ Incorreta: os assentamentos e o Muro concentram-se no interior da Cisjordânia, região sem litoral relevante disputado nos mapas (o Mar Mediterrâneo aparece apenas como referência geográfica externa). Não há qualquer indicação de rotas, portos ou controle de comércio marítimo como elemento central da representação cartográfica.
🏆 Gabarito: A — a comparação entre os mapas de 1947 e 2013 evidencia a expansão contínua de assentamentos judaicos e a fragmentação do território palestino, revelando que o objetivo dessa política é ampliar e garantir a posse territorial israelense sobre a Cisjordânia.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A conecta diretamente a evidência cartográfica — assentamentos, muro e fragmentação das áreas palestinas — ao conceito geopolítico que ela representa: consolidação e ampliação da posse do território.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a Geopolítica do Oriente Médio, sobretudo o conflito Israel-Palestina, por meio de mapas comparativos que exigem do candidato a leitura atenta de legendas e a percepção de mudanças espaciais ao longo do tempo, sem que a resposta esteja escrita no texto de apoio.
- Generalização: sempre que uma questão apresentar mapas comparando fronteiras ou territórios em momentos históricos distintos, o cerne da resposta costuma envolver mudanças na posse, na soberania ou no controle do espaço — priorize alternativas que tratem diretamente de território e ocupação.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que atribuem à disputa motivações "pontuais" (um recurso específico, um monumento, uma crença), quando o mapa mostra fronteiras e áreas administrativas amplas — mapa que "fala de território" pede resposta sobre território, não sobre um elemento isolado dentro dele.
- Conexões: Guerra dos Seis Dias (1967) e ocupação da Cisjordânia, Faixa de Gaza e Colinas de Golã; Acordos de Oslo (1993); Resolução 242 da ONU; disputa pelo status de Jerusalém como capital.
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