Mapa de questões · 1º dia
Questão 4 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia
Englishman in New York
I don't drink coffee I take tea my dear
I like my toast done on one side
And you can hear it in my accent when
I talk I'm an Englishman in New York
See me walking down Fifth Avenue
A walking cane here at my side
I take it everywhere I walk
I'm an Englishman in New York
[…]
I'm an alien, I'm a legal alien
I'm an Englishman in New York
I'm an alien, I'm a legal alien
I'm an Englishman in New York
Modesty, propriety can lead to notoriety
You could end up as the only one
Gentleness, sobriety are rare in this society
At night a candle's brighter than the sun
STING. Nothing Like the Sun. Studio Album. United States: A&M Records, 1987 (fragmento).
Na letra da canção Englishman in New York, a fala do eu lírico evidencia uma atitude de
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da questão
- Matéria: Inglês → Leitura de letra de canção → identidade e estrangeiridade
- Habilidade: H8 — reconhecer a importância da produção cultural em língua inglesa como representação da diversidade cultural e linguística
- Nível: Médio — todas as alternativas soam simpáticas; o trabalho é ver qual delas o texto de fato sustenta, e não qual soa mais generosa
- Gabarito: revelado no Passo 4
🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando
- O comando, em uma linha: que atitude a fala do eu lírico revela.
- Palavras-chave decisivas: a fala do eu lírico, evidencia, atitude.
- A armadilha: o viés do bem. Três alternativas descrevem posturas positivas — exaltar o outro povo, valorizar a diversidade, querer aprender coisas novas — e o candidato tende a marcar a mais bonita. O eu lírico da canção não faz nenhuma das três: ele se descreve como estrangeiro e permanece estrangeiro.
- O que a resposta precisa mostrar: que você lê a atitude a partir do que o texto diz, e não do que seria socialmente desejável dizer.
📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo
- Eu lírico: a voz que fala dentro do poema ou da canção. Não se confunde com o autor. Aqui, essa voz se apresenta como um inglês vivendo em Nova York.
- Alien / legal alien: em inglês, "alien" é o termo administrativo para estrangeiro, e "legal alien" é o estrangeiro com documentação regular. A escolha da palavra é irônica: legalmente ele pode estar ali, mas continua sendo um corpo estranho. O português "alienígena" mostra bem a carga do termo.
- Marcadores de pertencimento: hábitos alimentares, sotaque, objetos pessoais e códigos de comportamento funcionam como assinatura cultural. Numa canção sobre identidade, é neles que a diferença se materializa.
- Diferença entre marcar a diferença e celebrar a diversidade: celebrar exige reconhecer valor no que é do outro. Marcar a diferença é apenas registrar que existe distância — e pode vir acompanhado de crítica ao meio em que se está. Esse é o conceito que separa a alternativa correta do distrator mais forte.
🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado
- Evidência 1: "I don't drink coffee I take tea my dear" ("Eu não bebo café, eu tomo chá, minha querida") → a frase é construída pela negação do hábito local antes da afirmação do próprio. Ele não experimenta o café: recusa-o.
- Evidência 2: "And you can hear it in my accent when I talk / I'm an Englishman in New York" ("E dá para ouvir no meu sotaque quando eu falo / Sou um inglês em Nova York") → o sotaque, que ele não perde, é a marca audível de que continua sendo de fora.
- Evidência 3: "I'm an alien, I'm a legal alien" ("Sou um estrangeiro, sou um estrangeiro legalizado") → repetido no refrão. Ele se nomeia estrangeiro, não novo morador.
- Evidência 4: "Gentleness, sobriety are rare in this society" ("Gentileza, sobriedade são raras nesta sociedade") → julga o meio em que vive, e julga negativamente. Aqui não há admiração pelos costumes locais.
- Evidência 5: "Modesty, propriety can lead to notoriety / You could end up as the only one" ("Modéstia, decoro podem levar à notoriedade / Você pode acabar sendo o único") → manter os próprios valores naquele lugar chama atenção e isola.
- Síntese: o eu lírico conserva integralmente seus hábitos ingleses, se nomeia estrangeiro e avalia mal a sociedade que o cerca. É o retrato de quem não se ajustou.
🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo
4.1 — Separar o que ele afirma do que ele nega
Do lado do que ele mantém: chá em vez de café, torrada tostada de um lado só, sotaque preservado, bengala que leva a toda parte, modéstia, decoro, gentileza, sobriedade.
Do lado do que ele rejeita ou estranha: o café, e uma sociedade em que gentileza e sobriedade são raras.
Não há uma única linha em que ele adote, elogie ou queira aprender algo do lugar onde está.
4.2 — Ler o refrão como definição de posição
"I'm an alien, I'm a legal alien" é a chave. Ele poderia se dizer imigrante, morador, londrino em Nova York. Escolhe "alien" — a palavra que marca a exterioridade — e ainda a qualifica com "legal", como quem diz: estou em ordem com a lei, o que não me torna daqui.
4.3 — Testar a atitude contra o texto
- Exalta os hábitos alheios? Não: critica a sociedade local.
- Valoriza a diversidade? Não: valoriza os próprios costumes e estranha os do lugar.
- Quer aprender coisas novas? O texto não traz nada nessa direção.
- Prefere ficar sozinho? A solidão aparece como consequência ("You could end up as the only one"), não como escolha.
Sobra uma leitura: ele vive em Nova York sem se integrar a Nova York.
4.4 — Verificação
Hábitos preservados, sotaque preservado, autodesignação de estrangeiro e crítica ao meio. As quatro coisas juntas descrevem alguém que não se adaptou à cultura em que está. Gabarito: B.
✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas
❌ (A) exaltação dos hábitos de um outro povo — inverte o sujeito da exaltação. Quem é exaltado na canção é o próprio eu lírico e seu repertório inglês: chá, torrada, bengala, decoro. Sobre o povo do lugar, o que se diz é que ali gentileza e sobriedade são raras — o oposto de elogio.
✅ (B) dificuldade de adaptação à cultura alheia — é o que o texto encena do primeiro verso ao último. Ele nega o hábito local ("I don't drink coffee I take tea"), carrega o sotaque como identidade, se declara "alien" no refrão e avalia negativamente a sociedade que o cerca. Estar legalmente instalado num lugar não é o mesmo que pertencer a ele, e é essa distância que a canção descreve.
❌ (C) valorização da diversidade de costumes — distrator mais forte, porque a canção realmente coloca dois repertórios culturais lado a lado. Mas colocá-los lado a lado não é valorizá-los: valorizar a diversidade exigiria reconhecer mérito no costume do outro, e o eu lírico faz o contrário, afirmando o seu e desqualificando o alheio.
❌ (D) disponibilidade para aprender coisas novas — extrapolação sem apoio textual. Não há um verso em que ele experimente, pergunte, observe ou incorpore qualquer prática local. O movimento da letra é de conservação, não de aprendizado.
❌ (E) predisposição a um comportamento solitário — troca causa por efeito. "You could end up as the only one" apresenta o isolamento como risco de quem mantém modéstia e decoro naquele meio, não como inclinação prévia do eu lírico. Ele não busca a solidão: ela decorre de não se adaptar.
Gabarito: B — o eu lírico preserva integralmente seus hábitos ingleses, se nomeia "legal alien" e critica a sociedade em que vive; é o retrato de quem não se integrou à cultura do lugar.
🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova
- Por que só B se sustenta: as outras quatro exigiriam versos que o texto não tem — elogio ao outro povo, reconhecimento de valor na diferença, gesto de aprendizado ou escolha deliberada pelo isolamento.
- Como o ENEM cobra isso: letras de canção em língua estrangeira aparecem quase sempre para discutir identidade, migração, pertencimento e preconceito. O item pergunta pela atitude do eu lírico, e a resposta nunca é a mais politicamente simpática — é a que os versos sustentam.
- A regra geral: em texto sobre estrangeiridade, procure como o falante se nomeia. "Alien", "outsider", "stranger", "foreigner" definem a posição inteira antes de qualquer outro verso.
- Eliminação em 30 segundos: marque cada alternativa que atribui ao eu lírico uma postura de abertura (exaltar, valorizar, aprender). Se o texto negar hábitos locais logo no primeiro verso, as três caem de uma vez.
- Temas que costumam vir junto: choque cultural, imigração, estereótipo nacional, ironia e o uso de "alien" e "expat" no vocabulário migratório.
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