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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 60ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

Produto do fim da Guerra Fria, a Convenção sobre a Proibição das Armas Químicas (CPAQ) marcou um momento novo das relações internacionais no campo da segurança. Aberta para assinaturas em Paris, em janeiro de 1993, após cerca de duas décadas de negociações na Conferência do Desarmamento em Genebra, a CPAQ entrou em vigor em abril de 1997. Ao abrir a I Conferência dos Estados-Partes na CPAQ, em Haia, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, descreveu o evento como um “momentoso ato de paz”. Disse: “O que vocês fizeram com sua livre vontade foi anunciar a essa e a todas as futuras gerações que as armas químicas são instrumentos que nenhum Estado com algum respeito por si mesmo e nenhum povo com algum senso de dignidade usaria em conflitos domésticos ou internacionais”.

BUSTANI, J. M. A Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas: trajetória futura. Parcerias Estratégicas, n. 9, out. 2000.

O que a Convenção representou para o cenário geopolítico mundial?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Nova Ordem Mundial e regimes internacionais de segurança pós-Guerra Fria
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular o contexto histórico (fim da Guerra Fria) com o efeito prático do tratado, sem que o texto entregue a resposta de forma explícita
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconfiguração da segurança internacional após 1991 e os novos mecanismos multilaterais de controle de armamentos
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A criação da Convenção sobre a Proibição das Armas Químicas (CPAQ) representou qual mudança nas relações internacionais de segurança?"
  • Palavras-chave decisivas: fim da Guerra Fria, proibição das armas químicas, momento novo... no campo da segurança
  • Armadilha típica: confundir o efeito estrutural do tratado (restringir a produção bélica) com o esgotamento geral dos pactos multilaterais (A) ou com o colapso de empresas (E), quando o texto descreve justamente a criação — não a crise — de um novo regime internacional
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que tratados de desarmamento como a CPAQ agem diretamente sobre a capacidade dos Estados de produzir, estocar e usar certo armamento, criando fiscalização internacional sobre essa indústria bélica

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Nova Ordem Mundial: rearranjo geopolítico pós-1991, marcado pelo fim da bipolaridade EUA x URSS e pela multiplicação de acordos multilaterais de segurança.
  • CPAQ: tratado que proíbe desenvolver, produzir, estocar, transferir e usar armas químicas, exigindo destruição dos arsenais sob verificação da OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas).
  • Complexo industrial-militar: indústrias e cadeias produtivas de armamento de um Estado, que cresceram muito durante a corrida armamentista da Guerra Fria.
  • Regimes internacionais de controle de armas: tratados e agências de verificação criados para limitar a proliferação e o uso de certas armas, característicos do período pós-Guerra Fria.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Produto do fim da Guerra Fria" → a CPAQ só se tornou viável quando a disputa bipolar deixou de travar acordos de desarmamento antes impossíveis.
  • Evidência 2: "momento novo das relações internacionais no campo da segurança" → não é um acordo pontual, mas uma mudança de paradigma: a segurança passa a incluir fiscalização sobre a produção bélica dos Estados.
  • Evidência 3: fala de Kofi Annan ("nenhum Estado... usaria em conflitos") → reforça que os Estados-Partes renunciam à fabricação e ao uso desse armamento, o que só é possível restringindo as indústrias que o produzem.
  • Síntese: o texto mostra que a CPAQ cria um regime que limita, via verificação e destruição de estoques, a capacidade produtiva bélica dos Estados — ou seja, impõe restrições ao complexo industrial-militar, não o fim dos pactos, nem o enfraquecimento de blocos regionais ou de agências de inteligência.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Contexto histórico

O texto situa a CPAQ como "produto do fim da Guerra Fria" (assinada em 1993, em vigor desde 1997). Durante a Guerra Fria, a corrida armamentista entre EUA e URSS estimulou o desenvolvimento de armas químicas, biológicas e nucleares como parte da lógica de dissuasão. Com o fim da bipolaridade, abriu-se espaço político para tratados multilaterais de desarmamento — traço típico da Nova Ordem Mundial.

Subpasso 4.2 — O que a Convenção faz na prática

A CPAQ cria obrigações concretas: proíbe desenvolver, produzir, estocar e usar armas químicas e exige destruição verificável dos arsenais, sob supervisão da OPAQ. Isso atinge diretamente a cadeia produtiva bélica dos Estados — fábricas, laboratórios e estoques ligados a esse tipo de arma passam a ser fiscalizados e restringidos por um regime internacional. É exatamente o complexo industrial-militar que sofre essa restrição.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com as alternativas, só a opção que fala em "restrição aos complexos industriais militares" traduz com precisão o efeito da CPAQ: limitar a produção e a estocagem bélica por fiscalização internacional. As demais descrevem efeitos que o texto não sustenta.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) Esgotamento dos pactos bélicos multilaterais.

❌ Incorreta: o texto mostra o oposto — o fim da Guerra Fria impulsionou a multiplicação de tratados multilaterais de segurança (como a própria CPAQ), não o esgotamento deles.

B) Restrição aos complexos industriais militares.

✅ Correta: a CPAQ proíbe desenvolvimento, produção e estocagem de armas químicas, com verificação internacional e destruição de arsenais — restrição direta à capacidade produtiva do complexo industrial-militar, o "momento novo" da segurança internacional descrito no texto.

C) Enfraquecimento de blocos políticos regionais.

❌ Incorreta: o texto não trata de blocos regionais (OTAN, uniões regionais), mas de um regime multilateral global que reúne Estados de diferentes blocos em torno de um mesmo compromisso.

D) Cerceamento às agências de inteligência estatal.

❌ Incorreta: a CPAQ regula armamentos e sua produção, não atividades de inteligência; não há qualquer menção a limitações sobre serviços de inteligência no texto.

E) Desestabilização das empresas produtoras de munições.

❌ Incorreta: "munições" (projéteis convencionais) é categoria distinta de "armas químicas" (agentes tóxicos), objeto específico da CPAQ; além disso, o texto descreve restrição regulatória por tratado, não "desestabilização" financeira de empresas.

🏆 Gabarito: B — a CPAQ cria um regime internacional de verificação e proibição que restringe diretamente a produção, o estoque e o uso de armas químicas, atingindo o complexo industrial-militar responsável por esse armamento.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve o efeito estrutural da CPAQ — limites verificáveis à produção bélica —, enquanto as demais tratam de esferas que o texto não aborda ou contraria.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre o fim da Guerra Fria e a Nova Ordem Mundial para testar se o estudante entende que esse período foi marcado pela expansão de regimes multilaterais de segurança, não pelo seu enfraquecimento.
  • Generalização: sempre que um texto descrever um tratado de desarmamento, associe-o à restrição/regulação da capacidade produtiva bélica dos Estados — esse é o efeito mais direto desse tipo de acordo.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que contradizem o tom "positivo" do texto (esgotamento, enfraquecimento) e as que citam atores não mencionados (inteligência, blocos regionais); sobra a alternativa que fala em restrição/controle da produção bélica.
  • Conexões: compare com o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) e com o conceito de "Nova Ordem Mundial" difundido no início dos anos 1990.

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