Mapa de questões · 1º dia
Questão 78 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia
Estima-se que no Brasil mais de 20% da população tenha algum tipo de dificuldade de locomoção, seja por deficiência física, motora, sensorial ou mesmo por uma condição específica transitória. Para que essa parcela da população exerça plenamente o seu direito constitucional de ir e vir, os sistemas de transporte têm de apresentar características adequadas de acessibilidade, dentro dos conceitos do desenho universal.
IPEA. Políticas de melhoria das condições de acessibilidade do transporte urbano no Brasil.
Rio de Janeiro: Ipea, 2015.
No meio urbano, o atendimento da proposta de inclusão social apresentada no texto demanda um conjunto de intervenções técnicas que promovam o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Mobilidade urbana, planejamento das cidades e acessibilidade
- ⚡ Nível: Fácil — a resposta correta pode ser deduzida por leitura atenta e interpretação direta do texto motivador, sem exigir dados externos
- 🎯 Tema/Habilidade: Acessibilidade urbana e desenho universal como instrumentos de inclusão social no planejamento das cidades
- 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Que tipo de intervenção urbana concretiza, na prática, a inclusão das pessoas com dificuldade de locomoção mencionada no texto?"
- Palavras-chave decisivas: acessibilidade, desenho universal, inclusão social
- Armadilha típica: confundir "qualquer melhoria de infraestrutura urbana" com "solução de inclusão social". Alargar rodovias, monitorar fluxos ou expandir comunicação são intervenções urbanas legítimas, mas não respondem especificamente ao problema de acessibilidade de quem tem dificuldade de locomoção.
- O que a resposta precisa demonstrar: a alternativa correta deve expressar um princípio de uso igualitário do espaço urbano por toda a população, coerente com a lógica do desenho universal — que não segrega usuários, mas amplia o acesso de todos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Desenho universal: conceito de planejamento urbano e arquitetônico que projeta ambientes, produtos e sistemas para serem utilizáveis por todas as pessoas, na maior extensão possível, sem necessidade de adaptação posterior ou de soluções especializadas isoladas — rampas, pisos táteis, elevadores e sinalização sonora beneficiam não só a pessoa com deficiência, mas idosos, gestantes e pessoas com mobilidade reduzida temporária.
- Acessibilidade urbana: conjunto de condições físicas, sensoriais e de comunicação que garantem autonomia e segurança de deslocamento a todos os cidadãos nas ruas, calçadas, praças e sistemas de transporte público.
- Direito à cidade: noção de que o espaço urbano é um bem coletivo e deve ser apropriado de forma equânime por todos os grupos sociais, e não organizado em função de apenas uma parcela da população (por exemplo, quem se desloca de automóvel).
- Segregação socioespacial: fenômeno oposto ao desenho universal, no qual o planejamento urbano privilegia certos grupos e exclui outros do uso pleno do espaço público — é justamente essa lógica que a política de acessibilidade busca reverter.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "mais de 20% da população tenha algum tipo de dificuldade de locomoção" → mostra que o problema é estrutural e de larga escala, e não uma exceção pontual, exigindo resposta sistêmica de planejamento urbano, e não soluções isoladas.
- Evidência 2: "direito constitucional de ir e vir" → posiciona a acessibilidade como direito fundamental de cidadania, não como concessão facultativa ou benefício assistencial.
- Evidência 3: "dentro dos conceitos do desenho universal" → indica que a intervenção correta precisa beneficiar o uso do espaço por todos os usuários simultaneamente, e não apenas resolver um problema técnico isolado de fluxo de veículos ou de comunicação.
- Síntese: o texto conecta direito de ir e vir + desenho universal + inclusão social. A alternativa correta precisa expressar essa tríade em uma única ideia-síntese: o uso democrático e igualitário do espaço público por toda a população, e não uma solução setorial de engenharia viária, segurança ou telecomunicações.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o objetivo central da política pública citada
O texto do IPEA trata da acessibilidade no transporte urbano como instrumento de inclusão social de pessoas com dificuldade de locomoção. A pergunta pede qual conjunto de intervenções técnicas, no meio urbano, atende a essa proposta de inclusão. Isso já permite eliminar, por incompatibilidade temática, alternativas que tratam de assuntos distintos do foco do texto: expansão habitacional periférica, engenharia viária voltada a veículos motorizados, segurança/controle de deslocamento e infraestrutura de telecomunicações.
Subpasso 4.2 — Aplicar o conceito de desenho universal ao espaço urbano
Desenho universal significa projetar o espaço público — calçadas rebaixadas, rampas, piso tátil, sinalização sonora, ônibus com elevador, faixas de pedestres com tempo adequado — de modo que ele sirva a todas as pessoas em condições de igualdade, e não apenas a quem já tem plena mobilidade. Isso caracteriza, em termos conceituais, uma democratização do espaço público: o mesmo espaço passa a ser acessível a todos, sem que um grupo (por exemplo, pedestres sem deficiência ou motoristas) tenha vantagem estrutural sobre outro (pessoas com deficiência, idosos, gestantes).
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando a síntese obtida com as cinco alternativas, apenas a expressão "democratização do espaço público" sintetiza corretamente o efeito da promoção da acessibilidade universal: abrir igualmente o uso das ruas, calçadas e sistemas de transporte a toda a população, cumprindo o direito constitucional de ir e vir citado no texto motivador. As demais alternativas descrevem processos urbanos reais, mas que não correspondem ao que o texto define como solução de inclusão pelo desenho universal.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ocupação de áreas periféricas.
❌ Incorreta: refere-se à expansão da mancha urbana e à ocupação de terrenos nas bordas da cidade, tema de expansão habitacional/urbanização, sem relação direta com acessibilidade para pessoas com dificuldade de locomoção — pelo contrário, áreas periféricas costumam concentrar déficit de infraestrutura acessível.
B) democratização do espaço público.
✅ Correta: expressa exatamente o efeito buscado pelo desenho universal — tornar ruas, calçadas e sistemas de transporte utilizáveis por toda a população em condições de igualdade, concretizando o direito constitucional de ir e vir mencionado no texto.
C) alargamento da malha de rodovias.
❌ Incorreta: essa intervenção amplia a capacidade viária para veículos motorizados, priorizando o tráfego de automóveis; não garante, por si só, acessibilidade a pedestres com dificuldade de locomoção e pode até ampliar barreiras físicas (vias mais largas dificultam a travessia segura).
D) monitoramento de fluxos populacionais.
❌ Incorreta: trata de controle e vigilância de deslocamentos (por exemplo, para gestão de tráfego ou segurança pública), e não de garantir o acesso físico ao espaço urbano para quem tem dificuldade de locomoção.
E) expansão de sistemas de comunicação.
❌ Incorreta: refere-se à ampliação de redes de telecomunicações, um tema de infraestrutura de informação, desconectado do problema de mobilidade física tratado no texto.
🏆 Gabarito: B — a democratização do espaço público é a única alternativa que traduz, em termos conceituais, o objetivo do desenho universal citado no texto: garantir que todas as pessoas, independentemente de sua condição de locomoção, tenham acesso igualitário às ruas, calçadas e sistemas de transporte.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a letra B conecta diretamente acessibilidade, desenho universal e direito de ir e vir a um princípio de uso igualitário do espaço urbano; as demais alternativas tratam de temas urbanos correlatos, mas fora do escopo específico da inclusão por acessibilidade.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra, em Geografia e temas de cidadania, questões sobre mobilidade urbana, acessibilidade, direito à cidade e planejamento inclusivo, sempre a partir de textos de órgãos como IPEA, IBGE ou legislação (Estatuto da Cidade, Lei Brasileira de Inclusão).
- Generalização: em questões sobre políticas urbanas de inclusão, a alternativa correta costuma ser a que expressa um princípio de igualdade no uso do espaço coletivo, e não uma solução técnica setorial (viária, de comunicação ou de segurança) que apenas parece relacionada ao tema.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato alternativas que tratam de assuntos fora do campo semântico do texto motivador — aqui, comunicação (E) e monitoramento populacional (D) não têm relação com mobilidade física, e ocupação periférica (A) trata de habitação, não de acessibilidade.
- Conexões: o tema dialoga com Estatuto da Cidade, direito à cidade (Henri Lefebvre/David Harvey) e políticas de mobilidade urbana sustentável, frequentes em questões de Geografia urbana do ENEM.
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