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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaFácil

Questão 77ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

O consumo da habitação, em especial aquela dotada de atributos especiais no espaço urbano, contribui para o entendimento do fenômeno, pois certas áreas tornam-se alvos de operações comerciais de prestígio com a produção e/ou a renovação de construções, diferente de outras porções da cidade, dotadas de menor infraestrutura.

SANTOS, A. R. O consumo da habitação de luxo no espaço urbano parisiense. Confins, n. 23, 2015 (adaptado).

O conceito que define o processo descrito denomina-se

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Espaço urbano e dinâmicas imobiliárias
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto descreve de forma direta um processo já nomeado por vocabulário geográfico consagrado, sem exigir cálculos ou dados estatísticos.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Produção do espaço urbano e desigualdade socioespacial (competência de área de Ciências Humanas: compreender a dinâmica da urbanização e suas contradições)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Como se chama o processo em que certas áreas urbanas viram alvo de investimento imobiliário de luxo, valorizando-se e destoando de outras regiões com menos infraestrutura?"
  • Palavras-chave decisivas: habitação de luxo, operações comerciais de prestígio, renovação de construções
  • Armadilha típica: confundir o processo com "conurbação metropolitana" (que é fusão física entre cidades vizinhas, não valorização de imóveis) ou tentar enquadrá-lo como "paisagem natural", ignorando que o texto trata de um fenômeno econômico e social, não físico-natural.
  • O que a resposta precisa demonstrar: identificar que o texto descreve a valorização diferencial do solo urbano motivada pelo mercado imobiliário, não um conceito cartográfico, administrativo ou ambiental.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Especulação imobiliária: processo pelo qual agentes do mercado (construtoras, incorporadoras, investidores) direcionam capital para determinadas áreas da cidade, promovendo construção, reforma ou "gentrificação" de bairros, o que eleva o preço da terra e dos imóveis, muitas vezes excluindo moradores de renda mais baixa.
  • Segregação socioespacial: consequência direta da especulação — a cidade se fragmenta entre áreas valorizadas (infraestrutura completa, status, segurança) e áreas negligenciadas pelo poder público e pelo capital.
  • Renovação urbana (ou "gentrificação"): intervenção física e simbólica em bairros antigos ou populares para atrair moradores e investidores de alto poder aquisitivo, alterando o uso e o valor do solo.
  • Conceitos-distratores (para comparação): escala cartográfica (relação matemática entre mapa e realidade), conurbação (fusão espacial entre cidades), território nacional (delimitação político-jurídica de um Estado) e paisagem natural (componentes físicos sem intervenção humana) — nenhum desses trata de valorização econômica do solo urbano.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "consumo da habitação, em especial aquela dotada de atributos especiais" → indica que o texto fala de imóveis diferenciados, alvo de desejo e disputa no mercado, não de moradia genérica.
  • Evidência 2: "certas áreas tornam-se alvos de operações comerciais de prestígio com a produção e/ou a renovação de construções" → descreve exatamente o mecanismo da especulação imobiliária: investimento seletivo que transforma bairros em produtos de luxo.
  • Evidência 3: "diferente de outras porções da cidade, dotadas de menor infraestrutura" → evidencia o resultado da especulação, a segregação socioespacial, com áreas valorizadas convivendo com áreas desprovidas de investimento.
  • Síntese: o texto de Santos (2015), sobre o consumo da habitação de luxo em Paris, narra o clássico ciclo da especulação imobiliária — capital se concentra em pontos estratégicos da cidade, eleva seu valor simbólico e monetário e aprofunda a desigualdade entre bairros ricos e pobres.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno central do texto

O trecho fala de "consumo da habitação" ligado a "atributos especiais" e a "operações comerciais de prestígio". Esses termos remetem diretamente à lógica do mercado imobiliário: bairros são escolhidos por incorporadoras e investidores para receber empreendimentos de alto padrão, o que faz o preço da terra e dos imóveis dispararem. Esse mecanismo — investir seletivamente em certas áreas para gerar valorização e lucro — é a definição clássica de especulação imobiliária.

Subpasso 4.2 — Conectar a causa (investimento seletivo) ao efeito (desigualdade espacial)

O enunciado completa o raciocínio ao contrapor essas áreas de prestígio a "outras porções da cidade, dotadas de menor infraestrutura". Isso reforça que o fenômeno não é neutro: ele produz e aprofunda desigualdades no espaço urbano, concentrando serviços, segurança e valorização em pontos específicos enquanto outras regiões ficam à margem do investimento público e privado. Essa é justamente a marca registrada da especulação imobiliária nas cidades capitalistas contemporâneas, tema recorrente em estudos sobre Paris, mas plenamente aplicável às metrópoles brasileiras (como os processos de valorização em bairros como Vila Madalena, em São Paulo, ou Leblon, no Rio de Janeiro).

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando o processo identificado — investimento seletivo em áreas "de prestígio", renovação de construções e desigualdade de infraestrutura entre bairros — com as cinco alternativas, apenas o termo "especulação imobiliária" sintetiza com precisão esse conjunto de características. Os demais conceitos (escala cartográfica, conurbação, território nacional, paisagem natural) pertencem a outros campos da Geografia e não descrevem esse fenômeno socioeconômico. A resposta está confirmada na alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) escala cartográfica.

❌ Incorreta: escala cartográfica é a relação matemática entre a distância representada no mapa e a distância real no terreno; é um conceito de representação gráfica do espaço, sem qualquer relação com valorização imobiliária ou dinâmica de mercado.

B) conurbação metropolitana.

❌ Incorreta: conurbação é o processo de fusão física entre duas ou mais cidades que crescem até seus tecidos urbanos se tocarem, formando uma mancha urbana contínua (como ocorre na Grande São Paulo). O texto não menciona expansão física entre municípios, e sim valorização diferencial de bairros dentro de uma mesma cidade.

C) território nacional.

❌ Incorreta: território nacional refere-se ao espaço delimitado pela soberania de um Estado, incluindo suas fronteiras políticas. O enunciado trata de uma escala intraurbana (bairros de uma cidade), muito mais restrita e específica do que a escala nacional.

D) especulação imobiliária.

✅ Correta: o texto descreve com precisão o mecanismo da especulação imobiliária — capital direcionado a áreas "de prestígio" via produção e renovação de construções, valorizando certos espaços em detrimento de outros com menor infraestrutura. É exatamente essa lógica de mercado que gera consumo diferenciado da habitação e reforça desigualdades no espaço urbano.

E) paisagem natural.

❌ Incorreta: paisagem natural remete aos elementos físicos do ambiente (relevo, vegetação, hidrografia) sem intervenção humana significativa. O texto trata do oposto: um espaço profundamente moldado por interesses econômicos e imobiliários, ou seja, uma paisagem urbana socialmente produzida.

🏆 Gabarito: D — o processo descrito é a especulação imobiliária, mecanismo pelo qual o mercado direciona investimentos para valorizar seletivamente áreas urbanas, aprofundando a desigualdade entre bairros de prestígio e regiões com menor infraestrutura.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas "especulação imobiliária" explica simultaneamente a valorização seletiva de áreas ("atributos especiais", "operações comerciais de prestígio") e a desigualdade resultante entre porções da cidade — nenhum outro conceito das alternativas trata de dinâmica de mercado no espaço urbano.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos sobre segregação socioespacial, gentrificação e verticalização para testar se o estudante reconhece a lógica do capital imobiliário na produção desigual das cidades, muitas vezes usando exemplos de metrópoles estrangeiras (Paris, Nova York) para exigir transposição de conceito para a realidade brasileira.
  • Generalização: sempre que um texto mencionar valorização de bairros, renovação urbana, investimento seletivo em construções e contraste com áreas "menos infraestruturadas", pense automaticamente em especulação imobiliária e/ou segregação socioespacial.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara conceitos "técnicos" de outras naturezas — escala cartográfica (matemática/representação) e paisagem natural (elementos físicos) não tratam de fenômenos sociais; conurbação e território nacional tratam de escalas espaciais diferentes (entre cidades ou entre países), não de disputa por valorização dentro de uma mesma cidade.
  • Conexões: o tema dialoga diretamente com "gentrificação", "segregação socioespacial" e "direito à cidade" (Henri Lefebvre), conceitos frequentemente cobrados em conjunto nas questões de urbanização do ENEM.

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