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Questão 35ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

Há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. O jogo de tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como bolha de sabão. O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha, sempre perde.

Já no frescobol é diferente. O sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois sabe-se que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. Assim cresce o amor. Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

ALVES, R. Tênis X Frescobol. As melhores crônicas de Rubem Alves. Campinas: Papirus, 2012.

O texto de Rubem Alves faz uma analogia entre dois jogos que utilizam raquetes e as diferentes formas de as pessoas se relacionarem afetivamente, de modo que

Alternativas

Resolução

📋 Ficha da questão

  • Matéria: Português → leitura de crônica → analogia como recurso de construção do texto
  • Habilidade: H16 — relacionar informações sobre concepções artísticas e procedimentos de construção do texto literário
  • Nível: Fácil — o texto separa os dois jogos em dois parágrafos e diz o que cada um significa; o trabalho é não trocar um pelo outro na hora de ler as alternativas
  • Gabarito: revelado no Passo 4

🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando

  • O comando, em uma linha: o que cada um dos dois jogos representa na analogia que Rubem Alves constrói sobre relacionamentos.
  • Palavras-chave decisivas: analogia, dois jogos que utilizam raquetes, diferentes formas de as pessoas se relacionarem afetivamente.
  • A armadilha: a inversão. Quatro das cinco alternativas trocam de lugar o tênis e o frescobol, ou trocam competição por cooperação. Quem lê rápido guarda "um jogo é bom e o outro é ruim" sem fixar qual é qual, e cai.
  • O que a resposta precisa mostrar: que você associa cada jogo ao seu par correto — jogo, atitude e efeito sobre o sonho do outro — sem inverter nenhum dos três.

📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo

  • Analogia: recurso em que se explica uma realidade abstrata (a relação afetiva) por meio de outra concreta e familiar (o jogo de raquete). Para funcionar, cada elemento do jogo precisa corresponder a um elemento da relação — e é essa correspondência que a questão cobra.
  • Tênis: esporte de oposição. Os jogadores estão em campos separados e cada ponto de um é a perda do outro. Na crônica, representa a relação em que se disputa razão.
  • Frescobol: jogo de praia sem adversário e sem placar. Os dois batem para manter a bola no ar; se ela cai, os dois perdem. Na crônica, representa a relação em que se sustenta o sonho do outro.
  • Jogo de soma zero e jogo cooperativo: no primeiro, o ganho de um é exatamente a perda do outro. No segundo, os resultados dos dois andam juntos. A crônica descreve os dois modelos e escolhe um.
  • Paradoxo: afirmação que reúne termos aparentemente incompatíveis. "Aqui, quem ganha, sempre perde" e "Ninguém ganha para que os dois ganhem" são os dois paradoxos que fecham cada parágrafo, e são a chave de leitura de cada jogo.

🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado

  • Evidência 1: "O jogo de tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo como bolha de sabão" → no tênis, o sonho alheio é alvo. Atitude destrutiva, explícita.
  • Evidência 2: "O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha, sempre perde" → a vitória no tênis é individual e o custo é a relação. Competição, e competição que empobrece os dois.
  • Evidência 3: "Já no frescobol é diferente. O sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois sabe-se que, se é sonho, é coisa delicada, do coração" → no frescobol, o sonho alheio é objeto de cuidado. Atitude preservadora.
  • Evidência 4: "Assim cresce o amor. Ninguém ganha para que os dois ganhem" → não há disputa, e o resultado é comum. Cooperação, escrita sem o termo técnico.
  • Síntese: tênis é competição e destruição do sonho do outro; frescobol é cooperação e preservação do sonho do outro. A crônica alinha os dois pares e não os mistura em nenhum momento.

🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo

4.1 — Montar a correspondência da analogia

A crônica organiza quatro elementos por jogo. Vale escrevê-los antes de olhar as alternativas:

  • Tênis → campos separados → busca ter razão → destrói o sonho do outro → resultado: distanciamento.
  • Frescobol → mesmo lado → busca manter a bola no ar → preserva o sonho do outro → resultado: o amor cresce.

4.2 — Testar cada alternativa pelo par jogo + atitude

Só duas combinações são verdadeiras: tênis com competição e frescobol com cooperação. Qualquer alternativa que diga "tênis, cooperação" ou "frescobol, competição" está eliminada antes mesmo da segunda metade da frase.

4.3 — Testar a segunda metade das que sobrarem

Não basta acertar o par. A alternativa precisa também acertar o que aquilo simboliza na relação. Uma alternativa pode começar certa e terminar errada, e é assim que o item separa quem leu com atenção de quem leu pela metade: no tênis, o que existe não é sonho comum, é sonho destruído.

4.4 — Verificação

A alternativa correta precisa reunir três acertos simultâneos: identificar o frescobol como jogo cooperativo, ler cooperação como preservação e ligar isso ao compartilhamento de sonhos entre as pessoas. Uma única opção fecha as três. Gabarito: C.

✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas

(A) o tênis indica um jogo em que a cooperação predomina, o que representa o distanciamento na relação entre as pessoas — Inversão de atributo. A segunda parte está certa — o texto de fato liga o tênis ao distanciamento, "o que se ganha é o distanciamento" —, mas a primeira troca competição por cooperação. No tênis da crônica se recebe o sonho do outro "para destruí-lo", o que é o oposto de cooperar. Meio acerto não resolve: a alternativa precisa estar inteira correta.

(B) o tênis indica um jogo em que a competição é predominante, o que representa um sonho comum no relacionamento entre pessoas — Começa certo e termina errado. Competição é mesmo o traço do tênis. Mas "sonho comum" descreve o frescobol, onde o sonho é preservado pelos dois. No tênis não há sonho compartilhado — há um sonho apresentado e outro que o arrebenta "como bolha de sabão".

(C) o frescobol indica um jogo em que a cooperação prevalece, o que simboliza o compartilhamento de sonhos entre as pessoas no relacionamento — Acerta o jogo, a atitude e o significado. O texto define o frescobol pela preservação, "o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado", e pela ausência de disputa, "Ninguém ganha para que os dois ganhem". Cooperar aqui é sustentar o sonho alheio junto com o próprio, que é exatamente o compartilhamento descrito na alternativa.

(D) o frescobol indica um jogo em que a competição prevalece, o que simboliza um relacionamento em que uma pessoa busca destruir o sonho da outra — Troca de sujeito completa. Tudo o que a alternativa afirma está no texto, mas atribuído ao tênis: é lá que se busca ter razão e que o sonho é arrebentado. A crônica abre o segundo parágrafo com "Já no frescobol é diferente" justamente para impedir essa transferência.

(E) o frescobol e o tênis indicam, respectivamente, situações de competição e cooperação, o que ilustra os diferentes sonhos das pessoas no relacionamento — Inverte os dois de uma vez e ainda erra a conclusão. A crônica não trata de as pessoas terem sonhos diferentes; trata de o que cada uma faz com o sonho da outra — destruir ou preservar. O objeto da analogia é a atitude, não a diversidade de sonhos.

Gabarito: C — o frescobol é o jogo cooperativo da analogia, e representa a relação em que os dois preservam e compartilham o sonho um do outro.

🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova

  • Por que só C se sustenta: A, D e E invertem o par jogo/atitude; B acerta o par e erra o significado. C é a única em que jogo, atitude e simbolismo batem ao mesmo tempo com o texto.
  • Como o ENEM cobra isso: em crônica que compara duas coisas, a prova monta as alternativas trocando os polos de lugar. É o mesmo desenho de questão usado com Rubem Alves, Luis Fernando Verissimo e Clarice Lispector.
  • A regra geral: em texto que opõe dois termos, escreva os dois pares na margem da prova antes de ler as alternativas. Trinta segundos gastos ali evitam a inversão, que é o erro mais comum e o mais fácil de cometer.
  • Eliminação em 30 segundos: procure "cooperação" ligada a "tênis" e "competição" ligada a "frescobol". Toda alternativa com um desses pares cai de imediato — aqui caem três. Nas duas restantes, confira só a segunda metade.
  • Temas que costumam vir junto: analogia e metáfora como recursos de construção, paradoxo, e a leitura de crônicas que discutem relações afetivas e convivência.

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