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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensEducação FísicaMédio

Questão 32ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

O debate sobre o conceito de saúde refere-se à importância de minimizar a simplificação que abrange o entendimento do senso comum sobre esse fenômeno. É possível entendê-lo de modo reducionista, tão somente, à luz dos pressupostos biológicos e das associações estatísticas presentes nos estudos epidemiológicos. Os problemas que daí decorrem são: a) o foco centra-se na doença; b) a culpabilização do indivíduo frente à sua própria doença; c) a crença na possibilidade de resolução do problema encerrando-se uma suposta causa, a qual recai no processo de medicalização; d) a naturalização da doença; e) o ceticismo em relação à contribuição de diferentes saberes para auxiliar na compreensão dos fenômenos relacionados à saúde. BAGRICHEVSKY, M. et al. Considerações teóricas acerca das questões relacionadas à promoção da saúde. In: BAGRICHEVSKY, M.; PALMA, A.; ESTEVÃO, A. (Org.). A saúde em debate na educação física. Blumenau: Edibes, 2003.

O texto apresenta uma reflexão crítica sobre o conceito de saúde, que deve ser entendida mediante

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Educação Física → Conceito ampliado de saúde e modelo biopsicossocial
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular o texto argumentativo a um conceito teórico (determinantes sociais da saúde) que vai além da leitura literal
  • 🎯 Tema/Habilidade: Superação da visão biomédica/reducionista de saúde; competência de leitura e interpretação de texto argumentativo acadêmico
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Segundo o texto, o que precisa ser incorporado à ideia de saúde para superar a visão reducionista centrada apenas na biologia e na epidemiologia?"
  • Palavras-chave decisivas: reducionista, pressupostos biológicos, diferentes saberes
  • Armadilha típica: o candidato acha que a solução é "mais medicina" ou "mais dados estatísticos" — exatamente o oposto do que o texto denuncia como problema
  • O que a resposta precisa demonstrar: que superar o reducionismo biológico exige abrir a compreensão de saúde para fatores que extrapolam o corpo e a doença — ou seja, fatores sociais, políticos e econômicos

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Modelo biomédico de saúde: entende saúde apenas como ausência de doença, explicada por causas biológicas e mensurada por estatísticas epidemiológicas; é o alvo da crítica do texto.
  • Medicalização: processo de tratar problemas de ordem social ou existencial como se fossem exclusivamente questões médicas, resolvíveis com intervenção clínica pontual.
  • Determinantes sociais da saúde: conceito (adotado pela OMS e por autores da saúde coletiva/Educação Física) segundo o qual condições de vida, trabalho, renda, educação, meio ambiente e políticas públicas afetam diretamente o adoecimento e o bem-estar da população.
  • Interdisciplinaridade na saúde: ideia de que nenhuma área isolada (nem só a biologia) dá conta de explicar um fenômeno tão complexo quanto a saúde; é preciso diálogo entre diferentes saberes (sociologia, economia, política, educação).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "É possível entendê-lo de modo reducionista, tão somente, à luz dos pressupostos biológicos e das associações estatísticas presentes nos estudos epidemiológicos" → o texto define exatamente qual é o erro: reduzir saúde a biologia + estatística, ignorando outras dimensões.
  • Evidência 2: "o ceticismo em relação à contribuição de diferentes saberes para auxiliar na compreensão dos fenômenos relacionados à saúde" → o último problema listado (item "e") já aponta a lacuna central: falta reconhecer que outros saberes — inclusive os que tratam do social, do político e do econômico — são necessários para compreender a saúde.
  • Síntese: o texto constrói, do início ao fim, uma crítica de que a saúde não pode ser explicada só pelo corpo biológico isolado; a lista de problemas (foco na doença, culpabilização do indivíduo, medicalização, naturalização, ceticismo quanto a outros saberes) converge para a mesma conclusão: é preciso ampliar o olhar para dimensões sociais, políticas e econômicas que também produzem saúde ou doença.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o problema central do texto

O texto de Bagrichevsky e colaboradores critica a concepção reducionista de saúde, aquela presa "tão somente" aos pressupostos biológicos e às associações estatísticas dos estudos epidemiológicos. Essa visão trata a saúde como um fenômeno estritamente orgânico, medido por indicadores clínicos e taxas de doença, desconsiderando que o processo de adoecer e de se manter saudável também depende de como as pessoas vivem, trabalham e são tratadas pelo Estado e pela sociedade.

Subpasso 4.2 — Conectar os cinco problemas listados a uma causa comum

Cada um dos cinco problemas apontados no texto — foco na doença, culpabilização do indivíduo, medicalização, naturalização da doença e ceticismo quanto a outros saberes — decorre do mesmo vício de origem: pensar a saúde apenas pelo viés biológico-estatístico. Ao ignorar, por exemplo, as condições de moradia, renda, acesso à educação e políticas públicas de um indivíduo, a explicação reducionista acaba culpando a pessoa por sua própria doença (item b) e tratando cada caso como algo que se resolve isolando "uma causa" (item c), em vez de reconhecer causas estruturais mais amplas.

Subpasso 4.3 — Verificação: o que falta para superar o reducionismo?

Se o problema é reduzir a saúde à biologia e à estatística, a superação lógica é justamente ampliar essa compreensão para os fenômenos que ficaram de fora: os sociais (condições de vida e trabalho), os políticos (políticas públicas, acesso a direitos) e os econômicos (renda, desigualdade). Essa é precisamente a leitura defendida por autores da saúde coletiva e da Educação Física que criticam o modelo biomédico — e é isso que a alternativa E enuncia com precisão: "compreensão dos fenômenos sociais, políticos e econômicos relacionados à saúde".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) dados estatísticos presentes em estudos epidemiológicos.

❌ Incorreta: essa é justamente uma das bases da visão reducionista que o texto critica ("associações estatísticas presentes nos estudos epidemiológicos"). Reafirmar os dados estatísticos não resolve o problema — é parte dele.

B) pressupostos relacionados à ausência de doenças nos indivíduos.

❌ Incorreta: entender saúde como "ausência de doença" é exatamente a definição biomédica estreita que o texto quer superar; manter esse foco reforça o problema apontado no item "a" da lista (foco centrado na doença), não o resolve.

C) responsabilização dos indivíduos pela adoção de hábitos saudáveis.

❌ Incorreta: essa alternativa reproduz o problema descrito no item "b" do texto — a culpabilização do indivíduo por sua própria condição de saúde —, que é justamente uma das consequências negativas da visão reducionista, não a solução para ela.

D) intervenção da medicina nos diferentes processos que acometem a saúde.

❌ Incorreta: ampliar a intervenção médica é, segundo o texto, alimentar o processo de medicalização (item "c"), tratando como problema clínico algo que muitas vezes tem raízes sociais, políticas e econômicas. É o caminho oposto ao proposto pelo texto.

E) compreensão dos fenômenos sociais, políticos e econômicos relacionados à saúde.

✅ Correta: essa é exatamente a dimensão ausente na visão reducionista denunciada pelo texto. Ao reconhecer que saúde também é produzida (ou destruída) por condições sociais, decisões políticas e fatores econômicos, supera-se o ceticismo em relação a "diferentes saberes" citado no item "e" do texto e se rompe com a explicação exclusivamente biológico-estatística.

🏆 Gabarito: E — o texto denuncia a redução da saúde a pressupostos biológicos e estatísticos; a única alternativa que amplia essa compreensão para além do corpo e da doença, incorporando fatores sociais, políticos e econômicos, é a E.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa E é a única que inverte a lógica reducionista criticada no texto, propondo justamente o que falta: olhar para fatores sociais, políticos e econômicos, e não apenas para o corpo biológico e as estatísticas.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz textos da área de saúde coletiva e Educação Física que criticam o "modelo biomédico" e defendem o conceito ampliado de saúde (em linha com definições da OMS e com os determinantes sociais da saúde).
  • Generalização: em textos argumentativos que listam "problemas" de uma visão estreita, a alternativa correta costuma ser a que nega/inverte exatamente o que foi apontado como falha — ou seja, apresenta o oposto do reducionismo criticado.
  • Dica de eliminação rápida: descarte de cara qualquer alternativa que repita os próprios elementos criticados no texto (estatística, ausência de doença, culpa do indivíduo, intervenção médica) — elas são "armadilhas de eco", que retomam o problema em vez de resolvê-lo.
  • Conexões: esse tema dialoga com "determinantes sociais da saúde" (Geografia/Sociologia) e com a crítica ao modelo biomédico tradicional, temas recorrentes em textos de Educação Física e Ciências Humanas no ENEM.

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