Mapa de questões · 1º dia
Questão 70 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia
A Regência iria enfrentar uma série de rebeliões nas províncias, marcadas pela reação das elites locais contra o centralismo monárquico levado a efeito pelos interesses dos setores ligados ao café da Corte, como a Cabanagem, no Pará, a Balaiada, no Maranhão, e a Sabinada, na Bahia. Mas, de todas elas, a Revolução Farroupilha era aquela que mais preocuparia, não só pela sua longa duração como pela sua situação fronteiriça da província do Rio Grande, tradicionalmente a garantidora dos limites e dos interesses antes lusitanos e agora nacionais do Prata.
PESAVENTO, S. J. Farrapos com a faca na bota. In: FIGUEIREDO, L.
História do Brasil para ocupados. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.
A característica regional que levou uma das revoltas citadas a ser mais preocupante para o governo central era a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Império, Período Regencial (1831-1840), revoltas provinciais
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura do texto historiográfico com o conhecimento prévio sobre a geografia e a história da Revolução Farroupilha, e não apenas decorar datas
- 🎯 Tema/Habilidade: Revoltas Regenciais e a fragilidade do Estado nacional recém-formado; competência de leitura e interpretação de fonte histórica (H12/H13 — Ciências Humanas)
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Entre as revoltas regenciais citadas, qual característica regional tornava uma delas especialmente ameaçadora para o governo central, e por quê?"
- Palavras-chave decisivas: mais preocuparia, situação fronteiriça, garantidora dos limites
- Armadilha típica: o candidato associa "preocupação do governo" a fatores econômicos (produção exportadora) ou militares genéricos (autonomia bélica), ignorando que o texto aponta explicitamente para a posição geográfica de fronteira como o diferencial da revolta
- O que a resposta precisa demonstrar: a capacidade de identificar, dentro do próprio texto-base, o motivo textualmente indicado para o temor do governo central — e não um motivo genérico aprendido fora do texto
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Período Regencial (1831-1840): intervalo entre a abdicação de D. Pedro I e a maioridade de D. Pedro II, marcado pela fragilidade do poder central e por revoltas provinciais que questionavam o projeto de centralização política e fiscal do Rio de Janeiro.
- Revoltas Regenciais: Cabanagem (Pará), Balaiada (Maranhão), Sabinada (Bahia) e Revolução Farroupilha (Rio Grande do Sul) expressavam, cada uma à sua maneira, o descontentamento das elites e populações locais com o centralismo monárquico e a política econômica voltada aos interesses cafeeiros da Corte.
- Revolução Farroupilha (1835-1845): a mais longa das revoltas do período, liderada por estancieiros gaúchos insatisfeitos com a taxação do charque frente ao produto platino, mas cuja gravidade para o Império ia além da economia — o Rio Grande do Sul fazia fronteira direta com o Uruguai e a região do Prata.
- Fronteira platina como questão de Estado: desde a Colônia, o extremo sul era a linha de defesa contra as pretensões espanholas e, depois, contra as repúblicas platinas, sendo estratégico para garantir a integridade territorial e a influência luso-brasileira sobre a Bacia do Prata.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "de todas elas, a Revolução Farroupilha era aquela que mais preocuparia" → o texto hierarquiza as revoltas e afirma que a Farroupilha era a de maior risco político para o governo central, exigindo que se busque a justificativa na sequência da frase.
- Evidência 2: "não só pela sua longa duração como pela sua situação fronteiriça da província do Rio Grande" → o autor aponta dois fatores (duração e localização fronteiriça), mas apenas a localização geográfica é oferecida como alternativa coerente com o enunciado, que pede uma característica regional.
- Evidência 3: "tradicionalmente a garantidora dos limites e dos interesses antes lusitanos e agora nacionais do Prata" → reforça que o Rio Grande do Sul exercia função histórica de "sentinela" da fronteira sul, papel que remontava à Colônia e permanecia estratégico para o Império.
- Síntese: o texto constrói uma explicação em cascata — a Farroupilha preocupa mais porque, além de duradoura, ocorre justamente na província responsável por proteger a fronteira meridional do país, sensível a disputas territoriais e à influência das repúblicas vizinhas do Prata.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o critério de comparação proposto pelo texto
O comando pede a "característica regional" que tornava uma das revoltas mais preocupante. A resposta precisa ser um traço geográfico/territorial específico daquela província, não um traço comum a todas as revoltas regenciais (como o descontentamento com o centralismo, que é o pano de fundo geral do texto, não o diferencial da Farroupilha).
Subpasso 4.2 — Isolar o trecho que justifica o "mais preocuparia"
A frase central é: "não só pela sua longa duração como pela sua situação fronteiriça da província do Rio Grande, tradicionalmente a garantidora dos limites [...] do Prata". A "longa duração" é uma característica temporal (não regional), então deve ser descartada. Sobra a "situação fronteiriça" — a posição geográfica do Rio Grande do Sul na fronteira sul do Império, vizinha ao Uruguai e próxima da região platina.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando esse raciocínio com as cinco alternativas, apenas a opção que fala em "localização geográfica estratégica" reproduz com fidelidade o argumento do texto. As demais trazem elementos que não aparecem no trecho (armas, ideologia, liderança política, exportação), funcionando como distratores plausíveis para quem conhece a Farroupilha por fora do texto, mas não leu com atenção a fonte histórica apresentada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) autonomia bélica local.
❌ Incorreta: o texto não menciona armamento, força militar própria ou capacidade bélica das províncias como fator de preocupação; embora os farrapos tenham sustentado um conflito militar longo, essa não é a explicação textual dada para o temor do governo central.
B) coesão ideológica radical.
❌ Incorreta: o trecho não trata do grau de unidade ideológica dos farrapos (que, aliás, incluía desde republicanos radicais até setores mais moderados). A coesão ideológica não é citada como fator de risco na passagem, sendo uma inferência externa ao texto.
C) liderança política situacionista.
❌ Incorreta: "situacionista" remete a grupos alinhados ao governo central, o que contradiz a própria natureza da Revolução Farroupilha, um movimento de oposição às elites de situação. Além disso, o texto não discute lideranças políticas como critério de preocupação.
D) produção econômica exportadora.
❌ Incorreta: essa alternativa tenta explorar o conhecimento prévio sobre o charque gaúcho e sua disputa com o produto platino, mas o texto-base não atribui a maior preocupação do governo a fatores econômicos — o argumento apresentado é geográfico, não comercial.
E) localização geográfica estratégica.
✅ Correta: é exatamente o que o texto afirma ao destacar a "situação fronteiriça da província do Rio Grande, tradicionalmente a garantidora dos limites e dos interesses [...] do Prata". A posição de fronteira com o Uruguai e a proximidade da Bacia do Prata tornavam a manutenção da ordem naquela província uma questão de segurança nacional e de soberania territorial, não apenas um problema interno de rebelião provincial.
🏆 Gabarito: E — o texto atribui explicitamente a maior preocupação do governo central com a Revolução Farroupilha à "situação fronteiriça" do Rio Grande do Sul, isto é, à sua localização geográfica estratégica na fronteira sul do Império, vizinha às repúblicas platinas.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a única alternativa que traduz literalmente o argumento do texto — "situação fronteiriça" e papel de "garantidora dos limites [...] do Prata" — é a localização geográfica estratégica, tornando a letra E a resposta inequívoca.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa textos historiográficos sobre o Período Regencial para testar se o candidato consegue extrair do próprio trecho a causa apontada pelo autor, evitando respostas "decoradas" que não dialogam com a fonte fornecida.
- Generalização: em questões de História baseadas em texto de apoio, a resposta correta quase sempre pode ser localizada e parafraseada dentro do próprio trecho — priorize sempre o que o texto diz explicitamente antes de recorrer a conhecimentos externos, que servem apenas para confirmar (não substituir) a leitura.
- Dica de eliminação rápida: procure no enunciado por sinônimos ou paráfrases das alternativas; aqui, "situação fronteiriça" e "garantidora dos limites" apontam diretamente para "localização geográfica", permitindo eliminar em segundos as opções sobre armas, ideologia, liderança política e economia, que não têm correspondência textual.
- Conexões: o tema dialoga com a formação e consolidação das fronteiras do Brasil meridional (Guerra do Prata, Guerra do Paraguai) e com o processo mais amplo de centralização política do Segundo Reinado, que buscou justamente evitar novas rupturas territoriais como a farroupilha.
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