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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 39ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

Como a percepção do tempo muda de acordo com a língua

Línguas diferentes descrevem o tempo de maneiras distintas — e as palavras usadas para falar sobre ele moldam nossa percepção de sua passagem.
O estudo “Distorção temporal whorfiana: representando duração por meio da ampulheta da língua”, publicado no jornal da APA (Associação Americana de Psicologia), mostra que conceitos abstratos, como a percepção da duração do tempo, não são universais.
Os autores não só verificaram uma mudança da percepção temporal conforme a língua falada como observaram que a transição de uma língua para outra por um mesmo indivíduo modificava sua estimativa de uma duração de tempo. Isso implica que visões diferentes de tempo convivem no cérebro de um indivíduo bilíngue.
“O fato de que pessoas bilíngues transitam entre essas diferentes formas de estimar o tempo sem esforço e inconscientemente se encaixa nas evidências crescentes que demonstram a facilidade com que a linguagem se entremeia furtivamente em nossos sentidos mais básicos, incluindo nossas emoções, percepção visual e, agora, ao que parece, nossa sensação de tempo”, disse o pesquisador ao site Quartz.

LIMA, J. D. Disponível em: www.nexojornal.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017.

O texto relata experiências e resultados de um estudo que reconhece a importância

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto de divulgação científica
  • ⚡ Nível: Médio — exige captar a tese central do texto sem se prender a exemplos secundários usados como distratores
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relação entre linguagem e cognição (hipótese whorfiana) — reconhecer o efeito de sentido global de um texto expositivo
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Identifique o que o texto evidencia como o verdadeiro fator por trás da mudança na percepção do tempo relatada pela pesquisa."
  • Palavras-chave decisivas: línguas diferentes, transição de uma língua para outra, linguagem se entremeia
  • Armadilha típica: confundir o objeto de estudo (cérebro, bilinguismo, teoria whorfiana) com o fator que o texto aponta como causa da percepção — o uso concreto da língua no dia a dia
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de escolher, entre cinco recortes plausíveis, aquele que resume a tese central do texto, e não apenas um detalhe citado nele

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Hipótese de Sapir-Whorf (relativismo linguístico): a língua que falamos não é neutra; ela molda como pensamos e percebemos o mundo, incluindo noções abstratas como tempo.
  • Texto de divulgação científica: traduz uma pesquisa acadêmica para o leigo, sempre articulando exemplo, dado e conclusão em torno de uma tese central.
  • Bilinguismo como evidência, não como tema: o comportamento de falantes bilíngues é a prova empírica usada para sustentar a tese mais ampla sobre o poder da língua — não é o objeto final da discussão.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Línguas diferentes descrevem o tempo de maneiras distintas [...] moldam nossa percepção" → já no 1º parágrafo, a língua — não o cérebro isoladamente — é apontada como o agente que molda a percepção.
  • Evidência 2: "visões diferentes de tempo convivem no cérebro de um indivíduo bilíngue" → cérebro e bilinguismo são o palco e o caso de teste da influência da língua, não a causa central do fenômeno.
  • Evidência 3: "a linguagem se entremeia furtivamente em nossos sentidos mais básicos, incluindo nossas emoções, percepção visual e [...] nossa sensação de tempo" → a fala final do pesquisador amplia a conclusão para além do tempo: é sobre a língua permeando toda a experiência humana.
  • Síntese: as três evidências convergem para o mesmo ponto — o fio condutor do texto é a força das línguas e de seu uso cotidiano sobre a vida das pessoas, sendo o tempo apenas o exemplo escolhido para ilustrar essa tese.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar tese central e exemplos

O texto segue a estrutura clássica de divulgação científica: afirmação geral (a língua molda a percepção do tempo) → estudo específico com bilíngues → fala do pesquisador que generaliza a conclusão para emoções e percepção visual. O comando pede a tese-guarda-chuva do texto todo, não o exemplo usado para prová-la.

Subpasso 4.2 — Testar as alternativas contra a tese

"Compreensão do tempo pelo cérebro" (A), "pesquisas sobre cognição" (B), "teoria whorfiana" (C) e "bilinguismo" (E) são elementos presentes no texto, mas funcionam como ferramenta ou palco da argumentação, não como núcleo dela. O núcleo, repetido no título, no 1º parágrafo e na citação final, é sempre a língua e seu uso cotidiano.

Subpasso 4.3 — Verificação

A frase final do pesquisador fala em "linguagem" se entremeando em "nossos sentidos mais básicos" — efeito da língua na vida das pessoas em geral, para além do experimento com tempo. Isso confirma que a resposta certa precisa mencionar "linguagens e seus usos na vida das pessoas", como na alternativa D.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) da compreensão do tempo pelo cérebro.

❌ Incorreta: restringe a discussão a um processo neurológico isolado, como se a percepção dependesse só de mecanismos cerebrais internos. O texto mostra que o cérebro hospeda percepções diferentes conforme a língua ativada — a variável determinante é linguística, não biológica.

B) das pesquisas científicas sobre a cognição.

❌ Incorreta: desloca o foco para o campo de pesquisa em si, quando o texto usa um estudo específico apenas como prova de um fenômeno ligado à língua, não como discussão sobre a ciência da cognição.

C) da teoria whorfiana para a área da linguagem.

❌ Incorreta: embora cite a "distorção temporal whorfiana", o texto não discute a relevância da teoria para a Linguística acadêmica; mostra o impacto da língua na vida real das pessoas, extrapolando o debate teórico interno da área.

D) das linguagens e seus usos na vida das pessoas.

✅ Correta: é a única alternativa que capta a tese que perpassa o texto inteiro — do título à citação final sobre a linguagem se entremeando nos sentidos básicos. O texto evidencia que são as línguas, em seu uso cotidiano, que moldam experiências humanas concretas, sendo o tempo apenas o exemplo mais recente dessa influência.

E) do bilinguismo para o desenvolvimento intelectual.

❌ Incorreta: o texto não trata de desenvolvimento intelectual (inteligência, aprendizagem), mas de percepção sensorial e temporal. O bilinguismo é só o cenário experimental que revela visões de tempo coexistindo numa mesma pessoa.

🏆 Gabarito: D — o texto evidencia, do início ao fim, a importância das línguas e de seus usos concretos na vida das pessoas, usando a percepção do tempo apenas como estudo de caso dessa tese mais ampla.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que resume a tese central do texto (a força da língua sobre a experiência humana); as demais recortam apenas exemplos, campos de pesquisa ou teorias citados de passagem.
  • Padrão de cobrança: o ENEM costuma fechar blocos de texto de divulgação científica pedindo "a ideia central" ou "o que o texto evidencia", com distratores que são fragmentos verdadeiros, porém parciais.
  • Generalização: nesse tipo de questão, a resposta certa costuma ser a mais abrangente e alinhada ao título e à conclusão do texto, não a que menciona o detalhe mais específico citado no meio dele.
  • Dica de eliminação rápida: leia só o título e a última frase do texto — juntos, quase sempre entregam a tese central; elimine alternativas presas a um método, teoria ou grupo específico sem falar da língua e de seu uso cotidiano em geral.
  • Conexões: relativismo linguístico e hipótese de Sapir-Whorf; identificação de tese central x argumentos de apoio em textos expositivos.

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