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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 85ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia

Tal como foi concebido, o desenvolvimento da Amazônia pressupunha o desmatamento. Muitas forças foram envolvidas e constituíram uma teia de múltiplos interesses: as instituições financeiras internacionais, a tecnocracia militar e civil, as elites regionais e nacionais, as corporações transnacionais, os madeireiros, os colonos sem terra e os garimpeiros.

SANTOS, L. G. Politizar as novas tecnologias: o impacto sociotécnico da informação digital e genética.
São Paulo:  Editora 34, 2003 (adaptado).

O modo de exploração descrito opõe-se a um modelo de desenvolvimento que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Ambiental e Desenvolvimento Regional (a questão amazônica)
  • ⚡ Nível: Médio — não exige conhecimento decorado, mas cobra interpretação fina de um texto acadêmico denso e a capacidade de identificar um conceito por oposição ao que está descrito.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Modelos de desenvolvimento na Amazônia (predatório × sustentável); competência de compreender dinâmicas socioambientais e conflitos de uso do território.
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O modelo de exploração descrito no texto é o CONTRÁRIO de qual modelo de desenvolvimento?"
  • Palavras-chave decisivas: desmatamento, teia de múltiplos interesses, opõe-se a
  • Armadilha típica: marcar uma alternativa que descreve uma característica do PRÓPRIO modelo predatório citado no texto (lucro rápido, extração intensa, dependência econômica), em vez de identificar o modelo que se opõe a ele. A palavra "opõe-se" é o pivô da questão e costuma passar despercebida sob pressão de tempo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de inverter a lógica do texto — sair da descrição do modelo predatório e enxergar seu antônimo conceitual.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Desenvolvimento predatório/extrativista: modelo em que a exploração de recursos naturais (madeira, minério, terra) ocorre de forma intensiva e desregulada, voltada ao retorno financeiro imediato, tratando o desmatamento como pré-condição do "progresso" — não como um custo a evitar.
  • Rede de interesses na Amazônia: a ocupação amazônica (sobretudo na ditadura militar, com a Transamazônica e incentivos à pecuária/garimpo) uniu capital internacional, tecnocracia estatal, elites regionais, corporações e trabalhadores informais em torno da mesma lógica extrativista.
  • Desenvolvimento sustentável: conceito consolidado pelo Relatório Brundtland (1987), que busca conciliar crescimento econômico com a conservação dos recursos naturais, garantindo uso futuro do território.
  • Lógica da oposição textual: se o modelo do texto pressupõe destruição, seu antagônico pressupõe conservação — esse é o eixo que resolve a questão.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "o desenvolvimento da Amazônia pressupunha o desmatamento" → o texto não trata o desmatamento como efeito colateral indesejado, mas como condição estrutural do modelo — ou seja, sem desmatar, aquele "desenvolvimento" nem existiria.
  • Evidência 2: "instituições financeiras internacionais, a tecnocracia militar e civil, as elites regionais e nacionais, as corporações transnacionais, os madeireiros, os colonos sem terra e os garimpeiros" → é uma enumeração de atores heterogêneos, unidos não por um projeto conservacionista, mas pela busca de ganho imediato sobre os recursos naturais da floresta.
  • Síntese: o texto caracteriza um "desenvolvimento" que na prática é degradação ambiental institucionalizada e consentida por múltiplos agentes. A pergunta pede exatamente o conceito que nega essa lógica: um desenvolvimento que preserva, em vez de destruir.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar o núcleo do modelo descrito

O texto de Laymert Garcia dos Santos descreve o processo histórico de ocupação da Amazônia como um projeto em que o desmatamento não é acidente, mas pressuposto: para "desenvolver" a região (abrir estradas, instalar pecuária, extrair madeira e minério, assentar colonos), era necessário primeiro destruir a cobertura florestal. Esse é o modelo predatório-extrativista.

Subpasso 4.2 — Buscar o antônimo conceitual

A pergunta não pede para descrever o modelo do texto, e sim identificar a que modelo ele se opõe. Logicamente, o oposto de um desenvolvimento que tem a destruição ambiental como pré-requisito é um desenvolvimento que tem a preservação ambiental como pré-requisito — ou seja, o modelo de desenvolvimento sustentável, cujo princípio central é justamente conciliar produção econômica com manutenção dos recursos naturais para uso futuro.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao revisar as cinco alternativas, apenas uma descreve esse contraponto conservacionista — as demais, na verdade, reafirmam traços do próprio modelo predatório do texto (lucro imediato, maximização da extração, dependência econômica), funcionando como armadilhas. Isso confirma que a resposta correta é a que menciona conservação de recursos.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) gera empregos formais.

❌ Incorreta: o texto não trata da formalidade ou informalidade do trabalho gerado por qualquer modelo de desenvolvimento. Aliás, boa parte dos atores citados (garimpeiros, colonos sem terra) atua historicamente na informalidade — mas esse não é o eixo de contraste da questão, que é ambiental, não trabalhista.

B) possibilita lucros imediatos.

❌ Incorreta: essa é justamente uma característica do modelo predatório descrito no texto, não seu oposto. Instituições financeiras, corporações transnacionais e elites regionais se envolveram na exploração amazônica exatamente em busca de retorno financeiro rápido sobre madeira, terra e minério.

C) maximiza atividades de extração.

❌ Incorreta: pelo mesmo motivo da anterior, essa alternativa descreve o próprio modelo relatado (madeireiros e garimpeiros maximizando a extração de recursos), e não um modelo que se contraponha a ele.

D) reitera a dependência econômica.

❌ Incorreta: o modelo de exploração amazônica, ao subordinar a região à lógica de capitais internacionais e corporações transnacionais, historicamente reforça — e não combate — a dependência econômica externa. Trata-se de mais uma característica do modelo descrito, não de seu antônimo.

E) promove a conservação de recursos.

✅ Correta: se o modelo relatado pressupõe o desmatamento como condição de "desenvolvimento", o modelo a que ele se opõe é exatamente aquele que tem a conservação dos recursos naturais como princípio — o desenvolvimento sustentável, que busca crescimento econômico sem esgotar ou destruir o patrimônio ambiental.

🏆 Gabarito: E — o texto descreve um desenvolvimento fundado no desmatamento; logo, ele se opõe a um modelo que tem a conservação de recursos como pilar central, que é exatamente o conteúdo da alternativa E.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: entre as cinco opções, apenas a "promoção da conservação de recursos" descreve um princípio antagônico ao desmatamento apresentado como pré-requisito de desenvolvimento; todas as demais são, na verdade, traços do próprio modelo predatório do texto.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente contrapõe modelos de desenvolvimento predatório/extrativista a modelos de desenvolvimento sustentável em textos sobre Amazônia, mudanças climáticas, agronegócio e uso de recursos naturais — é um dos temas socioambientais mais recorrentes da prova de humanas.
  • Generalização: sempre que o comando pedir o que uma situação "se opõe a", elimine primeiro qualquer alternativa que apenas repita, com outras palavras, o que o texto-base já afirmou — a resposta certa é o conceito antagônico, nunca uma reformulação do enunciado.
  • Dica de eliminação rápida: leia as alternativas perguntando "isso está descrito no texto ou é o contrário do texto?" — B, C e D descrevem literalmente o que o texto já disse sobre o modelo predatório, então caem imediatamente; restam A e E, e A não tem qualquer base textual, enquanto E fecha logicamente a oposição ao desmatamento.
  • Conexões: desenvolvimento sustentável e Agenda 2030 (ODS), geopolítica e ocupação da Amazônia na ditadura militar, teoria da dependência econômica (Celso Furtado, Raúl Prebisch).

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