Mapa de questões · 1º dia
Questão 56 — ENEM 2019 PPLCaderno azul · 1º Dia
A ciência ativa rompe com a separação antiga entre a ciência (episteme), o saber teórico, e a técnica (techne), o saber aplicado, integrando ciência e técnica. Do ponto de vista da ideia de ciência, a valorização da observação e do método experimental opõe a ciência ativa à ciência contemplativa dos antigos; assim também, a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração platônica e pitagórica, e contrária à concepção aristotélica.
MARCONDES, D. Iniciação à história da filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008 (adaptado).
Nesse contexto, a ciência encontra seu novo fundamento na
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Filosofia da Ciência / Revolução Científica moderna (Francis Bacon, Galileu, ruptura com Aristóteles)
- ⚡ Nível: Difícil — exige domínio de vocabulário filosófico específico (episteme, techne) e a capacidade de discriminar alternativas com formulações muito parecidas entre si.
- 🎯 Tema/Habilidade: A oposição entre ciência contemplativa antiga e ciência ativa moderna, com foco no papel do método experimental como critério de comprovação do conhecimento.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo o texto, o que caracteriza a 'ciência ativa' moderna, que valoriza a observação e o método experimental, em oposição à ciência contemplativa dos antigos?"
- Palavras-chave decisivas: observação, método experimental, integrando ciência e técnica
- Armadilha típica: confundir a integração entre teoria e prática (que o texto afirma existir) com a ideia de "independência entre conhecimento e prática" — uma alternativa que soa familiar mas inverte exatamente o sentido do texto.
- O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende que, na ciência moderna, uma hipótese só é válida se puder ser testada e comprovada empiricamente — o experimento vira critério de verdade, e não apenas a coerência lógica da contemplação antiga.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Episteme e techne: na filosofia clássica grega, episteme é o saber teórico e contemplativo, voltado a verdades universais e imutáveis; techne é o saber prático, ligado ao fazer e ao produzir. Aristóteles hierarquizava a episteme como superior à techne.
- Ciência contemplativa antiga: conhecimento validado por dedução lógica e coerência racional (o silogismo aristotélico), sem necessidade de testar hipóteses na prática — observar e refletir bastavam.
- Ciência ativa moderna (Bacon/Galileu): funde teoria e prática. O conhecimento só é aceito como científico se puder ser testado, manipulado e confirmado por meio de experimentos controlados e de mensuração matemática.
- Método experimental: procedimento que isola variáveis, formula hipóteses e busca sua confirmação (ou refutação) por meio de provas repetíveis — marca central da Revolução Científica do século XVII.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "romper com a separação antiga entre a ciência (episteme)... e a técnica (techne)... integrando ciência e técnica" → mostra que a ciência moderna une teoria e prática, eliminando a antiga dicotomia. Isso já descarta qualquer alternativa que fale em separação ou independência entre conhecimento e prática.
- Evidência 2: "a valorização da observação e do método experimental opõe a ciência ativa à ciência contemplativa dos antigos" → indica que o critério de distinção entre as duas ciências é justamente o uso do experimento como forma de comprovar (ou refutar) ideias, e não apenas de contemplá-las.
- Evidência 3: "a utilização da matemática como linguagem da física, proposta por Galileu sob inspiração platônica e pitagórica, e contrária à concepção aristotélica" → reforça que a ciência ativa lança mão de instrumentos precisos (matemática, experimento) para testar e confirmar teorias, rompendo com a postura meramente especulativa dos antigos.
- Síntese: as três evidências convergem para a mesma ideia — a ciência moderna se distingue por transformar a observação e a experimentação em critérios de comprovação do saber, isto é, por exigir prova empírica para validar o conhecimento.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo do texto
O texto de Danilo Marcondes contrapõe duas concepções de ciência: a antiga (contemplativa, herdada de Aristóteles) e a moderna/ativa (associada a Francis Bacon e Galileu, séculos XVI-XVII). O eixo dessa oposição é o método: a ciência antiga se contentava com a observação racional e a dedução lógica a partir de princípios gerais; a ciência moderna passa a exigir que as hipóteses sejam testadas e comprovadas experimentalmente antes de serem aceitas como verdadeiras.
Subpasso 4.2 — Relacionar as pistas textuais com as alternativas
A expressão "valorização da observação e do método experimental" significa que a ciência moderna não aceita mais uma afirmação apenas porque ela é logicamente coerente ou elegante do ponto de vista racional — ela precisa ser verificada na prática, por meio de experimentos que possam ser repetidos e confirmados. Esse é exatamente o significado da alternativa A: "utilização da prova para confirmação empírica". A prova — o teste, o experimento — passa a ser o critério que valida (ou derruba) uma teoria científica.
Subpasso 4.3 — Verificação cruzada com as demais pistas do texto
A integração entre episteme e techne mencionada logo no início do texto reforça essa leitura: a ciência deixa de ser puro saber contemplativo e passa a intervir sobre os fenômenos por meio de experimentos controlados (a técnica) justamente para gerar e confirmar conhecimento (a ciência) — o que é o cerne do método experimental moderno. A menção a Galileu e à matemática como "linguagem da física" mostra outro instrumento dessa mesma lógica: medir, calcular e testar hipóteses, e não apenas contemplá-las racionalmente, como faziam os antigos. Todas as pistas apontam, portanto, para a mesma direção: a comprovação empírica via prova/experimento.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) utilização da prova para confirmação empírica.
✅ Correta: é exatamente o que o texto descreve como "valorização da observação e do método experimental". A ciência ativa moderna exige que as hipóteses sejam comprovadas por meio de testes e experimentos, tornando a prova empírica o critério de cientificidade — em oposição à ciência antiga, que se satisfazia com a coerência lógico-dedutiva.
B) apropriação do senso comum como inspiração.
❌ Incorreta: o texto menciona explicitamente a inspiração platônica e pitagórica (matemática) na formulação de Galileu, não o senso comum. A ciência moderna busca justamente rigor matemático e experimental, algo bem distante do saber espontâneo e não sistematizado do senso comum.
C) reintrodução dos princípios da metafísica clássica.
❌ Incorreta: o movimento descrito é de ruptura com a tradição aristotélica e sua metafísica contemplativa, não de retomada dela. A ciência ativa se afasta da metafísica clássica precisamente ao valorizar a observação e o experimento como fontes de conhecimento.
D) construção do método em separado dos fenômenos.
❌ Incorreta: o método experimental da ciência moderna é construído a partir da observação direta dos fenômenos e da intervenção deliberada sobre eles — não "em separado" dos fenômenos, mas em conexão íntima e sistemática com o que é observado e testado.
E) consolidação da independência entre conhecimento e prática.
❌ Incorreta: contraria diretamente o texto, que afirma que a ciência ativa rompe com a separação entre episteme e techne, "integrando ciência e técnica" (teoria e prática). A ciência moderna aproxima conhecimento e prática — ela não os torna independentes, mas indissociáveis.
🏆 Gabarito: A — o texto define a ciência ativa moderna pela exigência de comprovação experimental das hipóteses, e a alternativa A traduz com precisão esse critério: a prova como confirmação empírica do saber.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A retoma com exatidão o critério central destacado no texto — a prova/o teste como forma de confirmação empírica —, enquanto todas as demais contrariam trechos explícitos do enunciado (a integração entre ciência e técnica, a inspiração matemática de Galileu, a ruptura com a metafísica antiga).
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente Filosofia da Ciência a partir da oposição entre pensamento clássico (Aristóteles, contemplação, dedução) e pensamento moderno (Bacon, Descartes, Galileu, método experimental/indutivo), muitas vezes citando trechos de obras de história da filosofia, como as de Danilo Marcondes.
- Generalização: em questões sobre a Revolução Científica, procure sempre o par conceitual observação/experimento versus especulação/contemplação — a alternativa correta quase sempre valoriza teste, comprovação e verificação empírica como marca do pensamento moderno.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que fale em "separação" ou "independência" entre teoria e prática, ou em "reintrodução"/"retomada" de ideias antigas — o texto trata de ruptura e de integração, nunca de retrocesso ou de divisão.
- Conexões: o empirismo indutivo de Francis Bacon (o "Novum Organum"), o racionalismo matemático de Descartes e Galileu, e a consolidação do método científico moderno no século XVII.
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