Mapa de questões · 1º dia
Questão 5 — ENEM 2017
El eclipse
Cuando Fray Bartolomé Arrazola se sintió perdido aceptó que ya nada podría salvarlo. La selva poderosa de Guatemala lo había apresado, implacable y definitiva. Ante su ignorancia topográfica se sentó con tranquilidad a esperar la muerte. Al despertar se encontró rodeado por un grupo de indígenas de rostro impasible que se disponía a sacrificarlo ante un altar, un altar que a Bartolomé le pareció como el lecho en que descansaría, al fin, de sus temores, de su destino, de sí mismo. Tres años en el país le habían conferido un mediano dominio de las lenguas nativas. Intentó algo. Dijo algunas palabras que fueron comprendidas. Entonces floreció en él una idea que tuvo por digna de su talento y de su cultura universal y de su arduo conocimiento de Aristóteles. Recordó que para ese día se esperaba un eclipse total de sol. Y dispuso, en lo más íntimo, valerse de aquel conocimiento para engañar a sus opresores y salvar la vida. — Si me matáis — les dijo — puedo hacer que el sol se oscurezca en su altura. Los indígenas lo miraron fijamente y Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus ojos. Vio que se produjo un pequeño consejo, y esperó confiado, no sin cierto desdén. Dos horas después el corazón de Fray Bartolomé Arrazola chorreaba su sangre vehemente sobre la piedra de los sacrificios (brillante bajo la opaca luz de un sol eclipsado), mientras uno de los indígenas recitaba sin ninguna inflexión de voz, sin prisa, una por una las infinitas fechas en que se producirían eclipses solares y lunares, que los astrónomos de la comunidad maya habían previsto y anotado en sus códices sin la valiosa ayuda de Aristóteles.
MONTERROSO, A. Obras completas y otros cuentos. Bogotá: Norma, 1994 (adaptado).
No texto, confrontam-se duas visões de mundo: a da cultura ocidental, representada por Frei Bartolomé Arrazola, e a da mítica pré-hispânica, representada pela comunidade indígena maia. Segundo a narrativa,
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Espanhol → Interpretação de texto literário (conto hispano-americano)
- ⚡ Nível: Médio — exige captar a ironia do desfecho, não apenas a leitura literal da história
- 🎯 Tema/Habilidade: Choque entre visões de mundo (racionalismo ocidental x saber ancestral maia) e leitura crítica de texto narrativo em língua espanhola
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual alternativa descreve corretamente o confronto entre a cultura ocidental (Frei Bartolomé) e a cultura maia no conto?"
- Palavras-chave decisivas: confrontam-se duas visões de mundo, cultura ocidental, mítica pré-hispânica
- Armadilha típica: confundir a intenção do frei (usar o eclipse para se salvar) com o resultado da história (ele morre mesmo assim), marcando alternativas que dão vitória ao conhecimento europeu
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que o desfecho do conto inverte a expectativa do leitor — o saber "universal" de Arrazola se mostra inútil diante do saber astronômico, mais preciso, da comunidade maia
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Ironia narrativa: recurso literário em que o resultado de uma ação contraria a expectativa criada pelo próprio texto; em "El eclipse", o leitor espera que o conhecimento de Arrazola o salve, mas ocorre exatamente o contrário.
- Eurocentrismo: visão que supõe a cultura europeia (aqui, representada por Aristóteles e pela "cultura universal" do frei) como superior e universalmente válida diante de outros saberes.
- Choque de saberes (ocidental x indígena): o conto contrapõe o conhecimento livresco, teórico, de Bartolomé ao conhecimento empírico e milenar dos maias, que dominavam a astronomia por observação direta e registro em códices, sem qualquer influência grega.
- Final surpresa (twist): característica marcante da microficção de Augusto Monterroso — a última frase do conto reorganiza retroativamente o sentido de toda a narrativa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Si me matáis, puedo hacer que el sol se oscurezca en su altura" → Bartolomé aposta toda sua sobrevivência no conhecimento europeu sobre o eclipse, certo de impressionar os indígenas.
- Evidência 2: "Los indígenas lo miraron fijamente y Bartolomé sorprendió la incredulidad en sus ojos" → a reação deles não é de espanto ou submissão, mas de dúvida — sinal de que já sabiam algo que ele desconhecia.
- Evidência 3: "Dos horas después el corazón de Fray Bartolomé Arrazola chorreaba su sangre... mientras uno de los indígenas recitaba... las infinitas fechas en que se producirían eclipses... que los astrónomos de la comunidad maya habían previsto... sin la valiosa ayuda de Aristóteles" → revelação final: os maias já conheciam com precisão o calendário de eclipses, tornando o "trunfo" de Bartolomé inútil e irônico.
- Síntese: o conto constrói uma expectativa (o europeu culto vencerá os "primitivos") apenas para desmontá-la no último parágrafo, expondo a arrogância do frei e a real sofisticação científica maia.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Reconstituir a lógica de Bartolomé
Frei Bartolomé Arrazola, perdido na selva guatemalteca e capturado pelos indígenas, recorre a um plano baseado em sua formação clássica: usar o conhecimento de que ocorreria um eclipse solar naquele dia para se passar por alguém com poderes sobre o sol e, assim, escapar da morte. Essa estratégia só faz sentido se ele pressupõe que os maias desconhecem esse fenômeno — um pressuposto tipicamente eurocêntrico, que subestima o saber do "outro".
Subpasso 4.2 — Identificar a virada (twist) do conto
O texto não confirma essa expectativa. Pelo contrário: os indígenas o sacrificam mesmo assim, e o parágrafo final revela por quê — a comunidade maia já possuía, em seus códices, o registro preciso de "las infinitas fechas" de eclipses solares e lunares, calculado por seus próprios astrônomos, "sin la valiosa ayuda de Aristóteles". Ou seja, o conhecimento que Bartolomé julgava exclusivo e superior era, para os maias, informação corriqueira e já dominada havia gerações.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando a lógica narrativa com as alternativas: a história mostra exatamente o oposto de uma vitória do saber ocidental. O conhecimento acadêmico de Bartolomé (herdado de Aristóteles) não impressiona nem convence os maias, e ele morre apesar dele — o texto valoriza ironicamente a astronomia maia como mais precisa e antiga. Esse raciocínio aponta diretamente para a alternativa que afirma a insuficiência do saber de Arrazola diante da sabedoria astronômica maia.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) os catequizadores espanhóis avalizam os saberes produzidos pelas comunidades indígenas hispanoamericanas.
❌ Incorreta: o texto não mostra Bartolomé reconhecendo ou validando o saber indígena em nenhum momento; ao contrário, ele tenta manipulá-los pressupondo que são ignorantes sobre astronomia — postura de superioridade, não de reconhecimento.
B) os indígenas da comunidade maia mostram-se perplexos diante da superioridade do conhecimento aristotélico do frei espanhol.
❌ Incorreta: a reação registrada é de "incredulidade" e um breve conselho entre eles — sinal de descrença e domínio da situação, não de perplexidade ou admiração. O desfecho prova que o conhecimento aristotélico não tinha nada de superior para eles.
C) o catequizador espanhol Arrazola apresenta-se adaptado às culturas autóctones, ao promover a interlocução entre os conhecimentos aristotélico e indígena.
❌ Incorreta: não há diálogo ou troca de saberes; Bartolomé tenta impor e explorar seu conhecimento de forma unilateral e estratégica, visando apenas sua própria salvação, e é sacrificado — não há "interlocução" nem adaptação cultural real.
D) o episódio representa, de forma neutra, o significado do conhecimento ancestral indígena, quando comparado ao conhecimento ocidental.
❌ Incorreta: não há neutralidade — o narrador constrói deliberadamente uma ironia que desvaloriza o conhecimento ocidental (representado por Aristóteles) em favor da precisão e antiguidade do saber astronômico maia, evidenciada na frase final "sin la valiosa ayuda de Aristóteles".
E) os conhecimentos acadêmicos de Arrazola são insuficientes para salvá-lo da morte, ante a sabedoria astronômica da cultura maia.
✅ Correta: é exatamente isso que o desfecho narra — o saber clássico/europeu de Bartolomé, em que ele depositou toda sua esperança de sobrevivência, se revela irrelevante diante de um povo que já dominava o cálculo de eclipses com precisão milenar, tornando sua morte o símbolo da falência daquela estratégia eurocêntrica.
🏆 Gabarito: E — o conto usa a ironia do desfecho para mostrar que o conhecimento "universal" de Arrazola não teve nenhum valor prático diante da já consolidada sabedoria astronômica maia, que o próprio texto destaca como anterior e independente de Aristóteles.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a alternativa E é a única que descreve com fidelidade o resultado da história — a morte de Bartolomé prova, de forma irônica, que seu conhecimento "superior" foi inútil diante do saber maia, mais preciso e anterior ao europeu.
- Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente usa contos curtos em espanhol (microficção, muito comum com autores latino-americanos como Monterroso) que dependem de uma virada final para revelar o verdadeiro sentido crítico do texto — quem lê só o início erra a questão.
- Generalização: em textos narrativos com final-surpresa, a resposta correta quase sempre está ligada ao efeito de ironia do desfecho, não à intenção inicial da personagem; sempre releia o último parágrafo antes de escolher a alternativa.
- Dica de eliminação rápida: descarte de imediato qualquer alternativa que fale em "avalizar", "adaptação cultural" ou "neutralidade" (A, C, D) — o conto é claramente crítico e irônico, não harmonioso nem imparcial; entre B e E, o final do texto ("sin la valiosa ayuda de Aristóteles") decide a favor de E.
- Conexões: compare com outras questões de literatura hispano-americana que exploram choque cultural (colonização x povos originários) e com o gênero do "cuento breve" ou microrrelato, marca registrada de autores como Monterroso, Cortázar e Borges.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.