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Mapa de questões · 1º dia
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Questão 51ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Questão 051 – ENEM 2017 -

A fotografia, datada de 1860, é um indício da cultura escravista no Brasil, ao expressar a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Brasil Império, escravidão urbana e doméstica no século XIX
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a leitura de uma fotografia com o conceito de ambiguidade das relações escravistas domésticas, sem cair em leituras ingênuas de "afeto puro" ou "melhoria de vida" do cativo.
  • 🎯 Tema/Habilidade: A ama de leite escravizada e a dualidade proximidade/subordinação na escravidão doméstica brasileira; leitura crítica de fontes visuais como documento histórico.
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "O que essa fotografia de 1860, com uma ama de leite escravizada e o filho de seus senhores, revela sobre a cultura escravista no Brasil?"
  • Palavras-chave decisivas: fotografia de 1860, indício da cultura escravista, expressar
  • Armadilha típica: olhar a proximidade física entre ama e criança e concluir que a imagem mostra "afeto igualitário" ou "privilégio" da mulher escravizada, ignorando que essa intimidade convivia com a condição jurídica de propriedade e a subordinação total da ama aos senhores.
  • O que a resposta precisa demonstrar: ler a fotografia como fonte que documenta uma contradição estrutural da escravidão doméstica — proximidade física/afetiva de um lado, subordinação e despojamento de direitos de outro.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Ama de leite: mulher — majoritariamente escravizada — encarregada de amamentar e cuidar dos filhos das famílias senhoriais, substituindo a mãe biológica nas funções mais básicas de criação da criança.
  • Escravidão doméstica: modalidade de escravidão urbana em que os cativos trabalhavam dentro da casa senhorial (cozinha, limpeza, cuidado de crianças), em contato direto e cotidiano com os senhores, gerando vínculos de intimidade sem jamais suspender a condição de propriedade.
  • Cartão de visita (carte de visite): formato fotográfico popular a partir de meados do século XIX, usado por famílias abastadas para ostentar seu status social — era comum incluir escravos domésticos, sobretudo amas de leite bem trajadas, como símbolo de prestígio do grupo senhorial.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1 (a imagem): a fotografia registra Augusto Gomes Leal — menino branco, bem vestido, em pé, postura formal — ao lado de Mônica, a ama de leite negra, sentada, com vestimenta relativamente cuidada → revela que a cena foi montada para exibir cuidado/proximidade e, ao mesmo tempo, uma hierarquia visual clara entre a criança em destaque e a ama enquadrada como peça do retrato familiar.
  • Evidência 2 (a legenda): "cartão de visita de 1860" → indica função social de circulação e ostentação de status entre famílias da elite, prática em que fotografar a ama junto à criança amamentada valorizava simbolicamente o poder do dono de escravos.
  • Evidência 3 (o comando): "indício da cultura escravista no Brasil" → orienta que a resposta correta trate a foto como documento de uma prática social escravista, não apenas como registro de um vínculo afetivo isolado.
  • Síntese: a fonte documenta, num único quadro, dois planos que parecem contraditórios mas coexistiam na escravidão doméstica: intimidade física/afetiva entre ama e criança e permanência da subordinação jurídica da mulher escravizada. Essa tensão — a "ambiguidade" — é o que a alternativa correta nomeia.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a fonte

Cartão de visita, gênero fotográfico voltado à circulação social de famílias abastadas, trazendo a ama de leite Mônica junto ao menino Augusto Gomes Leal, filho de seus senhores — composição típica do período, em que amas eram fotografadas ao lado das crianças que criavam.

Subpasso 4.2 — Analisar a composição

Postura, vestuário e gestos comunicam duplo sentido: há proximidade física real, fruto de anos de amamentação e convívio; mas também hierarquia, com ela sentada e emoldurada quase como elemento de composição, e ele em pé, trajado como pequeno senhor.

Subpasso 4.3 — Cruzar imagem e conceito histórico

A escravidão doméstica se baseava em relação de trabalho fundada no corpo e no afeto (amamentar, embalar, cuidar), mas sem jamais suspender a propriedade sobre a mulher escravizada. Daí a "ambiguidade": nem opressão fria e distante, nem integração igualitária — proximidade que convive, sem se resolver, com a subordinação.

Subpasso 4.4 — Verificação

Confrontando essa leitura com as alternativas, eliminam-se as que ignoram a subordinação e leem a cena só como "cuidado", "privilégio" ou "educação formal" (B, C, D) e a que desloca o tema para um eixo estranho à imagem, como mestiçagem (E). Resta a alternativa que nomeia exatamente a tensão identificada.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) ambiguidade do trabalho doméstico exercido pela ama de leite, desenvolvendo uma relação de proximidade e subordinação em relação aos senhores.

✅ Correta: capta a dualidade da fotografia — vínculo de proximidade física e afetiva (amamentação, convívio diário) que coexiste com a permanência da subordinação e propriedade da mulher escravizada perante a família senhorial. Essa tensão entre intimidade e sujeição caracteriza a escravidão doméstica no Brasil oitocentista.

B) integração dos escravos aos valores das classes médias, cultivando a família como pilar da sociedade imperial.

❌ Incorreta: a escravidão doméstica não promovia "integração" da ama à família como membro equivalente — ela permanecia posse jurídica dos senhores, sem os direitos ou o pertencimento que o termo sugere. Além disso, a foto retrata uma família senhorial, não as "classes médias" imperiais.

C) melhoria das condições de vida dos escravos observada pela roupa luxuosa, associando o trabalho doméstico a privilégios para os cativos.

❌ Incorreta: o vestuário cuidado da ama não indicava melhoria de sua condição, mas estratégia da família senhorial de valorizar sua própria imagem ao exibir a propriedade bem apresentada. A condição jurídica de escravizada de Mônica permanecia inalterada: sem liberdade, salário ou autonomia.

D) esfera da vida privada, centralizando a figura feminina para afirmar o trabalho da mulher na educação letrada dos infantes.

❌ Incorreta: a função da ama era essencialmente corporal — amamentação e cuidados físicos —, não "educação letrada", tarefa reservada a preceptores em etapa posterior da infância. A alternativa também apaga a dimensão da escravidão, tratando o tema como genérico "trabalho da mulher".

E) distinção étnica entre senhores e escravos, demarcando a convivência entre estratos sociais como meio para superar a mestiçagem.

❌ Incorreta: a fotografia não trata de "superar a mestiçagem", tema estranho ao contexto da imagem. O que ela documenta é a convivência cotidiana e ambígua entre ama e criança dentro da lógica escravista, não um projeto de separação étnica.

🏆 Gabarito: A — a fotografia expressa a ambiguidade do trabalho da ama de leite, que desenvolvia proximidade física e afetiva com a criança ao mesmo tempo em que permanecia subordinada e escravizada pelos senhores.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que reconhece simultaneamente a proximidade afetiva/corporal e a permanência da subordinação da ama, sem negar nem embelezar a violência estrutural da escravidão.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa fontes iconográficas do século XIX — fotografias, pinturas, cartões de visita — para tratar da escravidão urbana e doméstica e das ambiguidades das relações entre senhores e cativos.
  • Generalização: em questões sobre escravidão, desconfie de alternativas que suavizam a exploração com termos como "privilégio", "integração" ou "melhoria de condições" — o gabarito costuma valorizar a que expõe a contradição entre proximidade e subordinação.
  • Dica de eliminação rápida: elimine alternativas que atribuam "melhoria" ou "privilégios" aos escravizados (C) e as que desviam o tema central para eixos alheios à imagem, como educação formal (D) ou mestiçagem (E).
  • Conexões: dialoga com a historiografia sobre a "mãe preta" e o wet-nursing no Brasil escravista, e com o uso de cartões de visita do século XIX como fonte para a história social da escravidão.

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