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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 42ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Fim de semana no parque

Olha o meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque
Eufóricos brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
[…]
Olha só aquele clube, que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
[…]
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso

RAClONAlS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 (fragmento).

A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Interpretação de texto e leitura crítica de gêneros musicais (letra de rap)
  • ⚡ Nível: Fácil — o tema é explícito no texto, sem exigir inferências complexas ou conhecimento externo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento da função social e crítica da linguagem em manifestações culturais (Competência 9 de Linguagens: compreender relações entre produção cultural, cidadania e desigualdades)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é a crítica social que a letra de Racionais MCs constrói ao contrastar os espaços de lazer de ricos e pobres?"
  • Palavras-chave decisivas: distribuição distinta, espaços de lazer, realidade social
  • Armadilha típica: confundir "denúncia de desigualdade estrutural" com "desinteresse" ou "irrelevância" do lazer para os pobres — a letra não diz que a molecada não quer lazer, e sim que falta infraestrutura para ela ter acesso a ele
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o contraste da canção evidencia uma desigualdade de acesso (causada por falta de investimento público), e não uma diferença de gosto, de interesse ou de importância do lazer entre as classes

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Rap como crônica social: desde sua origem, o rap (aqui na vertente do Racionais MCs, um dos grupos mais influentes do rap nacional) funciona como registro e denúncia das condições de vida na periferia, usando linguagem direta e imagens do cotidiano para expor contrastes sociais.
  • Antítese/contraste como recurso argumentativo: a letra constrói dois quadros opostos — o "lá" (clube, quadra, piscina quente, sorveteria, cinema) e o "aqui" (rua de terra, ausência de clube, investimento escasso) — para tornar visível uma desigualdade que, sem a comparação, poderia passar despercebida.
  • Lazer como direito e como indicador de desigualdade: o acesso a espaços de lazer estruturados (clubes, quadras, centros comunitários) depende de investimento público e privado; sua ausência em bairros periféricos é sintoma de exclusão social, não de falta de vontade dos moradores.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Olha o meu povo nas favelas... A molecada lá da área... Jogando bola descalços nas ruas de terra" → mostra que o lazer na favela existe, mas é improvisado, sem estrutura ("do jeito que dá"), evidenciando carência de equipamentos, não falta de vontade de brincar.
  • Evidência 2: "Olha só aquele clube, que da hora... Tem sorveteria, cinema, piscina quente" → descreve o lazer das classes favorecidas como institucionalizado, pago e estruturado, em nítido contraste com a cena anterior.
  • Evidência 3: "Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo... O investimento no lazer é muito escasso / O centro comunitário é um fracasso" → o eu lírico nomeia explicitamente a causa do problema: falta de investimento público, não desinteresse da comunidade.
  • Síntese: as três evidências, lidas em conjunto, formam uma progressão argumentativa: primeiro mostra-se a realidade da favela, depois a realidade do bairro rico, e por fim o eu lírico interpreta essa diferença como resultado da ausência de infraestrutura e de investimento — ou seja, uma denúncia de desigualdade de acesso, e não de desigualdade de interesse ou de importância do lazer.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o eixo temático da canção

A letra de "Fim de Semana no Parque" é construída sobre uma estrutura de contraste social: de um lado, a favela, com crianças brincando na rua de terra; de outro, um clube com piscina, cinema e sorveteria, frequentado por famílias de carro do ano. Esse contraste não é decorativo — é o próprio argumento da canção. O verso final, "O investimento no lazer é muito escasso", funciona como uma espécie de conclusão explícita do eu lírico, deixando claro que o problema apontado é a falta de recursos e estrutura destinados ao lazer da população pobre.

Subpasso 4.2 — Traduzir o contraste em termos do comando da questão

O comando pergunta o que a distribuição distinta dos espaços de lazer "apresenta" como realidade social. É preciso então buscar, entre as alternativas, aquela que resume corretamente essa denúncia: a canção não afirma que os pobres não têm nenhum lazer (eles jogam bola, brincam "do jeito que dá"), nem que o lazer é irrelevante ou é visto com desinteresse pelas classes baixas. O que ela afirma, de forma direta, é que faltam equipamentos e investimento — ou seja, o acesso ao lazer institucionalizado (clubes, quadras, centros comunitários) é desigual entre as classes sociais.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando essa síntese com as cinco alternativas, apenas uma menciona exatamente "condições desiguais de acesso" associadas a "falta de infraestrutura e investimentos em equipamentos" — termos que espelham quase literalmente os versos "nenhum incentivo", "investimento... muito escasso" e "centro comunitário é um fracasso". Essa é a alternativa D, que confirma a leitura construída nos subpassos anteriores.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) retrata a ausência de opções de lazer para a população de baixa renda, por falta de espaço adequado.

❌ Incorreta: a letra não retrata "ausência" total de lazer — a molecada joga bola e brinca, ainda que sem estrutura ("do jeito que dá"). O problema central não é a falta de espaço físico em si, mas a falta de investimento e infraestrutura organizada (clubes, quadras, centros comunitários). A alternativa simplifica a denúncia da canção.

B) ressalta a irrelevância das opções de lazer para diferentes classes sociais, que o acessam à sua maneira.

❌ Incorreta: essa leitura inverte o sentido crítico da canção, sugerindo uma neutralidade ("cada um do seu jeito") que nega a denúncia de desigualdade. A letra não trata o lazer como irrelevante nem apresenta as duas realidades como equivalentes — pelo contrário, evidencia uma hierarquia de acesso.

C) expressa o desinteresse das classes sociais menos favorecidas economicamente pelas atividades de lazer.

❌ Incorreta: contraria diretamente o texto. A molecada da favela quer e busca lazer ("jogando bola... brincam do jeito que dá"); o problema não é falta de interesse, e sim falta de oportunidade e estrutura. Atribuir "desinteresse" aos pobres inverte a culpa da desigualdade para a própria vítima dela.

D) implica condições desiguais de acesso ao lazer, pela falta de infraestrutura e investimentos em equipamentos.

✅ Correta: sintetiza com precisão a crítica social da canção. O eu lírico nomeia explicitamente a causa da desigualdade — "nenhum incentivo", "investimento... muito escasso", "centro comunitário é um fracasso" — mostrando que o problema é estrutural (falta de equipamentos e de investimento público), não uma questão de escolha ou desinteresse.

E) aponta para o predomínio do lazer contemplativo, nas classes favorecidas economicamente; e do prático, nas menos favorecidas.

❌ Incorreta: a distinção "contemplativo vs. prático" não corresponde ao texto. Tanto o lazer do clube (piscina, cinema) quanto o da favela (futebol na rua) são atividades práticas; a diferença apontada pela canção não é o tipo de lazer, mas a estrutura e o investimento disponível para exercê-lo.

🏆 Gabarito: D — a letra denuncia uma desigualdade estrutural de acesso ao lazer, causada pela ausência de infraestrutura e investimento em equipamentos públicos nas periferias, e não por falta de interesse ou de espaço genérico.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa D nomeia com precisão a causa da desigualdade descrita na canção — falta de infraestrutura e investimento —, sem atribuir a responsabilidade à própria população pobre (como fazem C e, em parte, A) e sem neutralizar o contraste social (como faz B).
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa letras de música, poemas e crônicas para avaliar se o candidato consegue identificar a crítica social por trás da linguagem artística, exigindo que se distinga a denúncia de desigualdade estrutural de leituras rasas ou culpabilizadoras.
  • Generalização: em textos que constroem contrastes sociais (rico x pobre, centro x periferia), a alternativa correta quase sempre aponta para causas estruturais (investimento, políticas públicas, infraestrutura) — desconfie de opções que atribuem o problema a características pessoais do grupo prejudicado (desinteresse, desinformação, falta de esforço).
  • Dica de eliminação rápida: elimine imediatamente alternativas que "culpam a vítima" (aqui, a C, que fala em "desinteresse") e as que neutralizam o conflito social tratando as duas realidades como equivalentes (aqui, a B); restam A, D e E, e a leitura literal dos versos finais ("investimento... escasso", "centro comunitário... fracasso") aponta diretamente para D.
  • Conexões: compare com outras questões de ENEM sobre literatura marginal e hip-hop nacional (ex.: poesia de periferia, cordel urbano) e com textos de Geografia/Sociologia sobre segregação socioespacial e direito à cidade — temas frequentemente cobrados em conjunto.

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