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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 78ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Durante o Estado Novo, os encarregados da propaganda procuraram aperfeiçoar-se na arte da empolgação e envolvimento das “multidões” através das mensagens políticas. Nesse tipo de discurso, o significado das palavras importa pouco, pois, como declarou Goebbels, “não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter determinado efeito”.

CAPELATO, M. H. Propaganda política e controle dos meios de comunicação.  In: PANDOLFI, D. (Org.).
Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: FGV, 1999.

O controle sobre os meios de comunicação foi uma marca do Estado Novo, sendo fundamental à propaganda política, na medida em que visava

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Era Vargas / Estado Novo (1937-1945) e o papel da propaganda política no autoritarismo
  • ⚡ Nível: Médio — exige cruzar a citação de Goebbels com o contexto histórico do Estado Novo, evitando alternativas que soam "positivas" mas descrevem algo que o regime nunca praticou
  • 🎯 Tema/Habilidade: Propaganda política e controle da mídia como instrumento de legitimação de regimes autoritários (competência de análise de fontes históricas e discursos ideológicos)
  • 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual era o real objetivo do controle estatal sobre os meios de comunicação durante o Estado Novo?"
  • Palavras-chave decisivas: controle sobre os meios de comunicação, propaganda política, visava
  • Armadilha típica: confundir o efeito desejado pela propaganda (parecer que informa, parecer que dá voz ao povo) com o objetivo real do regime (manipular para legitimar-se). Alternativas C, D e E usam vocabulário democrático ("informações públicas", "participação democrática", "entendimento da população") que soa plausível, mas contradiz a essência ditatorial do Estado Novo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o controle midiático não buscava informar, educar ou democratizar o acesso à política, mas sim fabricar consentimento popular para sustentar um governo que chegara ao poder por golpe e governava sem eleições nem Congresso.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Estado Novo (1937-1945): fase ditatorial da Era Vargas, instaurada por golpe em novembro de 1937, com outorga de nova Constituição, fechamento do Congresso e extinção dos partidos políticos.
  • DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda): órgão criado em 1939 para censurar jornais, rádio e cinema e produzir propaganda oficial — o programa "Hora do Brasil" exaltava as obras do governo e a figura de Vargas.
  • Propaganda de massas no século XX: técnica dos regimes totalitários europeus (nazismo, fascismo), adaptada por regimes autoritários latino-americanos: seu objetivo não é informar com verdade, mas provocar adesão emocional e obediência política.
  • Legitimação de regimes autoritários: governos sem respaldo eleitoral precisam construir, por outros meios (culto à personalidade, propaganda, censura), uma imagem de apoio popular que substitua a legitimidade das urnas.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "os encarregados da propaganda procuraram aperfeiçoar-se na arte da empolgação e envolvimento das 'multidões'" → revela que o alvo da propaganda é a emoção coletiva, não a razão ou o debate político informado.
  • Evidência 2: "o significado das palavras importa pouco, pois [...] 'não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter determinado efeito'" → deixa explícito que o conteúdo informativo é irrelevante; o que importa é o resultado prático — adesão, entusiasmo, obediência.
  • Síntese: se a propaganda do Estado Novo não visava informar nem dizer a verdade, mas apenas produzir um "efeito" nas massas, esse efeito só pode ser a construção de apoio e aceitação popular a um governo que, por não ter sido eleito democraticamente, precisava se legitimar por outras vias.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do regime

O Estado Novo foi instaurado por golpe de Estado em 1937, sem eleições, com Congresso fechado e Constituição outorgada (a "Polaca"). Isso já elimina qualquer alternativa que associe o controle da mídia a práticas democráticas — como "participação democrática" ou "decisões políticas" tomadas pelas multidões.

Subpasso 4.2 — Interpretar a citação de Goebbels à luz do contexto

A citação central afirma que a propaganda não busca "dizer alguma coisa" (informar com conteúdo verdadeiro), mas "obter determinado efeito". Esse efeito, num regime ditatorial que precisa de sustentação política, é a adesão emocional das massas — transformar a população em plateia entusiasmada, não em cidadania crítica e informada.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando os dois pontos: o governo golpista controla imprensa, rádio e cinema (via DIP) não para informar ou dar voz política à sociedade, mas para fabricar uma imagem de apoio popular que compense a ausência de legitimidade eleitoral. Isso corresponde exatamente à alternativa que fala em "conquistar o apoio popular na legitimação do novo governo".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) conquistar o apoio popular na legitimação do novo governo.

✅ Correta: é exatamente o que a propaganda do Estado Novo buscava — como o regime não tinha respaldo eleitoral (chegou ao poder por golpe), precisava fabricar uma base de apoio popular através da manipulação emocional das massas, dando ares de legitimidade a um governo autoritário.

B) ampliar o envolvimento das multidões nas decisões políticas.

❌ Incorreta: o Estado Novo é o oposto disso — fechou o Congresso, extinguiu os partidos e concentrou as decisões no Executivo. "Envolvimento" emocional (empolgação) não é sinônimo de participação decisória; a população era mobilizada como espectadora, não como agente político.

C) aumentar a oferta de informações públicas para a sociedade civil.

❌ Incorreta: contradiz o texto-base, que afirma que "o significado das palavras importa pouco" — a propaganda não visa informar, mas produzir efeito emocional; o DIP existia sobretudo para censurar informações, não para ampliá-las.

D) estender a participação democrática dos meios de comunicação no Brasil.

❌ Incorreta: o Estado Novo suprimiu a liberdade de imprensa e centralizou o controle da comunicação no Estado; não há qualquer "extensão democrática" possível em contexto de censura estatal.

E) alargar o entendimento da população sobre as intenções do novo governo.

❌ Incorreta: assim como a alternativa C, supõe uma função esclarecedora da propaganda, quando o texto afirma o contrário — o objetivo não era fazer a população entender algo verdadeiro, mas fazê-la sentir um efeito favorável ao governo, independentemente do conteúdo das mensagens.

🏆 Gabarito: A — o controle da mídia pelo Estado Novo era instrumento para fabricar apoio popular e compensar, por meio da manipulação emocional das massas, a falta de legitimidade eleitoral de um governo golpista.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa A capta o papel funcional real da propaganda em regimes autoritários: não informar nem democratizar, mas legitimar o poder através do consentimento fabricado.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a Era Vargas (especialmente o Estado Novo) associando fontes históricas — trechos de historiadores, discursos, cartazes, músicas de rádio — ao funcionamento do aparato de propaganda e censura (DIP), sempre destacando o caráter manipulador dessas mensagens.
  • Generalização: em questões sobre propaganda de regimes autoritários (Estado Novo, nazismo, fascismo, ditadura militar), a resposta correta aponta para "legitimação do poder" e "manipulação/adesão emocional", nunca para "informação verdadeira" ou "participação democrática" — incompatíveis com censura e controle estatal da mídia.
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa com "democrática", "informações públicas" ou "entendimento" quando o enunciado descrever um regime ditatorial com censura — vocabulário que soa positivo, mas contradiz o contexto histórico.
  • Conexões: compare com a propaganda no nazismo (Goebbels e o Ministério da Propaganda do Reich) e com a censura na Ditadura Militar brasileira (1964-1985) — ambas exploram a mesma lógica: controlar a narrativa pública para legitimar o poder, não para informar a sociedade.

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