Mapa de questões · 1º dia
Questão 77 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Nas imagens constam informações sobre a formação de brisas em áreas litorâneas. Esse processo é resultado de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia (dinâmica atmosférica e circulação local de ventos)
- ⚡ Nível: Fácil — as próprias figuras trazem, de forma explícita, a relação entre temperatura e pressão que resolve a questão.
- 🎯 Tema/Habilidade: Formação das brisas marítima e terral por contraste térmico entre continente e oceano; leitura e interpretação de esquemas científicos.
- 🏆 Gabarito: B — revelado após a resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual fator físico explica a formação das brisas costeiras representadas nas duas figuras?"
- Palavras-chave decisivas: brisas, litorâneas, resultado de
- Armadilha típica: confundir a causa do fenômeno (a diferença de aquecimento entre terra e mar) com sua consequência imediata (a diferença de pressão atmosférica), o que leva o candidato a marcar alternativas que citam "pressão" sem perceber que elas descrevem o efeito, não a origem do processo.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que o motor de todo o sistema de brisas é a diferença na velocidade de aquecimento e resfriamento entre a superfície continental e a massa oceânica ao longo do dia — e não a pressão, a umidade ou o relevo isoladamente.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Calor específico: a terra tem calor específico menor que a água, por isso aquece e esfria muito mais rápido que o oceano ao longo do dia.
- Relação temperatura–densidade–pressão: ar mais quente se expande, fica menos denso e sobe, formando uma área de baixa pressão à superfície; ar mais frio é mais denso, desce e forma alta pressão.
- Circulação de vento: o ar sempre se desloca da área de alta pressão para a de baixa pressão, gerando o vento (brisa).
- Brisa marítima (dia): a terra aquece rápido e fica mais quente que o mar → baixa pressão sobre o continente e alta pressão sobre o mar → vento sopra do mar para a terra.
- Brisa terral (noite): a terra perde calor rápido e fica mais fria que o mar → alta pressão sobre o continente e baixa pressão sobre o mar → vento sopra da terra para o mar.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: Figura 1 — "FORMAÇÃO DA BRISA MARINHA": a terra aparece rotulada como QUENTE e o mar como MORNO; sobre a terra há BAIXA PRESSÃO e sobre o mar, ALTA PRESSÃO → mostra que, de dia, a terra se aquece mais rápido que o mar, e essa diferença térmica gera a inversão de pressão que puxa o vento do mar em direção ao continente.
- Evidência 2: Figura 2 — "FORMAÇÃO DO TERRAL": agora a terra aparece rotulada como FRIO e o mar continua MORNO; sobre a terra há ALTA PRESSÃO e sobre o mar, BAIXA PRESSÃO → mostra que, à noite, a terra esfria mais rápido que o mar, invertendo completamente o padrão de pressão e, consequentemente, o sentido do vento.
- Síntese: o único elemento que muda entre as duas figuras — e que é responsável por inverter o sentido do vento de dia para noite — é a temperatura da superfície (terra ora quente, ora fria, enquanto o mar permanece "morno" nos dois casos, por ter maior inércia térmica). Isso comprova que o fator gerador do fenômeno é o aquecimento diferencial das superfícies, e não a pressão, a umidade ou o relevo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno representado nas figuras
As duas imagens retratam os dois momentos clássicos da circulação local de ventos em áreas costeiras: a brisa marítima, que sopra do mar para a terra durante o dia, e o terral (brisa terrestre), que sopra da terra para o mar durante a noite. Ambos os fenômenos decorrem da troca de calor entre o continente e o oceano ao longo do ciclo dia–noite.
Subpasso 4.2 — Relacionar temperatura, densidade e pressão em cada figura
Durante o dia (Figura 1), a radiação solar aquece a terra muito mais rapidamente que o mar, pois sólidos têm menor calor específico que a água. Com a terra "quente", o ar sobre ela se expande, torna-se menos denso e sobe, formando uma célula de baixa pressão junto à superfície continental. Sobre o mar, que se mantém apenas "morno" (aquece devagar), o ar permanece relativamente mais frio e denso, gerando alta pressão. Como o vento sempre flui da alta para a baixa pressão, o ar se desloca do mar para a terra: é a brisa marítima.
À noite (Figura 2), o processo se inverte: a terra perde calor rapidamente por irradiação e fica "fria", com ar denso e alta pressão à superfície; o mar, por sua inércia térmica, ainda está "morno" e mais quente que a terra, mantendo ar menos denso e baixa pressão. O vento passa então a soprar da terra (alta pressão) para o mar (baixa pressão): é o terral.
Subpasso 4.3 — Verificação
Em ambos os casos, a causa primeira de tudo — que determina se a terra estará mais quente ou mais fria que o mar em cada momento do dia — é a diferença na velocidade de aquecimento e resfriamento entre as duas superfícies, isto é, o aquecimento diferencial da superfície. As diferenças de pressão e o próprio vento são consequências desse aquecimento desigual, não a causa original. Esse raciocínio confirma diretamente a alternativa B.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) uniformidade do gradiente de pressão atmosférica.
❌ Incorreta: as figuras mostram exatamente o contrário de uniformidade — um gradiente de pressão bem marcado e assimétrico entre terra e mar, que ainda se inverte de dia para noite. É justamente essa não uniformidade (a diferença de pressão) que produz o vento; se o gradiente fosse uniforme, não haveria brisa alguma.
B) aquecimento diferencial da superfície.
✅ Correta: é exatamente o que as duas figuras ilustram — terra e mar aquecem e resfriam em ritmos distintos ao longo do dia (a terra varia entre "quente" e "fria", enquanto o mar permanece "morno"), e essa diferença térmica entre as superfícies é a causa de origem das diferenças de pressão que geram tanto a brisa marítima quanto o terral.
C) quedas acentuadas de médias térmicas.
❌ Incorreta: o fenômeno das brisas ocorre em escala de horas, dentro do mesmo dia, e envolve o contraste de temperatura entre duas superfícies vizinhas (terra e mar) — não "quedas acentuadas de médias térmicas", expressão associada a variações climáticas de prazo mais longo (estações do ano, frentes frias, eventos climáticos), que não aparece representada nas figuras.
D) mudanças na umidade relativa do ar.
❌ Incorreta: em nenhum momento as figuras mencionam ou representam umidade; todos os rótulos giram em torno de temperatura (quente/morno/frio) e pressão (alta/baixa). A umidade não é o fator explicativo do fenômeno retratado.
E) variações altimétricas acentuadas.
❌ Incorreta: as figuras não representam relevo nem diferenças de altitude — terra e mar estão desenhados praticamente no mesmo nível. O fenômeno decorre do contraste térmico horizontal entre duas superfícies distintas, e não de desníveis topográficos.
🏆 Gabarito: B — as figuras demonstram, passo a passo, que a inversão do sentido do vento entre dia e noite é causada pela diferença na velocidade de aquecimento e resfriamento entre a terra e o mar, ou seja, pelo aquecimento diferencial da superfície.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a letra B é a única alternativa que aponta a causa raiz do fenômeno — o aquecimento diferencial entre terra e mar —, enquanto as demais alternativas descrevem consequências (pressão), fatores ausentes nas figuras (umidade, altitude) ou conceitos de outra escala temporal (quedas de média térmica).
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa esquemas simples com setas e rótulos de temperatura/pressão para testar se o aluno entende a lógica de causa e efeito da climatologia dinâmica, não apenas a memorização de nomes como "brisa marítima" e "terral".
- Generalização: sempre que uma questão de geografia física apresentar um ciclo de inversão de vento entre dia e noite (ou entre estações), a explicação de fundo quase sempre remete ao aquecimento diferencial de superfícies com propriedades térmicas distintas (terra x água, urbano x rural, etc.).
- Dica de eliminação rápida: elimine imediatamente alternativas que mencionem elementos que não aparecem no esquema (aqui, "umidade" e "variações altimétricas" não têm nenhuma representação visual) e desconfie de palavras como "uniformidade" quando o desenho mostra justamente contraste entre duas áreas.
- Conexões: o mesmo raciocínio de aquecimento diferencial explica as ilhas de calor urbanas e os ventos de monção, temas frequentemente cobrados em conjunto pelo ENEM.
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