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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 56ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Os maiores consumidores da infraestrutura logística para exportação no Brasil são os produtos a granel, dentre os quais se destacam o minério de ferro, petróleo e seus derivados e a soja, que, por possuírem baixo valor agregado, e por serem movimentados em grandes volumes, necessitam de uma infraestrutura de grande porte e baixos custos. No caso da soja, a infraestrutura deixa muito a desejar, resultando em enormes filas de navios, caminhões e trens, que, por ficarem grande parte do tempo ociosos nas filas, têm seu custo majorado, onerando fortemente o exportador, afetando sua margem de lucro e ameaçando nossa competitividade internacional.

FLEURY, P. F. A infraestrutura e os desafios logísticos das exportações brasileiras. 
Rio de Janeiro: CEL; Coppead; UFRJ, 2005 (adaptado).

No contexto do início do século XXI, uma ação para solucionar os problemas logísticos da soja apresentados no texto seria a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia dos Transportes e Geografia Econômica do Brasil (infraestrutura logística e agronegócio)
  • ⚡ Nível: Médio — exige articular a leitura crítica do texto-base com conhecimento concreto sobre a matriz de transportes e a infraestrutura portuária brasileira.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Infraestrutura de transportes e logística de exportação do agronegócio; competência de relacionar transformações no espaço geográfico a intervenções técnicas concretas do território.
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual intervenção, no início do século XXI, resolveria o gargalo logístico da exportação de soja descrito no texto?"
  • Palavras-chave decisivas: infraestrutura de grande porte, filas de navios, custo majorado
  • Armadilha típica: confundir o problema físico-estrutural narrado no texto (falta de capacidade de embarque) com questões de outra natureza — tributária, comercial, trabalhista ou de segurança pública — que aparecem como alternativas "plausíveis" mas não atacam a causa descrita.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar que o gargalo central é a insuficiência de capacidade física de carregamento nos portos, e reconhecer qual intervenção amplia essa capacidade.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Matriz de transportes brasileira: o Brasil escoa a maior parte de sua produção agrícola pelo modal rodoviário, mais caro, menos eficiente e mais lento para grandes volumes a longas distâncias do que ferrovias e hidrovias, o que encarece o chamado "Custo Brasil".
  • Gargalo logístico (bottleneck): ponto do sistema de transporte e armazenagem cuja capacidade é insuficiente para atender à demanda, gerando filas, atrasos e sobrecusto — exatamente o cenário de navios, caminhões e trens ociosos descrito no texto.
  • Terminais atracadouros (terminais portuários graneleiros): estruturas de cais, berços de atracação, esteiras transportadoras e silos que determinam a velocidade com que a carga é transferida do caminhão/trem para o navio. Sua ampliação é a intervenção clássica usada no Brasil, desde os anos 2000, para reduzir filas em portos exportadores de grãos, como Santos, Paranaguá, Itaqui e os novos terminais do arco norte (Miritituba, Barcarena).

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "necessitam de uma infraestrutura de grande porte e baixos custos" → o texto já indica que a solução precisa ser estrutural e de grande escala, descartando medidas pontuais de caráter fiscal, comercial ou administrativo.
  • Evidência 2: "enormes filas de navios, caminhões e trens, que, por ficarem grande parte do tempo ociosos nas filas, têm seu custo majorado" → o problema se manifesta como fila de veículos aguardando para carregar, sintoma característico de insuficiência de capacidade de atracação e carregamento nos terminais portuários exportadores.
  • Síntese: o texto descreve um estrangulamento na etapa final do escoamento — o embarque nos portos —, de modo que a solução coerente deve ampliar diretamente essa capacidade física de carregamento, e não atuar sobre custos tributários, mercados consumidores, mão de obra ou segurança viária.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar a natureza do problema

O texto de Fleury descreve um problema físico-operacional: grandes volumes de soja chegam aos portos (por caminhão e trem) mais rápido do que os terminais conseguem carregá-los nos navios. Isso gera filas simultâneas nos três modais — rodoviário, ferroviário e marítimo — porque todos convergem para o mesmo gargalo final: a capacidade de atracação e embarque.

Subpasso 4.2 — Relacionar com a política de infraestrutura real do início do século XXI

A partir dos anos 2000, e de forma intensificada com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento, a partir de 2007), o Brasil investiu na ampliação e construção de novos terminais portuários graneleiros — tanto públicos quanto arrendados à iniciativa privada — para aumentar a capacidade simultânea de carregamento de navios. Exemplos concretos incluem a expansão dos terminais de Santos (SP) e Paranaguá (PR), a modernização de Itaqui (MA) e a criação de terminais no chamado "arco norte" (Miritituba/PA, Barcarena/PA, Santarém/PA), que reduziram a distância média de transporte rodoviário da soja do Centro-Oeste e diminuíram o tempo de fila dos navios.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao comparar essa solução com o texto: mais berços de atracação e maior capacidade de esteiras/silos significam mais navios sendo carregados ao mesmo tempo, o que reduz diretamente as "enormes filas de navios" e o tempo ocioso relatado. Essa é exatamente a lógica da alternativa B — construção de terminais atracadouros —, confirmando-a como resposta coerente com a causa descrita no texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) isenção de impostos de transportes.

❌ Incorreta: medida de natureza fiscal, que poderia reduzir custos tributários do frete, mas não amplia a capacidade física de carregamento nos portos — as filas de navios continuariam existindo mesmo sem impostos sobre o transporte, pois o gargalo é estrutural, não tributário.

B) construção de terminais atracadouros.

✅ Correta: amplia diretamente a capacidade de atracação e embarque nos portos, permitindo carregar mais navios simultaneamente e reduzindo o tempo de fila e a ociosidade denunciados no texto — ataca a causa física do problema logístico da soja.

C) diversificação dos parceiros comerciais.

❌ Incorreta: atua sobre a dimensão comercial (para quem se vende), não sobre a infraestrutura de escoamento (como se transporta e embarca); mesmo com novos compradores, a soja continuaria enfrentando as mesmas filas nos portos brasileiros.

D) contratação de trabalhadores portuários.

❌ Incorreta: mais mão de obra não resolve a limitação física de berços de atracação, esteiras e capacidade de armazenagem — o gargalo descrito é estrutural e de capacidade instalada, não de escassez de trabalhadores.

E) intensificação do policiamento das rodovias.

❌ Incorreta: trata de segurança viária, tema não mencionado nem implícito no texto, que fala de ociosidade e sobrecusto por filas, não de roubos, acidentes ou violência nas estradas.

🏆 Gabarito: B — a construção de terminais atracadouros amplia a capacidade de carregamento portuário, atacando diretamente a causa física das filas de navios, caminhões e trens descrita no texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa B propõe uma intervenção física de grande porte na infraestrutura de embarque, exatamente o tipo de solução que o texto exige ao descrever filas de veículos ociosos aguardando carregamento.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra a relação entre a matriz de transportes brasileira (dependência rodoviária, escoamento de commodities agrícolas) e os investimentos em infraestrutura (portos, ferrovias, hidrovias) como resposta aos gargalos logísticos do agronegócio.
  • Generalização: em questões sobre "problema logístico → solução", identifique primeiro a natureza do gargalo descrito no texto (físico, comercial, fiscal, trabalhista ou de segurança) e escolha a alternativa que atue exatamente sobre essa mesma natureza.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que tratem de segurança (policiamento) e de comércio exterior (parceiros comerciais), pois não dialogam com "filas e custo ocioso"; entre impostos, mão de obra e terminais, fique com a que amplia capacidade física — terminais atracadouros.
  • Conexões: tema conectado a questões sobre a matriz de transportes do Brasil, o Custo Brasil, o agronegócio no Centro-Oeste e os investimentos do PAC em portos e ferrovias (Ferronorte, Norte-Sul, arco norte).

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