Mapa de questões · 1º dia
Questão 27 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
Nuances
Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa.
Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão.
Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais.
Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército.
Menta: no sorvete, na bala ou no xarope. Hortelã: na horta ou no suco de abacaxi.
Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele.
DUVIVIER, G. Folha de S. Paulo, 24 mar. 2014 (adaptado).
O texto trata da diferença de sentido entre vocábulos muito próximos. Essa diferença é apresentada considerando-se a(s)
Alternativas
Resolução
📋 Ficha da questão
- Matéria: Português → Semântica → sinonímia e adequação de registro
- Habilidade: H24 — reconhecer em textos de diferentes gêneros recursos verbais e não verbais utilizados com a finalidade de criar e mudar comportamentos e hábitos
- Nível: Fácil — o texto explicita o critério em cada par; basta perceber que todas as definições descrevem onde ou quando se usa cada palavra
- Gabarito: revelado no Passo 4
🔎 Passo 1 — Leitura estratégica do comando
- O comando, em uma linha: qual é o critério que Gregorio Duvivier usa para separar palavras de sentido muito parecido.
- Palavras-chave decisivas: diferença de sentido entre vocábulos muito próximos, Essa diferença é apresentada considerando-se. O item não pergunta o que as palavras significam; pergunta com base em que o texto as distingue.
- A armadilha: procurar diferença dentro da palavra — no som, na flexão, na grafia, na classe gramatical. Todas as alternativas erradas apontam para propriedades internas do vocábulo, e nenhuma delas varia nos pares apresentados.
- O que a resposta precisa mostrar: que você identifica um critério externo à palavra: a situação em que ela é empregada.
📚 Passo 2 — Revisão do conteúdo
- Sinonímia: relação entre palavras de significado próximo. Sinonímia perfeita praticamente não existe: quase sempre há diferença de intensidade, de valor afetivo ou de contexto. É essa margem que a crônica explora.
- Variação diafásica (ou de registro): variação da língua conforme a situação de comunicação — quem fala, com quem, onde, com que grau de formalidade. É o tipo de variação que o texto inteiro descreve, embora não use o termo.
- Adequação: escolher a forma que combina com a situação. Não se trata de certo e errado gramatical: "grávida" e "gestante" são igualmente corretas: o que muda é onde cada uma soa natural.
- Denotação e conotação: denotação é o sentido de dicionário; conotação, o valor agregado pelo uso. "Espetáculo" e "peça" denotam o mesmo objeto; "espetáculo" carrega prestígio, e por isso aparece na boca de quem está em cartaz.
- Nuance: diferença sutil. O título do texto já anuncia que as distinções serão de grau e de contexto, não de significado básico.
🧭 Passo 3 — Decodificação do enunciado
- Evidência 1: "Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais." → a definição não descreve a mulher: descreve o lugar onde cada palavra aparece. É o exemplo mais transparente do critério do texto.
- Evidência 2: "Guardar: na gaveta. Salvar: no computador. Salvaguardar: no Exército." → três verbos de sentido aparentado, separados por três domínios de uso: o doméstico, o digital, o militar.
- Evidência 3: "Gravar: quando o ator é de televisão. Filmar: quando ele quer deixar claro que não é de televisão." → aqui a distinção depende de quem fala e da imagem que essa pessoa quer projetar. Continua sendo situação de uso, agora com valor social embutido.
- Evidência 4: "Peça: quando você vai assistir. Espetáculo: quando você está em cartaz com ele." → o mesmo objeto recebe nomes diferentes conforme a posição do falante: plateia ou elenco.
- Evidência 5: "Euforia: alegria barulhenta. Felicidade: alegria silenciosa." → único par definido por intensidade, e ainda assim sem qualquer apoio em som, forma ou classe da palavra.
- Síntese: em cinco dos seis pares, a definição responde à pergunta "em que situação se diz isso?". Nenhuma definição menciona pronúncia, terminação, ortografia ou classe gramatical.
🧠 Passo 4 — Resolução passo a passo
4.1 — Reparar no formato das definições
Duvivier escreve cada verbete no molde "palavra: circunstância". Note o que aparece depois dos dois-pontos:
- "em qualquer ocasião" → circunstância
- "em filas e assentos preferenciais" → lugar
- "na gaveta", "no computador", "no Exército" → domínio
- "quando o ator é de televisão" → condição
- "quando você está em cartaz com ele" → posição do falante
Nenhum verbete traz um significado de dicionário. Todos trazem um contexto.
4.2 — Testar a hipótese contrária
Para confirmar, verifique se alguma outra propriedade poderia explicar os pares:
- som: "grávida" e "gestante" não formam par sonoro, e o texto não brinca com rima nem com pronúncia.
- flexão: todos os pares estão no mesmo gênero, número e forma — "guardar", "salvar" e "salvaguardar" são todos infinitivos.
- grafia: as doze palavras estão escritas conforme a norma-padrão; não há erro nem variante ortográfica em discussão.
- classe gramatical: substantivo contra substantivo ("euforia"/"felicidade", "peça"/"espetáculo"), verbo contra verbo ("gravar"/"filmar", "guardar"/"salvar"), adjetivo contra substantivo apenas em "grávida"/"gestante" — e mesmo aí a diferença apontada não é a classe, é o lugar de uso.
Nenhuma das quatro propriedades varia de modo sistemático. Só o contexto varia.
4.3 — Verificação
O critério que atravessa os seis pares é um só: a situação em que cada palavra é adequada. Gabarito: B.
✅❌ Passo 5 — Análise das alternativas
❌ (A) alternâncias na sonoridade — Nenhum verbete comenta pronúncia, sílaba tônica, rima ou aliteração. "Guardar", "salvar" e "salvaguardar" compartilham material sonoro, mas o texto os separa por gaveta, computador e Exército — critério de domínio, não de som. A alternativa aproveita a impressão de que crônica sobre palavras costuma brincar com sons.
✅ (B) adequação às situações de uso — Todos os verbetes definem a palavra pela circunstância em que ela cabe, e não pelo que ela significa. "Grávida: em qualquer ocasião. Gestante: em filas e assentos preferenciais" é a formulação mais nítida disso: a mesma condição recebe nomes diferentes conforme o contexto institucional em que é mencionada. O mesmo vale para peça e espetáculo, separados pela posição do falante — plateia ou elenco.
❌ (C) marcação flexional das palavras — Flexão é variação de gênero, número, grau, tempo, modo ou pessoa. Os pares do texto não flexionam nada: "gravar" e "filmar" estão ambos no infinitivo, "euforia" e "felicidade" são ambos femininos singulares. Se a diferença fosse flexional, teríamos a mesma palavra em duas formas, e o que há são palavras distintas.
❌ (D) grafia na norma-padrão da língua — As doze palavras estão grafadas corretamente e todas pertencem à norma-padrão. O texto não discute como se escreve nada, nem apresenta variante ortográfica em disputa. Esta alternativa confunde adequação de uso com correção ortográfica — duas coisas independentes: escrever certo não garante escolher a palavra apropriada à situação.
❌ (E) categorias gramaticais das palavras — A classe se mantém dentro de cada par: substantivo com substantivo, verbo com verbo. E, no único par em que as classes poderiam divergir — "grávida", adjetivo, e "gestante" —, o texto passa ao largo disso e aponta filas e assentos preferenciais. Classificar as palavras não explicaria nenhuma das nuances apresentadas.
Gabarito: B — cada verbete define a palavra pela circunstância em que ela é empregada, e não por som, forma, escrita ou classe; o critério do texto é a adequação ao contexto.
🏁 Passo 6 — Generalização e dica de prova
- Por que só B se sustenta: A, C, D e E apontam propriedades internas ao vocábulo, e nenhuma delas varia nos pares. B é a única que descreve um critério externo — a situação —, que é justamente o que todas as definições explicitam.
- Como o ENEM cobra isso: crônicas e tirinhas sobre palavras aparecem com frequência em Linguagens, e o item quase sempre pergunta pelo critério de distinção. A resposta raramente é gramatical: costuma ser pragmática, ligada a contexto, interlocutor, grau de formalidade ou intenção.
- A regra geral: quando duas palavras significam quase a mesma coisa, o que as separa é o uso. Sinônimos perfeitos praticamente não existem; existem palavras que cabem em situações diferentes.
- Eliminação em 30 segundos: leia só o que vem depois dos dois-pontos em cada verbete. Se aparecerem lugares e circunstâncias — "na gaveta", "em filas", "quando você está em cartaz" —, a resposta é uso. Isso resolve o item sem analisar uma palavra sequer.
- Temas que costumam vir junto: variação linguística (diatópica, diastrática, diafásica), preconceito linguístico, adequação de registro em redação, denotação e conotação, e jargões profissionais.
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