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Mapa de questões · 1º dia
HumanasHistóriaMédio

Questão 62ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o campo, entre os preços agrícolas e os preços industriais, reativar o mercado interno — o único que é importante —, pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas, isto é, dos lavradores e operários, e pela regulamentação das condições de emprego.

CROUZET, M. Os Estados perante a crise. In: História geral das civilizações.  São Paulo: Difel, 1977 (adaptado).

Tendo como referência os condicionantes históricos do entreguerras, as medidas governamentais descritas objetivavam

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: História → Crise de 1929, New Deal e intervencionismo estatal (bases do keynesianismo)
  • ⚡ Nível: Médio — a resposta exige articular o texto de Crouzet com o conceito histórico de intervenção estatal na economia, e não apenas reconhecer o nome "New Deal"
  • 🎯 Tema/Habilidade: O New Deal como resposta à Grande Depressão; competência de relacionar processos históricos e ler criticamente textos historiográficos
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual era o objetivo de fundo das medidas do New Deal descritas no texto?"
  • Palavras-chave decisivas: restabelecer o equilíbrio, reativar o mercado interno, controle de preços e da produção
  • Armadilha típica: confundir "intervenção estatal reguladora" com "liberalização financeira" ou com "contenção de crédito" — alternativas que descrevem o oposto do que o texto propõe
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o candidato entende o New Deal como ruptura com o liberalismo clássico, em que o Estado passa a agir diretamente sobre preços, salários, produção e emprego para reconstruir a economia

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Crise de 1929: quebra da bolsa de Nova York seguida de colapso do crédito, superprodução industrial e agrícola sem consumo correspondente e desemprego em massa nos EUA
  • Liberalismo econômico clássico: doutrina que prega o mercado autorregulado, sem intervenção estatal; foi essa lógica que vigorava até 1929 e que se mostrou incapaz de conter a Depressão
  • New Deal: conjunto de políticas públicas lançado por Franklin D. Roosevelt a partir de 1933 para reerguer a economia norte-americana por meio da ação direta do Estado
  • Intervenção estatal (base keynesiana): o Estado assume o papel de regular preços, sustentar salários, controlar a produção e ampliar o poder de compra da população, restaurando as condições para a acumulação de capital

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o campo" → mostra o Estado corrigindo distorções econômicas por decisão política, não pela "mão invisível" do mercado
  • Evidência 2: "reativar o mercado interno [...] pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários [...] e pela regulamentação das condições de emprego" → enumera instrumentos concretos de intervenção estatal (controle de preços, controle de produção, política salarial, legislação trabalhista)
  • Síntese: o texto descreve, ponto a ponto, o núcleo do intervencionismo estatal: o governo assume o comando de variáveis antes deixadas ao mercado para reconstruir a capacidade produtiva e de consumo da economia norte-americana

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Situar o texto no tempo histórico

O trecho de Crouzet descreve as medidas adotadas pelos Estados Unidos "perante a crise" — ou seja, no contexto do entreguerras, após o crash de 1929. Roosevelt assume a presidência em 1933, em meio à Grande Depressão, e lança o New Deal como resposta ao colapso do modelo liberal clássico, que confiava no ajuste automático do mercado.

Subpasso 4.2 — Identificar a natureza das medidas descritas

Cada ação citada no texto é uma forma de intervenção direta do Estado na economia:

  • "controle de preços e da produção" → o governo passa a regular a oferta, evitando tanto a superprodução quanto a queda vertiginosa de preços;
  • "revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas" → política de renda para sustentar o consumo interno;
  • "regulamentação das condições de emprego" → legislação trabalhista que normatiza jornada, salário mínimo e direitos dos trabalhadores.

Nenhuma dessas medidas é espontânea de mercado: todas dependem de decisão e execução estatal.

Subpasso 4.3 — Verificação

Ao reunir as evidências, conclui-se que o objetivo comum de todas as medidas é usar o Estado como agente ativo para recompor as condições que permitem à economia voltar a produzir, vender e lucrar — isto é, recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal. Esse enunciado corresponde exatamente à alternativa E, confirmando o gabarito.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) flexibilizar as regras do mercado financeiro.

❌ Incorreta: o New Deal caminhou no sentido oposto — reforçou a regulação financeira, criando mecanismos de fiscalização e controle (como a separação entre bancos comerciais e de investimento e a criação de órgãos de supervisão do mercado de ações) justamente porque a especulação desregulada havia sido uma das causas da crise.

B) fortalecer o sistema de tributação regressiva.

❌ Incorreta: tributação regressiva onera proporcionalmente mais quem ganha menos, o que contradiz o texto, que fala em "revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas" — uma lógica de sustentação da renda popular, não de sobrecarga tributária sobre ela.

C) introduzir os dispositivos de contenção creditícia.

❌ Incorreta: "conter o crédito" significa restringir ainda mais a circulação de dinheiro, o que aprofundaria a recessão. O texto propõe o contrário: "reativar o mercado interno", o que exige estímulo ao consumo e ao investimento, não contenção.

D) racionalizar os custos da automação industrial mediante negociação sindical.

❌ Incorreta: automação industrial é um anacronismo em relação ao problema histórico de 1929, que era a superprodução sem consumo correspondente, e não o avanço tecnológico. O texto não trata de negociação sindical sobre automação em nenhum momento.

E) recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal.

✅ Correta: é exatamente o que o texto descreve — o Estado controlando preços e produção, revalorizando salários e regulamentando o emprego para restabelecer o equilíbrio econômico e permitir que a economia volte a gerar lucro e crescimento.

🏆 Gabarito: E — todas as medidas citadas (controle de preços e produção, revalorização salarial, regulamentação do emprego) são formas de intervenção estatal destinadas a recompor as condições de acumulação econômica abaladas pela crise de 1929.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa E é a única que sintetiza corretamente o conjunto de medidas descritas — todas são instrumentos de ação estatal sobre a economia, e não de liberalização ou contenção.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente traz trechos historiográficos sobre a Crise de 1929 e o New Deal para testar se o candidato entende a ruptura com o liberalismo clássico e a ascensão do Estado intervencionista (base do Estado de bem-estar social do pós-guerra).
  • Generalização: sempre que um texto descrever o Estado controlando preços, salários, produção ou crédito para reequilibrar a economia, a resposta apontará para "intervenção estatal" — nunca para liberalização, desregulação ou contenção de crédito.
  • Dica de eliminação rápida: leia o verbo-chave de cada alternativa: "flexibilizar" (A) e "contenção" (C) contradizem "reativar o mercado" do texto; "tributação regressiva" (B) contradiz "revalorização... do poder aquisitivo das massas"; "automação industrial" (D) é tema ausente do texto. Sobra apenas a alternativa que fala em intervenção estatal.
  • Conexões: o tema dialoga com o keynesianismo, o Estado de bem-estar social europeu do pós-1945 e, por contraste, com o neoliberalismo das décadas de 1980-1990, que reverteu boa parte desse intervencionismo.

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