Mapa de questões · 1º dia
Questão 72 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
Trata-se da perda progressiva da produtividade de biomas inteiros, afetando parcelas muito expressivas dos domínios subúmidos e semiáridos em todas as regiões quentes do mundo. É nessas áreas, ecologicamente transicionais, que a pressão sobre a biomassa se faz sentir com muita força, devido à retirada da cobertura florestal, ao superpastoreio e às atividades mineradoras não controladas, desencadeando um quadro agudo de degradação ambiental, refletido pela incapacidade de suporte para o desenvolvimento de espécies vegetais, seja uma floresta natural ou plantações agrícolas.
CONTI, J. B. A geografia física e as relações sociedade-natureza no mundo tropical. In: CARLOS, A. F. A. (Org.).
Novos caminhos da geografia. São Paulo: Contexto, 1999 (adaptado).
O texto enfatiza uma consequência da relação conflituosa entre a sociedade humana e o ambiente, que diz respeito ao processo de
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Degradação Ambiental e Domínios Morfoclimáticos (áreas subúmidas e semiáridas)
- ⚡ Nível: Médio — exige distinguir processos ambientais parecidos (desertificação, eutrofização, contaminação, poluição) a partir de pistas textuais específicas.
- 🎯 Tema/Habilidade: Desertificação como consequência da ação antrópica sobre biomas frágeis; competência de leitura e interpretação de texto geográfico-científico.
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual processo ambiental o texto está descrevendo, resultante do conflito entre sociedade e natureza?"
- Palavras-chave decisivas: perda progressiva da produtividade, subúmidos e semiáridos, incapacidade de suporte para... espécies vegetais
- Armadilha típica: confundir o processo descrito com poluição atmosférica ou contaminação do solo só porque o texto menciona "atividades mineradoras" — o candidato foca numa causa isolada e perde o efeito central, que é a perda de produtividade biológica da terra.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar que a soma das causas (desmatamento, superpastoreio, mineração descontrolada) gera um único resultado nomeado tecnicamente na Geografia: a degradação do solo e da vegetação até o ponto de esterilidade produtiva, típica de climas secos e subúmidos.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Desertificação: processo de degradação da terra em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, causado por variações climáticas e, principalmente, por atividades humanas (desmatamento, superpastoreio, uso inadequado do solo), que reduz drasticamente a produtividade biológica do ambiente.
- Domínios subúmidos e semiáridos: zonas de transição climática (ecótonos), com baixa resiliência ecológica, onde o equilíbrio entre solo, vegetação e água é mais frágil e qualquer pressão extra rompe o sistema com mais facilidade que em áreas úmidas.
- Superpastoreio: criação de gado em densidade acima da capacidade de suporte da vegetação nativa, que impede a regeneração das pastagens e expõe o solo à erosão — uma das principais causas antrópicas da desertificação no mundo.
- Distinção com outros processos ambientais: poluição atmosférica e inversão térmica dizem respeito ao ar; eutrofização e contaminação de solos/água tratam de excesso de nutrientes ou substâncias tóxicas — nenhum desses processos explica "perda de produtividade de biomas inteiros" pela incapacidade do solo sustentar vegetação.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "perda progressiva da produtividade de biomas inteiros... nos domínios subúmidos e semiáridos" → localiza o fenômeno exatamente nas faixas climáticas onde a desertificação é classicamente estudada (bordas do Saara, sertão nordestino, Sahel africano, etc.).
- Evidência 2: "retirada da cobertura florestal, superpastoreio e atividades mineradoras não controladas" → apresenta o tripé clássico de causas antrópicas da desertificação, todas ligadas à remoção da proteção vegetal do solo.
- Evidência 3: "incapacidade de suporte para o desenvolvimento de espécies vegetais, seja uma floresta natural ou plantações agrícolas" → é a definição operacional de solo desertificado: perdeu a fertilidade e a estrutura necessárias para sustentar qualquer cobertura vegetal, nativa ou cultivada.
- Síntese: as três evidências, somadas, descrevem passo a passo o mecanismo da desertificação — causa (pressão antrópica em área ecologicamente vulnerável) e efeito (esterilização progressiva do solo) —, não havendo menção a ar, água ou substâncias químicas que apontariam para os demais processos das alternativas.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o núcleo do problema descrito
O texto de Conti fala em "perda progressiva da produtividade de biomas inteiros" em áreas "subúmidas e semiáridas" de "todas as regiões quentes do mundo". Esse recorte geográfico e climático é a primeira pista forte: desertificação (no sentido técnico usado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação) é definida justamente como degradação da terra em zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas — nunca em florestas tropicais úmidas ou climas temperados.
Subpasso 4.2 — Conectar causas às consequências
As causas listadas (retirada da cobertura florestal, superpastoreio, mineração não controlada) são ações humanas que removem a proteção vegetal e expõem o solo à erosão eólica e hídrica. Sem cobertura vegetal, o solo perde matéria orgânica, compacta-se ou erode, e sua capacidade de reter água e nutrientes despenca. O resultado final descrito — "incapacidade de suporte para o desenvolvimento de espécies vegetais" — é exatamente a definição de solo desertificado: uma área que, mesmo sem se tornar um "deserto" no sentido paisagístico, passa a se comportar como um.
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando com as alternativas, apenas a opção que menciona diretamente a perda de produtividade biológica de ecossistemas em áreas secas ("desertificação de ecossistemas") converge com todas as evidências textuais levantadas. As demais tratam de fenômenos que envolvem outros meios (ar, água, contaminantes químicos), não mencionados nem implicados como resultado final do texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) inversão térmica.
❌ Incorreta: a inversão térmica é um fenômeno atmosférico em que uma camada de ar frio fica retida sob uma camada de ar quente, impedindo a dispersão de poluentes — típico de áreas urbanas e industriais, sem qualquer relação com produtividade de solos ou vegetação.
B) poluição atmosférica.
❌ Incorreta: refere-se à emissão de gases e partículas nocivas no ar, geralmente associada à queima de combustíveis fósseis e processos industriais. O texto não menciona qualidade do ar em nenhum momento; seu foco é a incapacidade produtiva da terra.
C) eutrofização da água.
❌ Incorreta: eutrofização é o excesso de nutrientes (nitrogênio e fósforo) em corpos d'água, geralmente por fertilizantes e esgoto, causando proliferação de algas e redução de oxigênio dissolvido. O texto não trata de corpos hídricos, e sim de biomas terrestres.
D) contaminação dos solos.
❌ Incorreta: essa opção é a mais tentadora, pois o texto fala em solo e mineração. Porém, contaminação diz respeito à presença de substâncias tóxicas (metais pesados, agrotóxicos) que tornam o solo impróprio por toxicidade química, não à perda física de produtividade por erosão e superexploração — que é o que o texto descreve.
E) desertificação de ecossistemas.
✅ Correta: o texto descreve com precisão o processo de desertificação — degradação ambiental em áreas subúmidas e semiáridas, causada por desmatamento, superpastoreio e mineração descontrolada, resultando na perda da capacidade produtiva do solo para sustentar vegetação natural ou cultivada.
🏆 Gabarito: E — o texto de Conti descreve, do início ao fim, o mecanismo causal da desertificação: pressão antrópica sobre biomas frágeis de clima seco culminando na perda da capacidade produtiva do solo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: somente a letra E nomeia corretamente um processo que (1) ocorre em áreas subúmidas/semiáridas, (2) é causado por desmatamento, superpastoreio e mineração, e (3) resulta em perda de produtividade vegetal — os três critérios exigidos simultaneamente pelo texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa textos de autores da geografia física brasileira (como Conti, Ab'Sáber) para testar se o aluno reconhece processos de degradação ambiental descritos de forma técnica, sem citar o nome do fenômeno diretamente — a resposta exige "traduzir" a descrição para o conceito.
- Generalização: em questões desse tipo, identifique primeiro o "meio afetado" (solo, água, ar) e depois a "natureza do dano" (perda de fertilidade/produtividade × contaminação química × excesso de nutrientes × fenômeno atmosférico); a combinação correta desses dois eixos elimina quase todas as alternativas erradas.
- Dica de eliminação rápida: ao ver "solo + vegetação + perda de produtividade" no enunciado, já é possível excluir de cara as opções sobre ar (inversão térmica, poluição atmosférica) e água (eutrofização), restando apenas a disputa entre contaminação e desertificação — decidida pela ausência de qualquer menção a substâncias tóxicas no texto.
- Conexões: o tema se conecta a desmatamento e savanização da Amazônia, avanço do processo de desertificação no semiárido nordestino (Cariri, sertão) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 15 — Vida Terrestre) da ONU.
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