Mapa de questões · 1º dia
Questão 75 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
Palestinos se agruparam em frente a aparelhos de televisão e telas montadas ao ar livre em Ramalah, na Cisjordânia, para acompanhar o voto da resolução que pedia o reconhecimento da chamada Palestina como um Estado observador não membro da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo era esperar pelo nascimento, ao menos formal, de um Estado palestino. Depois da aprovação da resolução, centenas de pessoas foram à praça da cidade com bandeiras palestinas, soltaram fogos de artifício, fizeram buzinaços e dançaram pelas ruas. Aprovada com 138 votos dos 193 da Assembleia-Geral, a resolução eleva o status do Estado palestino perante a organização.
Palestinos comemoram elevação de status na ONU com bandeiras e fogos.
Disponível em: http://folha.com. Acesso em: 4 dez. 2012 (adaptado).
A mencionada resolução da ONU referendou o(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Geopolítica contemporânea (conflito Israel-Palestina e organizações multilaterais)
- ⚡ Nível: Médio — exige diferenciar "reconhecimento diplomático de uma demanda" de "conquista concreta de território ou de igualdade jurídica plena"
- 🎯 Tema/Habilidade: Papel da ONU e da opinião internacional na Questão Palestina; leitura crítica de texto jornalístico sobre relações internacionais
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que exatamente essa votação da Assembleia-Geral da ONU confirmou ou validou, na prática?"
- Palavras-chave decisivas: referendou, aprovada com 138 votos dos 193, Estado observador não membro
- Armadilha típica: confundir "elevação de status simbólico" com "conquistas materiais concretas" — como fronteiras definidas, paz efetiva ou igualdade jurídica plena com os demais países-membros
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que o texto descreve um gesto político-diplomático de reconhecimento coletivo, não uma solução definitiva do conflito
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Estado observador não membro: categoria intermediária da ONU (o mesmo status já ocupado pela Santa Sé/Vaticano) que permite participar de debates e sessões, mas sem direito a voto nas decisões do Conselho de Segurança nem os mesmos poderes de um Estado-membro pleno.
- Assembleia-Geral da ONU: órgão em que todos os 193 países-membros têm assento e voto; suas resoluções expressam a posição política da maioria da comunidade internacional, mas em geral não têm força vinculante como as do Conselho de Segurança.
- Questão Palestina: disputa histórica entre israelenses e palestinos por território e soberania no Oriente Médio, marcada por ocupações, assentamentos, guerras e sucessivas tentativas fracassadas de acordo de paz (como os Acordos de Oslo).
- Reconhecimento internacional: ato político pelo qual outros Estados ou organismos multilaterais validam a legitimidade de uma reivindicação nacional, sem que isso implique, por si só, sua efetivação prática (como fronteiras delimitadas ou soberania plena).
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "pedia o reconhecimento da chamada Palestina como um Estado observador não membro" → mostra que o pleito era por um status diplomático, e não pela criação efetiva e soberana de um Estado com fronteiras e governo pleno reconhecido.
- Evidência 2: "Aprovada com 138 votos dos 193 da Assembleia-Geral, a resolução eleva o status do Estado palestino perante a organização" → o número expressivo de votos favoráveis (mais de 70% dos membros) evidencia amplo apoio político internacional à causa palestina, não uma mudança jurídica que iguale a Palestina aos demais países.
- Síntese: o texto narra uma vitória simbólica e diplomática — a comunidade internacional, por meio do voto majoritário na Assembleia-Geral, sinalizou apoio à reivindicação nacional palestina, sem que isso resolvesse o conflito territorial ou equiparasse juridicamente a Palestina aos Estados-membros plenos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o que a resolução da ONU efetivamente fez
A Resolução 67/19 da Assembleia-Geral da ONU, aprovada em 29 de novembro de 2012, elevou a Palestina da condição de "entidade observadora" para "Estado observador não membro" — o mesmo status jurídico do Vaticano. Isso é um avanço diplomático relevante, pois passa a tratar a Palestina como um "Estado" no plano simbólico e retórico da ONU, mas não lhe confere assento pleno com direito a voto nem poder de veto.
Subpasso 4.2 — Analisar o significado político do placar de votação
O dado numérico do texto — 138 votos a favor entre 193 países — é a chave da questão. Ele mostra que mais de dois terços da comunidade internacional (incluindo potências europeias e a maioria dos países da América Latina e da África) manifestaram apoio explícito à demanda nacional palestina por reconhecimento e autodeterminação. Esse é o cerne do que a resolução "referendou": não um fato consumado no terreno, mas o respaldo formal da maioria dos países do mundo à causa palestina.
Subpasso 4.3 — Verificação
Cruzando as evidências: a resolução não redesenhou fronteiras (não há menção a isso no texto), não resolveu a paz com Israel (que, aliás, votou contra a proposta, assim como os Estados Unidos), não alterou a qualidade de vida da população (o texto fala de comemoração simbólica nas ruas, não de mudanças materiais) e não igualou juridicamente a Palestina aos demais 193 países (ela continua como observadora, não membro pleno). O único elemento sustentado por todas as evidências do texto é o apoio maciço da comunidade internacional à reivindicação nacional palestina — exatamente o que a alternativa D descreve.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) delimitação institucional das fronteiras territoriais.
❌ Incorreta: a resolução trata de status diplomático na ONU, não de demarcação de fronteiras. A questão das fronteiras entre Israel e Palestina (como a linha de 1967) segue em aberto até hoje, sem qualquer definição institucional decorrente desse voto.
B) aumento da qualidade de vida da população local.
❌ Incorreta: o texto descreve uma comemoração simbólica (bandeiras, fogos, buzinaços), reação emocional a uma conquista diplomática — não há qualquer menção a melhorias econômicas, sociais ou materiais nas condições de vida dos palestinos.
C) implementação do tratado de paz com os israelenses.
❌ Incorreta: não existe tratado de paz decorrente dessa votação. Pelo contrário, Israel e Estados Unidos se posicionaram contra a resolução, o que evidencia que o conflito segue sem solução negociada — a votação é unilateral na Assembleia-Geral, não um acordo bilateral de paz.
D) apoio da comunidade internacional à demanda nacional.
✅ Correta: os 138 votos favoráveis de 193 países expressam justamente isso — o respaldo amplo e majoritário da comunidade internacional ao pleito palestino por reconhecimento como Estado, mesmo que esse apoio não se traduza automaticamente em soberania plena ou resolução do conflito.
E) equiparação da condição política com a dos demais países.
❌ Incorreta: é a armadilha central da questão. "Estado observador não membro" é uma categoria diferente e inferior à de Estado-membro pleno (como têm Brasil, Israel, França etc.), sem direito a voto nas decisões da ONU. Logo, não houve equiparação política com os demais países — apenas uma elevação de status ainda intermediária.
🏆 Gabarito: D — a resolução da ONU, aprovada por ampla maioria (138 de 193 votos), referendou o apoio internacional à reivindicação palestina por reconhecimento nacional, sem equivaler a fronteiras definidas, paz efetiva, melhoria de vida ou igualdade jurídica plena com os demais Estados.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre todas as alternativas, apenas a D descreve com precisão o que o texto efetivamente relata: um voto majoritário de apoio político-diplomático, sem mudanças concretas em território, paz ou status jurídico pleno.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a Questão Palestina para testar se o estudante distingue "gestos simbólicos e diplomáticos" de "resoluções definitivas de conflitos geopolíticos" — um padrão comum também em questões sobre Kosovo, Taiwan e outros territórios de soberania contestada.
- Generalização: sempre que um texto trouxer números de votação em organismos internacionais (ONU, OEA, UE), a resposta correta tende a valorizar o significado político do resultado (apoio, legitimidade, pressão diplomática), e não efeitos práticos automáticos no terreno.
- Dica de eliminação rápida: procure no enunciado se há qualquer menção a fronteiras, tratados assinados ou melhorias sociais concretas — se não houver, elimine de cara as alternativas que afirmam esses resultados (aqui, A, B e C caem imediatamente por não terem respaldo textual).
- Conexões: compare com o histórico dos Acordos de Oslo (1993) e com a atuação do Conselho de Segurança da ONU (onde EUA e outros membros permanentes têm poder de veto) para entender por que avanços na Assembleia-Geral nem sempre se traduzem em soluções definitivas.
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