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Mapa de questões · 1º dia
HumanasGeografiaMédio

Questão 73ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

O fenômeno da mobilidade populacional vem, desde as últimas décadas do século XX, apresentando transformações significativas no seu comportamento, não só no Brasil como também em outras partes do mundo. Esses novos processos se materializam, entre outros aspectos, na dimensão interna, pelo redirecionamento dos fluxos migratórios para as cidades médias, em detrimento dos grandes centros urbanos; pelos deslocamentos de curta duração e a distâncias menores; pelos movimentos pendulares, que passam a assumir maior relevância nas estratégias de sobrevivência, não mais restritos aos grandes aglomerados urbanos.

OLIVEIRA, L. A. P.; OLIVEIRA, A. T. R. Reflexões sobre os deslocamentos populacionais no Brasil.
Rio de Janeiro: IBGE, 2011 (adaptado).

A redefinição dos fluxos migratórios internos no Brasil, no período apontado no texto, tem como causa a intensificação do processo de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Dinâmica Populacional e Urbanização Brasileira
  • ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um processo econômico (industrialização) a um efeito espacial (redirecionamento migratório), algo que o texto sugere mas não afirma explicitamente
  • 🎯 Tema/Habilidade: Migrações internas no Brasil pós-1980 e desconcentração produtiva (Habilidade H21/H22 — analisar transformações territoriais e demográficas do espaço brasileiro)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual processo econômico explica por que os brasileiros passaram a migrar mais para cidades médias, em deslocamentos curtos e pendulares, em vez de rumar às grandes metrópoles?"
  • Palavras-chave decisivas: redirecionamento dos fluxos, cidades médias, em detrimento dos grandes centros urbanos
  • Armadilha típica: confundir a causa da migração tradicional (êxodo rural por mecanização agrícola, alternativa A) com a causa da migração nova, descrita no texto — que é posterior e distinta.
  • O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a mudança no padrão espacial da migração (de metrópole para cidade média) só ocorre porque as oportunidades de trabalho também se deslocaram para fora das metrópoles.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Concentração industrial (1930-1970): o parque industrial brasileiro se instalou majoritariamente em São Paulo (capital e ABC paulista) e, secundariamente, no Rio de Janeiro, atraindo um intenso êxodo rural e migrações inter-regionais (sobretudo do Nordeste) rumo a essas metrópoles — o chamado "modelo centro-periferia" da industrialização brasileira.
  • Desconcentração industrial (a partir de 1980): processo de deslocamento de indústrias das metrópoles tradicionais para o interior paulista, outras regiões metropolitanas (Curitiba, Belo Horizonte) e, depois, para o Centro-Oeste e Nordeste, impulsionado por guerra fiscal, custos de terra e mão de obra mais baixos, deseconomias de aglomeração (trânsito, poluição, violência) e melhoria da infraestrutura de transportes e telecomunicações.
  • Cidades médias: núcleos urbanos que, ao receberem novas plantas industriais e serviços associados, passam a gerar emprego local e regional, tornando-se novos polos de atração migratória e reduzindo a dependência das grandes metrópoles.
  • Movimentos pendulares: deslocamentos diários entre o local de moradia e o de trabalho/estudo; deixam de ser exclusividade das grandes regiões metropolitanas e passam a ocorrer também entre cidades médias e seu entorno, justamente porque o emprego industrial e de serviços se pulverizou pelo território.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "redirecionamento dos fluxos migratórios para as cidades médias, em detrimento dos grandes centros urbanos" → mostra que o destino da migração mudou de metrópole para cidade média — efeito espacial que precisa de uma causa econômica compatível.
  • Evidência 2: "deslocamentos de curta duração e a distâncias menores" e "movimentos pendulares... não mais restritos aos grandes aglomerados urbanos" → indica que as pessoas não precisam mais percorrer longas distâncias para acessar oportunidades, sinal de que o emprego se espalhou territorialmente em vez de permanecer concentrado em poucos polos.
  • Síntese: se o trabalho deixou de estar concentrado apenas nas grandes metrópoles e passou a existir também nas cidades médias e em seu entorno, o fator explicativo tem de ser um processo que descentralizou a atividade produtiva — exatamente o que caracteriza a desconcentração industrial.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o "novo" padrão migratório descrito

O texto contrasta um padrão migratório mais antigo (fluxos de longa distância, rurais-urbanos, concentrados nos grandes centros) com um padrão recente: fluxos redirecionados para cidades médias, deslocamentos curtos e movimentos pendulares generalizados. Esse novo padrão só se sustenta se houver, nas cidades médias, oferta de emprego e renda suficiente para reter e atrair população — sem isso, a migração continuaria a convergir para as metrópoles, como ocorria entre 1950 e 1980.

Subpasso 4.2 — Relacionar causa econômica e efeito espacial

Historicamente, a indústria brasileira concentrou-se em São Paulo e Rio de Janeiro. A partir da década de 1980, e com mais força nos anos 1990-2000, esse parque industrial se desconcentrou: empresas migraram para o interior paulista (Campinas, Sorocaba, São José dos Campos), para outras regiões metropolitanas e para cidades médias em expansão (Uberlândia, Anápolis, Chapecó, entre outras), motivadas por guerra fiscal, custo de terra e mão de obra mais baixos, e infraestrutura logística cada vez melhor. Esse movimento de desconcentração da atividade industrial é a causa direta do redirecionamento dos fluxos migratórios: onde a indústria (e os serviços associados a ela) se instala, cria-se emprego, e é o emprego que atrai e fixa migrantes.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando com o comando "a redefinição dos fluxos migratórios internos... tem como causa a intensificação do processo de", a única alternativa que descreve um processo capaz de gerar simultaneamente (i) crescimento de cidades médias, (ii) redução da atratividade das metrópoles e (iii) deslocamentos mais curtos e pendulares é a desconcentração da atividade industrial — confirmando a coerência da alternativa D com todas as evidências do texto.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) descapitalização do setor primário.

❌ Incorreta: a descapitalização do campo (perda de renda e emprego agrícola, ligada à modernização/mecanização) é a causa clássica do êxodo rural das décadas de 1950-1970 rumo às grandes metrópoles — exatamente o padrão antigo que o texto diz estar sendo superado, e não o processo que explica o novo redirecionamento para cidades médias.

B) ampliação da economia informal.

❌ Incorreta: a expansão da informalidade é consequência do desemprego e da precarização urbana, não um fator que reorienta fluxos migratórios para cidades médias específicas; a informalidade não explica por que o destino migratório mudou espacialmente.

C) tributação da área residencial citadina.

❌ Incorreta: não existe, na literatura geográfica sobre mobilidade populacional brasileira, uma relação de causa entre tributação de imóveis urbanos e redirecionamento de fluxos migratórios; é um distrator sem lastro conceitual.

D) desconcentração da atividade industrial.

✅ Correta: a saída de indústrias das metrópoles tradicionais (São Paulo e Rio de Janeiro) para o interior e para cidades médias, a partir das últimas décadas do século XX, criou novos polos de emprego que passaram a atrair e reter migrantes, reduzindo a distância dos deslocamentos e ampliando os movimentos pendulares — exatamente o cenário descrito no texto.

E) saturação da empregabilidade no setor terciário.

❌ Incorreta: o setor terciário (comércio e serviços) na verdade se expandiu, inclusive nas cidades médias, acompanhando a industrialização descentralizada; não há "saturação" generalizada que explique o redirecionamento migratório, e o texto não trata do setor terciário como fator causal.

🏆 Gabarito: D — a desconcentração da atividade industrial, ao criar empregos fora das grandes metrópoles, é a causa econômica que explica o redirecionamento dos fluxos migratórios para as cidades médias e a maior frequência de deslocamentos curtos e pendulares.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: apenas a desconcentração industrial (D) conecta causa econômica e efeito espacial descritos no texto: mais emprego fora das metrópoles gera mais migração para cidades médias e mais deslocamentos pendulares de curta distância.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a diferença entre o modelo de urbanização concentrada (1930-1980) e o modelo de urbanização dispersa/reticular (pós-1980), sempre associando causas econômicas (indústria, guerra fiscal, tecnologia) a efeitos demográficos (migração, crescimento de cidades médias, redes urbanas).
  • Generalização: sempre que uma questão de Geografia relacionar mudança no padrão espacial da migração brasileira a partir dos anos 1980 com um "novo protagonismo" das cidades médias, a causa mais provável é a desconcentração econômica (industrial e, depois, de serviços) e a melhoria da infraestrutura de transportes/telecomunicações.
  • Dica de eliminação rápida: elimine de cara alternativas que descrevem fenômenos urbanos internos e pontuais (tributação, informalidade, terciário saturado) sem relação com localização de emprego; e desconfie de alternativas que remetem ao padrão migratório antigo (êxodo rural/setor primário), pois o texto sinaliza explicitamente uma mudança de comportamento.
  • Conexões: compare com temas de "guerra fiscal entre estados", "novas configurações da rede urbana brasileira" e "regiões metropolitanas expandidas e movimentos pendulares", frequentes em outras questões de Geografia do ENEM.

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