Mapa de questões · 1º dia
Questão 57 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
A diversidade de atividades relacionadas ao setor terciário reforça a tendência mais geral de desindustrialização de muitos dos países desenvolvidos sem que estes, contudo, percam o comando da economia. Essa mudança implica nova divisão internacional do trabalho, que não é mais apoiada na clara segmentação setorial das atividades econômicas.
RIO, G. A. P. A espacialidade da economia. In: CASTRO, I. E.; GOMES, P. C. C.; CORRÊA, R. L. (Org.). Olhares geográficos: modos de ver e viver o espaço. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012 (adaptado).
Nesse contexto, o fenômeno descrito tem como um de seus resultados a
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geografia Econômica / Nova Divisão Internacional do Trabalho
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar o conceito de desindustrialização com a leitura crítica de um texto acadêmico denso
- 🎯 Tema/Habilidade: Reestruturação produtiva mundial e nova divisão internacional do trabalho; competência de análise da dinâmica econômica global e suas desigualdades
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que permite aos países desenvolvidos manterem o controle da economia mundial mesmo perdendo peso industrial?"
- Palavras-chave decisivas: desindustrialização, sem que... percam o comando da economia, nova divisão internacional do trabalho
- Armadilha típica: interpretar "desindustrialização" como sinônimo de enfraquecimento econômico dos países ricos, ou associar o fenômeno a características típicas de economias periféricas
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que a saída física da produção industrial não implica perda de poder, pois o comando da economia passa a se sustentar em outro pilar
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Desindustrialização: redução relativa da participação do setor secundário na economia de um país, geralmente acompanhada da expansão do setor terciário/quaternário — não significa o fim da indústria, mas sua perda de peso proporcional.
- Setor quaternário (serviços avançados): conjunto de atividades de alto valor agregado — pesquisa e desenvolvimento (P&D), engenharia, finanças, publicidade, consultoria, gestão de marcas — concentradas em metrópoles e países centrais.
- Nova Divisão Internacional do Trabalho (NDIT): reorganização da produção global a partir dos anos 1970, em que etapas de fabricação migram para países emergentes com mão de obra barata, enquanto os países centrais retêm concepção, inovação, financiamento e controle das cadeias produtivas.
- Comando/domínio tecnológico: capacidade de definir os rumos da produção mundial por meio de patentes, marcas, tecnologia de ponta e capital, independentemente de onde a manufatura física ocorre.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "desindustrialização de muitos dos países desenvolvidos sem que estes, contudo, percam o comando da economia" → aponta uma aparente contradição que a alternativa correta precisa resolver: menos fábricas, mas o mesmo poder econômico.
- Evidência 2: "nova divisão internacional do trabalho, que não é mais apoiada na clara segmentação setorial das atividades econômicas" → indica que a antiga lógica (centro industrializado versus periferia agroexportadora) foi superada; a distinção atual está em quem controla a inovação, não em quem fabrica os bens.
- Síntese: o texto descreve países desenvolvidos trocando produção industrial por atividades de comando. O elemento que sustenta esse comando, mesmo sem fábricas, é justamente o controle da tecnologia e do conhecimento.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Entendendo o cenário econômico descrito
Desde as últimas décadas do século XX, muitos países desenvolvidos (EUA, países da Europa Ocidental, Japão) transferiram parcelas crescentes de sua produção manufatureira para países emergentes — China, Vietnã, Bangladesh, México, entre outros — em busca de mão de obra mais barata, menor carga tributária e regulação ambiental mais frouxa. Esse processo reduz o peso do setor secundário nas economias centrais: é a desindustrialização relativa mencionada no texto.
Subpasso 4.2 — Identificando o que sustenta o "comando da economia"
Se a fábrica se muda, mas o poder econômico permanece nos países desenvolvidos, é porque eles concentram as etapas mais estratégicas e lucrativas da cadeia produtiva: pesquisa e desenvolvimento, design, marcas, patentes, engenharia de ponta, sistema financeiro internacional e sede das grandes corporações transnacionais. Essas atividades exigem alta qualificação, geram maior valor agregado e são justamente o que define quem manda e quem apenas executa dentro da cadeia global de produção. Em outras palavras, o comando migra da posse física das fábricas para o domínio da tecnologia e da inovação — daí a expressão "nova divisão internacional do trabalho": ela não separa mais países por setor (indústria x agricultura), mas por função na cadeia (quem inova x quem fabrica).
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção que menciona diretamente o fortalecimento do controle tecnológico expressa com precisão o mecanismo que permite aos países desenvolvidos "não perder o comando da economia" — a consolidação do domínio tecnológico é exatamente a chave da nova divisão internacional do trabalho descrita no texto.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) saturação do setor secundário.
❌ Incorreta: o texto descreve desindustrialização, ou seja, retração relativa do setor secundário nos países desenvolvidos — o oposto de saturação (que sugeriria expansão ou excesso de capacidade industrial). Essa alternativa inverte o sentido do fenômeno descrito.
B) ampliação dos direitos laborais.
❌ Incorreta: não há relação causal entre desindustrialização dos países centrais e ganhos trabalhistas. Pelo contrário, a migração de fábricas para países de mão de obra barata costuma estar associada à busca por regimes trabalhistas mais flexíveis e menos protetivos, não ao contrário.
C) bipolarização do poder geopolítico.
❌ Incorreta: bipolarização remete à lógica territorial-militar da Guerra Fria (EUA x URSS), superada muito antes do contexto descrito. O texto trata de uma reorganização funcional e econômica da produção mundial, não de uma divisão política-militar em dois blocos.
D) consolidação do domínio tecnológico.
✅ Correta: é exatamente o mecanismo que permite aos países desenvolvidos manterem o comando da economia mesmo desindustrializados. Ao concentrar P&D, inovação, patentes, sedes corporativas e serviços de alto valor agregado, esses países comandam as cadeias produtivas globais à distância, sem precisar deter fisicamente as fábricas.
E) primarização das exportações globais.
❌ Incorreta: primarização — aumento da participação de commodities agrícolas e minerais na pauta exportadora — é fenômeno típico de economias periféricas ou emergentes (como o próprio Brasil em certos períodos), não dos países desenvolvidos, que se especializam justamente no oposto: serviços de alta tecnologia e conhecimento.
🏆 Gabarito: D — a consolidação do domínio tecnológico é o que sustenta o comando da economia pelos países desenvolvidos mesmo diante da desindustrialização, conforme a nova divisão internacional do trabalho descrita no texto.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que explica o mecanismo real por trás da frase-chave do texto — "sem que estes percam o comando da economia": o poder migra da fábrica para a tecnologia.
- Padrão de cobrança: tema clássico e recorrente no ENEM — globalização, nova divisão internacional do trabalho, reestruturação produtiva, fragmentação das cadeias globais de valor.
- Generalização: sempre que uma questão tratar de desindustrialização em países centrais, a resposta correta tende a apontar para controle tecnológico, financeiro ou de inovação — nunca para perda de poder ou características de economia periférica.
- Dica de eliminação rápida: descarte de cara alternativas que descrevam fenômenos típicos de países periféricos (primarização) ou de outra época histórica (bipolarização da Guerra Fria); "ampliação de direitos laborais" também não tem relação de causa com o texto.
- Conexões: compare com a "antiga" Divisão Internacional do Trabalho (colônias produtoras de matéria-prima x metrópoles industrializadas) e com o conceito de cadeias produtivas globais/globalização da produção.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.