Mapa de questões · 1º dia
Questão 59 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

As temperaturas médias mensais e as taxas de pluviosidade expressas no climograma apresentam o clima típico da seguinte cidade:
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Climatologia (climas do mundo e leitura de climogramas)
- ⚡ Nível: Médio — exige cruzar dados numéricos de um gráfico (temperatura e pluviosidade) com o conhecimento das características climáticas de cinco cidades situadas em continentes e hemisférios diferentes.
- 🎯 Tema/Habilidade: Climas do mundo e influência da latitude/continentalidade; leitura e interpretação de climogramas e mapas.
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual das cinco cidades apresenta o clima retratado no climograma (temperaturas médias mensais + taxas de pluviosidade)?"
- Palavras-chave decisivas: climograma, temperaturas médias mensais, taxas de pluviosidade
- Armadilha típica: olhar só para a quantidade de chuva ou só para a temperatura isoladamente, sem checar o mês em que ocorre o pico de calor — isso faz o candidato confundir cidades de hemisférios opostos, que têm verão e inverno invertidos.
- O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar o hemisfério pela sazonalidade térmica, calcular a amplitude térmica anual e reconhecer o regime de chuvas (uniforme, monçônico, mediterrâneo ou continental) para localizar corretamente a cidade no mapa da Figura 2.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Climograma: gráfico misto que combina barras (pluviosidade mensal, em mm, no eixo direito) com uma linha (temperatura média mensal, em °C, no eixo esquerdo); é a principal ferramenta para "assinar" o tipo climático de um lugar.
- Amplitude térmica anual: diferença entre a temperatura do mês mais quente e a do mês mais frio. Quanto maior essa diferença, mais continental e/ou mais distante da linha do Equador tende a ser o clima.
- Sazonalidade hemisférica: no Hemisfério Norte o verão concentra-se em junho-agosto (pico de calor por volta de julho) e o inverno em dezembro-fevereiro; no Hemisfério Sul o padrão é exatamente invertido. Esse detalhe é decisivo para eliminar metade das alternativas de imediato.
- Clima continental/subpolar de latitude alta: típico do interior de continentes em latitudes médias-altas do Hemisfério Norte, com invernos rigorosos (frequentemente abaixo de 0°C), verões curtos e amenos, e precipitação moderada, muitas vezes concentrada no verão por chuvas convectivas — resultado direto da baixa capacidade de regulação térmica do continente somada à posição em alta latitude.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (curva de temperatura): o gráfico mostra temperaturas negativas entre dezembro e março (chegando a cerca de -8°C), subindo progressivamente até um pico de aproximadamente 18°C em julho e caindo de novo a valores negativos no fim do ano → isso denuncia o Hemisfério Norte (verão em julho) e um inverno extremamente rigoroso, incompatível com climas tropicais ou mediterrâneos amenos.
- Evidência 2 (barras de pluviosidade): a chuva oscila de forma discreta, entre ~16 mm (março) e ~44 mm (julho), com leve aumento justamente nos meses mais quentes → isso descarta tanto o regime de monção (que exigiria picos de centenas de milímetros) quanto o regime mediterrâneo clássico (que teria verão seco e chuva concentrada no outono/inverno).
- Síntese: a combinação de inverno com temperaturas negativas, verão ameno com pico em julho e chuva moderada levemente concentrada no verão é a assinatura de um clima continental de alta latitude do Hemisfério Norte — perfil que, entre as cinco opções, só uma cidade apresenta.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Lendo a curva de temperatura (eixo esquerdo, °C)
Em janeiro a temperatura está em torno de -8°C, permanece negativa até março, cruza os 0°C por volta de abril, sobe continuamente até atingir o pico de cerca de 18°C em julho e depois declina, retornando a valores negativos em novembro-dezembro. A amplitude térmica anual é de aproximadamente 18 - (-8) = 26°C, um valor elevadíssimo, típico de clima continental — cidades de clima tropical ou mediterrâneo litorâneo jamais apresentam amplitude assim.
Subpasso 4.2 — Lendo as barras de pluviosidade (eixo direito, mm)
Os valores mensais variam pouco, entre ~16 mm e ~44 mm, sem nenhum pico torrencial. Há um discreto aumento entre junho e agosto — período de verão no Hemisfério Norte —, compatível com chuvas convectivas de verão, comuns em climas continentais de latitude média-alta. Esse padrão é incompatível com monções (que superam facilmente 300-600 mm no mês de pico) e com o clima mediterrâneo (cuja chuva se concentra no semestre frio, não no quente).
Subpasso 4.3 — Verificação cruzando com o mapa (Figura 2)
Localizando as cinco cidades: Moscou está no interior da Rússia, por volta de 55°N (alta latitude, Hemisfério Norte); Barcelona fica no litoral mediterrâneo espanhol (~41°N); Mumbai está no subcontinente indiano, próximo ao trópico; Cidade do Cabo e Sydney ficam no Hemisfério Sul. Apenas Moscou reúne, simultaneamente, hemisfério norte, alta latitude, amplitude térmica grande, inverno abaixo de zero e chuva moderada com leve máximo de verão — exatamente o que o climograma mostra. Confirma-se a alternativa E.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Cidade do Cabo (África do Sul), marcado pela reduzida amplitude térmica anual.
❌ Incorreta: Cidade do Cabo tem clima mediterrâneo do Hemisfério Sul — verão (dezembro-fevereiro) quente e seco, inverno (junho-agosto) ameno e chuvoso — com amplitude térmica de fato pequena (em torno de 10°C), mas o climograma mostra amplitude enorme (~26°C) e pico de calor em julho, quando em Cidade do Cabo é justamente o mês mais frio. O padrão sazonal está invertido em relação ao gráfico.
B) Sydney (Austrália), caracterizado por precipitações abundantes no decorrer do ano.
❌ Incorreta: Sydney tem clima subtropical úmido do Hemisfério Sul, com verão em dezembro-fevereiro e precipitação mensal elevada e relativamente constante (em geral acima de 80-100 mm na maioria dos meses) — muito superior aos módicos 16-44 mm do gráfico. Além disso, o pico de calor de Sydney ocorreria em janeiro, não em julho.
C) Mumbai (Índia), definido pelas chuvas monçônicas torrenciais.
❌ Incorreta: Mumbai tem clima tropical de monção, com temperaturas altas e quase constantes o ano todo (amplitude térmica pequena, nunca negativa) e chuvas fortemente concentradas de junho a setembro, que costumam ultrapassar 500-600 mm em um único mês. Isso é incompatível tanto com a baixíssima pluviosidade quanto com a grande amplitude térmica (incluindo valores negativos) registradas no climograma.
D) Barcelona (Espanha), afetado por massas de ar seco.
❌ Incorreta: Barcelona tem clima mediterrâneo típico, com verão seco (pouca chuva em junho-agosto) e concentração das precipitações no outono/inverno. O climograma mostra exatamente o oposto — chuva um pouco maior nos meses de verão — além de um inverno bem mais rigoroso (temperaturas negativas) do que o mediterrâneo, geralmente ameno, costuma apresentar.
E) Moscou (Rússia), influenciado pela localização geográfica em alta latitude.
✅ Correta: a posição de Moscou em alta latitude (cerca de 55°N) e no interior do continente eurasiático explica seu clima continental úmido, marcado por inverno rigoroso com temperaturas negativas, verão curto e ameno com pico de calor em julho, e precipitação moderada, levemente concentrada no verão devido a chuvas convectivas — reproduzindo ponto a ponto o que o climograma apresenta.
🏆 Gabarito: E — apenas Moscou combina hemisfério norte, alta latitude, grande amplitude térmica anual com inverno negativo e chuva moderada de verão, o único cenário compatível com todos os dados do gráfico.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre as cinco cidades, só Moscou apresenta simultaneamente inverno com temperaturas negativas, verão ameno com pico em julho e chuva moderada concentrada no verão — características diretamente ligadas à sua localização em alta latitude no Hemisfério Norte.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente climogramas para testar o reconhecimento dos grandes tipos climáticos mundiais (equatorial, tropical, monçônico, mediterrâneo, temperado continental, desértico, polar) a partir da leitura combinada de temperatura e pluviosidade, quase sempre associada a um mapa de localização.
- Generalização: diante de qualquer climograma, primeiro identifique o hemisfério pelo mês do pico de calor (julho = Hemisfério Norte; janeiro = Hemisfério Sul); em seguida calcule a amplitude térmica e observe o regime de chuvas (uniforme, concentrada no verão, no inverno ou torrencial) para eliminar os climas incompatíveis.
- Dica de eliminação rápida: temperaturas negativas no gráfico eliminam de cara climas tropicais e mediterrâneos amenos (Mumbai, Cidade do Cabo, Barcelona); pico de calor em julho elimina cidades do Hemisfério Sul (Sydney e Cidade do Cabo); ausência de chuva torrencial elimina climas de monção (Mumbai).
- Conexões: classificação climática de Köppen; efeito da continentalidade e das correntes marítimas sobre a temperatura; zoneamento climático por faixas de latitude.
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