Mapa de questões · 1º dia
Questão 86 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
O terremoto de 8,8 na escala Richter que atingiu a costa oeste do Chile, em fevereiro, provocou mudanças significativas no mapa da região. Segundo uma análise preliminar, toda a cidade de Concepción se deslocou pelo menos três metros para o oeste. Buenos Aires moveu-se cerca de 2,5 centímetros para oeste, enquanto Santiago, mais próxima do local do evento, deslocou-se quase 30 centímetros para o oeste-sudoeste. As cidades de Valparaíso, no Chile, e Mendoza, na Argentina, também tiveram suas posições alteradas significativamente (13,4 centímetros e 8,8 centímetros, respectivamente).
Revista InfoGNSS, Curitiba, ano 6, n. 31, 2010.
No texto, destaca-se um tipo de evento geológico frequente em determinadas partes da superfície terrestre. Esses eventos estão concentrados em
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Geologia estrutural e tectônica de placas
- ⚡ Nível: Médio — exige relacionar um dado geodésico específico (deslocamento de cidades chilenas) ao modelo teórico de bordas de placas tectônicas.
- 🎯 Tema/Habilidade: Distribuição espacial dos terremotos e sua relação com os limites de placas tectônicas convergentes
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Onde no planeta se concentram os eventos sísmicos como o terremoto chileno descrito no texto?"
- Palavras-chave decisivas: terremoto de 8,8 na escala Richter, costa oeste do Chile, deslocamento de cidades
- Armadilha típica: confundir a causa do terremoto com fenômenos associados a ele (como o vulcanismo da alternativa A ou o tsunami da alternativa B), que podem ocorrer na mesma região, mas não definem o evento geológico citado no texto, que é especificamente o abalo sísmico.
- O que a resposta precisa demonstrar: compreensão de que terremotos de grande magnitude não ocorrem de forma aleatória na crosta terrestre, mas se concentram em faixas estreitas coincidentes com os limites das placas tectônicas — no caso do Chile, uma zona de subducção associada à formação da Cordilheira dos Andes.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Tectônica de placas: teoria segundo a qual a litosfera terrestre é fragmentada em placas rígidas que se movem sobre a astenosfera, interagindo em suas bordas por meio de forças de convergência, divergência ou cisalhamento.
- Limite convergente (zona de subducção): ocorre quando duas placas colidem e uma mergulha sob a outra; é o tipo de limite mais associado a terremotos de grande magnitude e a vulcanismo explosivo, além de originar cadeias de montanhas (dobramentos modernos).
- Cinturão de Fogo do Pacífico: faixa que contorna o Oceano Pacífico, concentrando cerca de 80% dos terremotos e boa parte do vulcanismo mundial, resultado do encontro de diversas placas (Nazca, Sul-Americana, do Pacífico, entre outras).
- Dobramentos modernos: cadeias montanhosas formadas na Era Cenozoica (últimos 65 milhões de anos), ainda em processo ativo de soerguimento, como os Andes, as Montanhas Rochosas e o Himalaia — geologicamente jovens e, por isso, sismicamente instáveis.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "terremoto de 8,8 na escala Richter que atingiu a costa oeste do Chile" → indica um evento sísmico de magnitude extrema, típico de zonas de subducção, e não de simples abalo intraplaca.
- Evidência 2: "Concepción se deslocou pelo menos três metros para o oeste" / "Santiago... deslocou-se quase 30 centímetros" → o deslocamento maciço e simultâneo de várias cidades chilenas e argentinas comprova que o movimento não foi local e pontual, mas resultado do rearranjo de placas tectônicas inteiras (a Placa de Nazca mergulhando sob a Placa Sul-Americana), o que só acontece em bordas de placas.
- Síntese: o texto descreve, na prática, o registro geodésico de um megaterremoto de subducção — o evento de fevereiro de 2010 (terremoto do Maule), um dos cinco maiores já registrados. Isso direciona a resposta para a alternativa que localiza os terremotos no contato entre placas tectônicas, associado a áreas de dobramentos modernos como os Andes.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o fenômeno geológico central
O texto trata de um terremoto de magnitude 8,8, ocorrido na costa oeste do Chile, cujos efeitos foram medidos não apenas no epicentro, mas em cidades distantes centenas de quilômetros (Buenos Aires, Mendoza). Esse alcance regional e a magnitude elevada são a assinatura de terremotos gerados em zonas de subducção — o Chile está posicionado exatamente sobre o limite convergente entre a Placa de Nazca (oceânica) e a Placa Sul-Americana (continental).
Subpasso 4.2 — Relacionar o evento à distribuição global da sismicidade
Terremotos de grande magnitude não estão distribuídos uniformemente pela superfície terrestre: cerca de 90% deles se concentram em estreitas faixas que coincidem com os limites das placas tectônicas, sobretudo nas zonas de subducção do Cinturão de Fogo do Pacífico. É justamente nessas bordas que se formam os dobramentos modernos — cadeias de montanhas jovens e ainda ativas, como a Cordilheira dos Andes, que corre paralela à costa chilena. Portanto, o "tipo de evento geológico" citado no comando (o terremoto) está geograficamente associado a essas estreitas faixas de instabilidade sísmica.
Subpasso 4.3 — Verificação
Confrontando esse raciocínio com as alternativas, apenas a opção C descreve corretamente o padrão espacial dos terremotos: "estreitas faixas de intensidade sísmica, no contato das placas tectônicas, próximas a dobramentos modernos" — exatamente o cenário chileno-andino descrito no texto. As demais alternativas descrevem fenômenos correlatos (vulcanismo, tsunami, intemperismo, pontos quentes intraplaca), mas nenhuma delas define com precisão onde se concentram os terremotos em si.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) áreas vulcânicas, onde o material magmático se eleva, formando cordilheiras.
❌ Incorreta: descreve o vulcanismo, não a sismicidade. Embora vulcões e terremotos frequentemente coexistam nas mesmas bordas de placas, o texto não menciona nenhuma erupção ou atividade magmática — apenas o abalo sísmico e seus deslocamentos de terreno. Confundir a formação de cordilheiras vulcânicas com a concentração de terremotos é o erro conceitual clássico dessa alternativa.
B) faixas costeiras, onde o assoalho oceânico recebe sedimentos, provocando tsunamis.
❌ Incorreta: trata da sedimentação costeira e do tsunami, um efeito secundário que pode decorrer de um terremoto submarino, mas não é o evento geológico em si nem explica sua causa. Além disso, nem toda faixa costeira sedimentar é sismicamente ativa — a relação causal está invertida: é o terremoto (na borda de placas) que pode gerar o tsunami, e não a sedimentação costeira que gera o terremoto.
C) estreitas faixas de intensidade sísmica, no contato das placas tectônicas, próximas a dobramentos modernos.
✅ Correta: descreve com precisão o padrão global de distribuição dos terremotos, concentrados em limites de placas tectônicas — como a zona de subducção Nazca–Sul-Americana, responsável pelo terremoto chileno de 2010 e pela formação da Cordilheira dos Andes (dobramento moderno). É a única alternativa que localiza corretamente o evento geológico central do texto.
D) escudos cristalinos, onde as rochas são submetidas aos processos de intemperismo, com alterações bruscas de temperatura.
❌ Incorreta: escudos cristalinos são áreas estáveis e antigas da crosta terrestre (crátons), justamente as regiões de menor atividade sísmica e vulcânica, pois estão localizadas no interior das placas, longe de seus limites. O intemperismo por variação de temperatura é um processo de meteorização física, sem relação alguma com a origem de terremotos.
E) áreas de bacias sedimentares antigas, localizadas no centro das placas tectônicas, em regiões conhecidas como pontos quentes.
❌ Incorreta: mistura dois conceitos equivocadamente. Bacias sedimentares antigas e pontos quentes (hot spots, como o do Havaí) situam-se tipicamente no interior das placas, não em suas bordas, e originam vulcanismo intraplaca de padrão bem diferente do sismo relatado no texto, que ocorreu justamente numa margem de placa convergente.
🏆 Gabarito: C — o terremoto chileno de 2010 é um exemplo emblemático de sismo gerado no contato entre placas tectônicas (subducção da Placa de Nazca sob a Sul-Americana), padrão espacial que coincide exatamente com a descrição da alternativa C.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a alternativa C localiza corretamente os terremotos nas estreitas faixas de contato entre placas tectônicas, associadas a dobramentos modernos como os Andes — exatamente o contexto geológico da costa chilena descrita no texto.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa notícias de desastres naturais (terremotos, tsunamis, erupções) como gatilho para cobrar o modelo da tectônica de placas, testando se o aluno associa o evento à sua causa estrutural (bordas de placas) e não apenas ao seu efeito visível.
- Generalização: sempre que o enunciado mencionar terremotos de alta magnitude, associe-os primeiro aos limites de placas tectônicas (convergentes, divergentes ou transformantes) e, em seguida, verifique se a região também apresenta cadeias montanhosas jovens (dobramentos modernos) ou fossas oceânicas — sinais complementares de uma borda ativa.
- Dica de eliminação rápida: elimine de imediato alternativas que citem áreas estáveis e antigas da crosta (escudos cristalinos, bacias sedimentares no centro das placas, pontos quentes intraplaca), pois são justamente as regiões de menor risco sísmico; entre as opções restantes, escolha a que menciona explicitamente "contato/limite de placas".
- Conexões: o mesmo raciocínio se aplica a questões sobre o Cinturão de Fogo do Pacífico, a formação dos Andes e do Himalaia, e a relação entre subducção oceânica e vulcanismo explosivo (como no Japão e na Indonésia).
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