Mapa de questões · 1º dia
Questão 61 — ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia
A primeira Guerra do Golfo, genuinamente apoiada pelas Nações Unidas e pela comunidade internacional, assim como a reação imediata ao Onze de Setembro, demonstravam a força da posição dos Estados Unidos na era pós-soviética.
HOBSBAWM, E. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2007.
Um aspecto que explica a força dos Estados Unidos, apontada pelo texto, reside no(a)
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: História → Geopolítica e Relações Internacionais (ordem mundial no pós-Guerra Fria)
- ⚡ Nível: Médio — exige articular o texto de Hobsbawm a conhecimentos históricos sobre a projeção de poder militar dos EUA, e não apenas repetir a leitura literal do trecho.
- 🎯 Tema/Habilidade: Unipolaridade e hegemonia militar dos Estados Unidos no período pós-soviético; leitura crítica de texto historiográfico associada a conhecimento factual de geopolítica.
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual fator estrutural, segundo o texto de Hobsbawm, sustenta a força dos Estados Unidos demonstrada na Guerra do Golfo e na resposta ao 11 de Setembro?"
- Palavras-chave decisivas: força dos Estados Unidos, era pós-soviética, aspecto que explica
- Armadilha típica: confundir uma aliança pontual e verdadeira (como a defesa do Kuwait) com uma "aliança estratégica" que inclua um país historicamente hostil aos EUA, ou atribuir a hegemonia americana a organizações e vínculos que nunca existiram.
- O que a resposta precisa demonstrar: identificar o fator estrutural — e não um episódio isolado ou fictício — que permitiu aos EUA liderar uma coalizão internacional no Golfo e reagir com rapidez e eficácia após o 11 de Setembro.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Unipolaridade pós-Guerra Fria: com o colapso da URSS em 1991, os Estados Unidos passaram a ser a única superpotência global, sem rival capaz de contestar sua primazia militar, econômica e política — é essa a "era pós-soviética" citada por Hobsbawm.
- Projeção de poder militar (power projection): capacidade de um Estado mobilizar e empregar força militar longe de seu próprio território; depende diretamente de uma rede de bases pré-posicionadas que garantem logística, abastecimento e apoio aéreo e naval.
- Primeira Guerra do Golfo (1990-91): operação militar liderada pelos EUA, com aval da ONU, para expulsar o Iraque do Kuwait, viabilizada pela rápida mobilização de tropas a partir de bases no Oriente Médio.
- Resposta ao 11 de Setembro: a invasão do Afeganistão, ainda em 2001, mostrou capacidade de deslocamento quase imediato de forças, apoiada em bases no Golfo Pérsico, na Ásia Central e na Europa.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "genuinamente apoiada pelas Nações Unidas e pela comunidade internacional" → revela que os EUA conseguiram liderar uma coalizão militar de larga escala, algo que só é possível para quem já dispõe de capacidade logística e militar instalada em diferentes regiões.
- Evidência 2: "reação imediata ao Onze de Setembro" → indica velocidade de resposta militar, característica de um país que mantém infraestrutura de guerra pré-posicionada, e não construída às pressas.
- Evidência 3: "força da posição dos Estados Unidos na era pós-soviética" → conecta os dois episódios a um contexto de hegemonia unipolar, mas a "força" concreta demonstrada em ambos os casos é de natureza militar e logística.
- Síntese: os dois exemplos citados por Hobsbawm — Golfo e 11/9 — são, antes de tudo, operações militares distantes do território americano e executadas com rapidez; o elo comum entre eles é a existência de uma vasta rede de bases militares dos EUA ao redor do mundo.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar o padrão comum aos dois eventos citados
A questão não pede uma explicação econômica, cultural ou diplomática isolada, mas sim o fator que permite aos Estados Unidos agir militarmente com eficácia em dois contextos geograficamente distintos e distantes de seu território: o Oriente Médio (Golfo, 1990-91) e a Ásia Central (Afeganistão, a partir de 2001). O denominador comum é a capacidade de mobilização militar rápida e de larga escala.
Subpasso 4.2 — Relacionar essa capacidade com a estrutura militar americana
Desde a Segunda Guerra Mundial, e intensificada durante a Guerra Fria, os Estados Unidos construíram uma extensa rede de bases militares em praticamente todos os continentes — Europa, Ásia, Oriente Médio, Pacífico. Essa infraestrutura permite o pré-posicionamento de tropas, armamentos, aeronaves e suprimentos, o que torna viável deslocar e sustentar operações de guerra em regiões distantes em prazos curtos. Foi exatamente essa capacidade que sustentou tanto a coalizão do Golfo quanto a resposta militar ao 11 de Setembro.
Subpasso 4.3 — Verificação
Ao confrontar essa conclusão com as cinco alternativas, apenas uma capta esse fator estrutural real e coerente com os dois episódios citados no texto, sem incorrer em erros factuais (aliança inexistente, incorporação nunca ocorrida) ou anacronismos (expansionismo territorial que jamais existiu). Essa alternativa é a que trata do poder das bases militares espalhadas pelo mundo.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) poder de suas bases militares espalhadas ao redor do mundo.
✅ Correta: é exatamente esse o fator estrutural que explica a capacidade de mobilização rápida e eficaz nos dois eventos citados por Hobsbawm — a rede global de bases sustenta a projeção de poder militar dos EUA, base concreta de sua hegemonia no período pós-soviético.
B) alinhamento geopolítico da Rússia em relação aos EUA.
❌ Incorreta: o texto não atribui a força americana a uma suposta subordinação da Rússia; a Rússia, herdeira da URSS, manteve interesses e autonomia geopolítica próprios mesmo enfraquecida nos anos 1990, e essa relação não é mencionada nem explica os dois episódios citados.
C) política de expansionismo territorial exercida sobre Cuba.
❌ Incorreta: não houve expansionismo territorial dos EUA sobre Cuba nesse período — ao contrário, a relação bilateral era (e é) marcada pelo embargo econômico e pelo isolamento diplomático, sem qualquer relação com a Guerra do Golfo ou com o 11 de Setembro.
D) aliança estratégica com países produtores de petróleo, como Kuwait e Irã.
❌ Incorreta: mistura um fato verdadeiro (o Kuwait foi de fato defendido pelos EUA na Guerra do Golfo) com um fato falso — o Irã é, desde a Revolução Islâmica de 1979, um dos principais adversários geopolíticos dos Estados Unidos no Oriente Médio, jamais um aliado estratégico. É a clássica alternativa "meio certa, meio errada".
E) incorporação da China à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
❌ Incorreta: a China nunca foi incorporada à Otan, aliança militar formada por Estados Unidos, Canadá e países europeus para defesa mútua no Atlântico Norte; pelo contrário, a China figurava (e ainda figura) como rival geopolítico dos EUA, não como membro de sua aliança militar.
🏆 Gabarito: A — a força dos Estados Unidos no período pós-Guerra Fria, exemplificada pela Guerra do Golfo e pela resposta ao 11 de Setembro, decorre de sua capacidade de projeção militar global, sustentada por uma extensa rede de bases espalhadas pelo mundo.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: a alternativa A é a única que aponta um fator real, estrutural e coerente com os dois eventos citados no texto — a infraestrutura militar global dos Estados Unidos, responsável por sua capacidade de resposta e liderança militar em diferentes regiões do planeta.
- Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente explora a unipolaridade e a hegemonia norte-americana pós-1991, cobrando a interpretação de textos historiográficos (como os de Hobsbawm, Huntington ou Fukuyama) sobre a nova ordem mundial após o fim da Guerra Fria.
- Generalização: em questões sobre hegemonia ou poder de Estados, busque sempre o fator estrutural — militar, econômico, tecnológico — que o próprio texto sugere ou exemplifica, e não conclusões de "senso comum" sobre política internacional.
- Dica de eliminação rápida: descarte primeiro as alternativas com erro factual grosseiro e fácil de identificar (C — Cuba jamais foi anexada pelos EUA; E — a China nunca fez parte da Otan); em seguida, desconfie de alternativas que combinam um dado verdadeiro com um falso (D — o Irã não é aliado, e sim adversário histórico dos EUA).
- Conexões: teoria do "Choque de Civilizações" (Huntington), unipolaridade e multipolaridade no sistema internacional contemporâneo, intervencionismo militar dos EUA no Oriente Médio e na Ásia Central.
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