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Questão 17ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Textos e hipertextos: procurando o equilíbrio

Há um medo por parte dos pais e de alguns professores de as crianças desaprenderem quando navegam, medo de elas viciarem, de obterem informação não confiável, de elas se isolarem do mundo real, como se o computador fosse um agente do mal, um vilão. Esse medo é reforçado pela mídia, que costuma apresentar o computador como um agente negativo na aprendizagem e na socialização dos usuários. Nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender quando navega, seja em ambientes digitais ou em materiais impressos, mas é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades diferentes daquelas que eles encontraram sozinhos ou daquelas que eles costumam usar. É preciso, algumas vezes, negociar o uso para que ele não seja exclusivo, uma vez que há outros meios de comunicação, outros meios de informação e alternativas de lazer. É uma questão de equilibrar e não de culpar.

COSCARELLI. C. V. Linguagem em (Dis)curso. n. 3. set.-dez. 2009.

A autora incentiva o uso da internet pelos estudantes, ponderando sobre a necessidade de orientação a esse uso, pois essa tecnologia

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Leitura e interpretação de texto argumentativo
  • ⚡ Nível: Médio — o texto refuta explicitamente o "medo" que descreve, e a pegadinha está em confundir a opinião que a autora rebate com a tese que ela defende
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação da tese central de um texto argumentativo sobre tecnologia e educação (compreensão de recursos expressivos e ideias implícitas/explícitas em textos)
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual é o motivo, segundo a autora, que justifica orientar (e não proibir) o uso da internet pelos estudantes?"
  • Palavras-chave decisivas: incentiva, ponderando sobre a necessidade de orientação, essa tecnologia
  • Armadilha típica: confundir o "medo" que a autora descreve no início do texto (computador como vilão, agente negativo, isolamento) com a opinião dela — quando na verdade ela cita esse medo só para desmontá-lo em seguida.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que a autora é favorável ao uso da internet, mas defende que ele seja acompanhado/direcionado por pais e professores para gerar mais aprendizado, não menos.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Texto argumentativo com contra-argumentação: a autora começa apresentando um ponto de vista (o medo dos pais/professores) para em seguida refutá-lo — estrutura clássica de "tese alheia + refutação + tese própria".
  • Modalização e marcadores de opinião: expressões como "há um medo", "como se fosse", "nós sabemos que" sinalizam a distância entre o que é senso comum (equivocado) e o que a autora efetivamente defende.
  • Equilíbrio (mediação), não proibição: o texto defende "negociar o uso" e "orientar a aprendizagem", nunca vetar ou culpar — esse é o núcleo semântico que elimina respostas radicais.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Há um medo por parte dos pais e de alguns professores de as crianças desaprenderem quando navegam... como se o computador fosse um agente do mal, um vilão." → isso é o medo que a autora relata, não sua própria posição — ela está descrevendo um discurso para depois contestá-lo.
  • Evidência 2: "Nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender quando navega... mas é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades." → aqui está a tese real: a internet amplia o aprendizado quando alguém direciona esse uso, apresentando caminhos que o estudante não encontraria sozinho.
  • Evidência 3: "É uma questão de equilibrar e não de culpar." → fecha o texto reforçando que a postura correta é mediação orientadora, e não proibição ou condenação da tecnologia.
  • Síntese: a autora não teme a internet; ela teme o uso desorientado dela. A intervenção de pais e professores serve para ampliar o repertório do estudante — exatamente o que a alternativa correta precisa expressar.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Separar "medo relatado" de "tese defendida"

O primeiro trecho do texto descreve um medo social: pais e professores temem que crianças "desaprendam", viciem, recebam informação não confiável ou se isolem. A expressão "como se o computador fosse um agente do mal, um vilão" marca ironia — a autora reporta uma crença que não é sua. O conectivo seguinte ("Nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender...") desfaz esse medo de forma direta.

Subpasso 4.2 — Localizar a tese central sobre orientação

Refutado o medo, a autora explica o que importa: "é preciso ver o que se está aprendendo e algumas vezes interferir nesse processo a fim de otimizar ou orientar a aprendizagem, mostrando aos usuários outros temas, outros caminhos, outras possibilidades diferentes daquelas que eles encontraram sozinhos". A orientação de pais e professores não restringe o acesso — ela expande o repertório do estudante: a tecnologia amplia o conhecimento de mundo quando há direcionamento.

Subpasso 4.3 — Verificação

Cruzando o comando ("a autora incentiva o uso da internet... pois essa tecnologia...") com a tese identificada, a resposta precisa afirmar que a internet, acompanhada de orientação, gera ganho de conhecimento — não que é perigosa, deve ser proibida ou é fonte única de informação. Isso aponta para a alternativa que fala em "ampliação do conhecimento de mundo quando a aprendizagem é direcionada".

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) está repleta de informações contáveis que constituem fonte única para a aprendizagem dos alunos.

❌ Incorreta: o texto nunca afirma que a internet é fonte única de aprendizagem — pelo contrário, cita explicitamente "outros meios de comunicação, outros meios de informação e alternativas de lazer", reconhecendo a internet como uma entre várias fontes, sempre em equilíbrio com as demais.

B) exige dos pais e professores que proíbam seu uso abusivo para evitar que se torne um vício.

❌ Incorreta: a autora rejeita explicitamente a lógica da proibição na frase final ("é uma questão de equilibrar e não de culpar"). Ela fala em "negociar o uso", um verbo de mediação, e não em proibir ou vetar — inverter esse sentido é o erro conceitual desta alternativa.

C) tende a se tornar um agente negativo na aprendizagem e na socialização de crianças e jovens.

❌ Incorreta: essa frase reproduz literalmente o medo relatado no início do texto ("como se o computador fosse um agente do mal, um vilão"), que é justamente o discurso que a autora desconstrói ao dizer "nós sabemos que ninguém corre o risco de desaprender". Tomar o medo relatado como a tese da autora é a armadilha central da questão.

D) possibilita maior ampliação do conhecimento de mundo quando a aprendizagem é direcionada.

✅ Correta: sintetiza com precisão a tese da autora — a internet não é perigosa em si, mas seu potencial de ampliar o conhecimento se realiza quando pais e professores "otimizam ou orientam a aprendizagem", mostrando "outros temas, outros caminhos, outras possibilidades" ao estudante.

E) leva ao isolamento do mundo real e ao uso exclusivo do computador se a navegação for desmedida.

❌ Incorreta: mais uma reformulação do medo relatado ("medo de elas se isolarem do mundo real"), não da posição da autora. O texto defende equilíbrio e negociação de uso, não afirma que a navegação desmedida "leva" inevitavelmente ao isolamento — essa causalidade categórica não está no texto como tese defendida.

🏆 Gabarito: D — apenas essa alternativa capta a tese real da autora: a internet, quando usada com orientação de pais e professores, amplia o conhecimento de mundo do estudante, em vez de restringi-lo ou representá-lo como ameaça.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a alternativa D é a única que reproduz a tese explícita da autora — orientação gera ampliação de conhecimento —, enquanto A, C e E reciclam o "medo" que o texto refuta e B propõe uma proibição que o texto rejeita.
  • Padrão de cobrança: o ENEM frequentemente traz textos argumentativos que apresentam um senso comum ou preconceito só para contestá-lo; a questão testa se o candidato reconhece esse movimento de "tese alheia → refutação → tese própria".
  • Generalização: sempre que um texto citar um medo, crítica ou senso comum logo no início, desconfie: é bem provável que o restante do texto vá contrariá-lo, e a resposta certa costuma estar na parte que desmonta essa ideia inicial, não na que a repete.
  • Dica de eliminação rápida: elimine na hora qualquer alternativa que reproduza quase literalmente as palavras do "medo" citado no começo do texto (vilão, agente negativo, isolamento, vício) — são armadilhas construídas para o leitor que não passou do primeiro parágrafo.
  • Conexões: esse tipo de questão dialoga com textos sobre letramento digital e uso pedagógico das tecnologias de informação e comunicação (TICs), tema recorrente em Linguagens no ENEM.

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