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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsMédio

Questão 25ENEM 2017Caderno azul · 1º Dia

Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas.

Mas foi uma noite, aquela noite de sábado 21 de outubro de 1967, que parou o nosso país. Parou pra ver a finalíssima do III Festival da Record, quando um jovem de 24 anos chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu carregado do Teatro Paramount em São Paulo depois de ganhar o prêmio máximo do festival com Ponteio, que cantou acompanhado da charmosa e iniciante Marília Medalha.

Foi naquela noite que Chico Buarque entoou sua Roda viva ao lado do MPB-4 de Magro, o arranjador. Que Caetano Veloso brilhou cantando Alegria, alegria com a plateia ao som das guitarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil apresentou a tropicalista Domingo no parque com os Mutantes.

Aquela noite que acabou virando filme, em 2010, nas mãos de Renato Terra e Ricardo Calil, agora virou livro. O livro que está sendo lançado agora é a história daquela noite, ampliada e em estado que no jargão jornalístico chamamos de matéria bruta. Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias – e algumas fofocas – que cada um tem para contar, agora sem os cortes necessários que um filme exige. E quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História.

VILLAS, A. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 18 jun. 2014 (adaptado).

Considerando os elementos constitutivos dos gêneros textuais circulantes na sociedade, nesse fragmento de resenha predominam

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Gêneros textuais (resenha crítica)
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer a função social predominante de um gênero textual específico, para além do conteúdo temático que ele carrega
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecimento de elementos constitutivos dos gêneros textuais (competência de leitura e análise de textos multimodais/jornalísticos)
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual elemento textual predomina neste fragmento de resenha?"
  • Palavras-chave decisivas: elementos constitutivos, gêneros textuais circulantes, predominam
  • Armadilha típica: deixar-se levar pelo conteúdo histórico e musical narrado (o festival de 1967, os artistas, as canções) e escolher uma alternativa que fale sobre "cena musical dos anos 1960", ignorando que esse conteúdo é apenas o assunto do livro resenhado — não a função do texto que está sendo lido.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de distinguir o que o texto fala (o festival, os artistas) do que o texto faz (avalia uma obra), identificando a resenha crítica como gênero cuja marca definidora é o julgamento de valor do resenhista sobre o livro.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Resenha crítica: gênero textual que descreve, resume e, sobretudo, avalia uma obra (livro, filme, disco, peça). Combina informação sobre o objeto resenhado com a opinião do autor, mas é a dimensão avaliativa/opinativa que define e predomina no gênero.
  • Função social dos gêneros textuais: cada gênero circula na sociedade cumprindo um propósito comunicativo típico — a notícia informa fatos, o editorial defende uma tese sobre tema polêmico, a biografia narra uma trajetória de vida, a resenha julga o valor de uma obra recém-lançada.
  • Paratexto de resenha (ficha técnica): título da obra, autor, editora e número de páginas logo no início do texto são marcas estruturais típicas da resenha — um "cartão de identidade" da obra que situa o leitor antes da avaliação propriamente dita.
  • Marcas linguísticas de opinião: expressões de recomendação ("vai se deliciar"), juízos de valor e jogos de linguagem elogiosos (como o trocadilho entre "livro de histórias" e "livro de História") revelam a voz avaliativa do resenhista.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas." → é a ficha técnica do livro, elemento estrutural característico de abertura de resenha, que já sinaliza: este texto fala sobre uma obra, não é uma reportagem factual autônoma.
  • Evidência 2: "Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias – e algumas fofocas – que cada um tem para contar" → construção nitidamente avaliativa e recomendatória: o resenhista projeta o efeito positivo da leitura sobre o público, típico de quem julga o valor de uma obra.
  • Evidência 3: "Quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História" → o trocadilho entre "histórias" (relatos) e "História" (com maiúscula, o processo histórico) é um recurso estilístico de valorização da obra, reforçando o juízo positivo do resenhista sobre sua relevância.
  • Síntese: o relato do que aconteceu na noite de 21 de outubro de 1967 (Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil) funciona como contextualização do assunto do livro, não como foco do texto. O texto começa com a ficha técnica da obra e termina com avaliações e recomendações de leitura — a estrutura clássica de uma resenha, cuja função predominante é emitir opinião sobre a obra resenhada.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o gênero textual do fragmento

O primeiro sinal decisivo está na abertura: "Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas." Essa linha é uma ficha catalográfica — nome da obra, autores, editora, número de páginas —, elemento que só aparece em resenhas (e não em reportagens, crônicas ou biografias comuns). Isso já indica que o texto pertence ao gênero resenha crítica, cuja função social predominante é apresentar e avaliar uma obra recém-publicada para orientar a decisão de leitura do público.

Subpasso 4.2 — Mapear a função de cada bloco do texto

  • 1º parágrafo: narra o que aconteceu na noite do festival (fato histórico) — é o assunto do livro, contextualização necessária para quem não conhece o evento.
  • 2º parágrafo: continua descrevendo os acontecimentos musicais daquela noite (Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil) — ainda contextualização do conteúdo da obra.
  • 3º parágrafo: é o ponto de virada. O texto deixa de narrar o fato histórico e passa a falar sobre o livro em si — "o livro que está sendo lançado agora", "quem viu o filme vai se deliciar", "quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias... de História". Aqui o resenhista avalia, recomenda e valoriza a obra, revelando seu ponto de vista sobre a qualidade e o interesse do livro.

Subpasso 4.3 — Verificação

Comparando a estrutura identificada (ficha técnica → contextualização do assunto → avaliação/recomendação da obra) com as alternativas, apenas uma capta corretamente essa função predominante: a que fala em opiniões sobre uma obra ligada à cena musical de 1967. As demais alternativas confundem o tema do livro (o festival, os músicos) com a função do texto (avaliar essa obra), ou apontam elementos que sequer estão presentes de forma central no fragmento (polêmica, relato em primeira pessoa de artistas, explicação cultural sistemática).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) caracterizações de personalidades do contexto musical brasileiro dos anos 1960.

❌ Incorreta: embora o texto cite Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Marília Medalha, essas menções servem para narrar o que cada um fez naquela noite específica (cantou tal música, apresentou-se com tal grupo), e não para caracterizar suas personalidades — não há traços de caráter, biografia ou perfil psicológico descritos. A citação de nomes é contextualização factual do evento retratado no livro, não retrato de personalidades.

B) questões polêmicas direcionadas à produção musical brasileira nos anos 1960.

❌ Incorreta: o texto não apresenta nenhum debate, controvérsia ou pontos de vista conflitantes sobre a MPB da época. Não há defesa de tese nem confronto de opiniões sobre a produção musical — apenas a narração factual de um evento e, depois, a avaliação de um livro sobre ele. Não há polêmica alguma no fragmento.

C) relatos de experiências de artistas sobre os festivais de música de 1967.

❌ Incorreta: os relatos não partem da voz dos próprios artistas (não é uma entrevista nem um depoimento em primeira pessoa de Chico Buarque ou Caetano Veloso); é o resenhista que narra, em terceira pessoa, o que aconteceu naquela noite, a partir do que leu no livro. O sujeito que fala é quem avalia a obra, não os artistas relatando suas próprias vivências.

D) explicações sobre o quadro cultural do Brasil durante a década de 1960.

❌ Incorreta: o texto não se propõe a explicar sistematicamente o cenário cultural brasileiro da década — não há análise de contexto político, social ou dos movimentos artísticos da época como objetivo central. O pano de fundo histórico (Tropicália, Bossa Nova, festivais) aparece apenas de forma pontual, para situar o leitor sobre o que o livro retrata, sem função explicativa autônoma.

E) opiniões a respeito de uma obra sobre a cena musical de 1967.

✅ Correta: o fragmento é uma resenha do livro Uma noite em 67, identificável já pela ficha técnica no início (autores, editora, número de páginas) e confirmada pelo desfecho avaliativo — "quem viu o filme vai se deliciar", "quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias... de História". A função predominante do gênero resenha é justamente emitir um juízo de valor, uma opinião, sobre a obra resenhada, orientando a decisão de leitura do público. É exatamente isso que o texto faz.

🏆 Gabarito: E — o fragmento é uma resenha crítica do livro Uma noite em 67, e o elemento que predomina em textos desse gênero é a opinião do resenhista sobre a obra, evidenciada pela ficha técnica inicial e pelo desfecho avaliativo do texto.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: somente a alternativa E identifica corretamente a função predominante do gênero resenha — opinar sobre uma obra —, diferenciando-a do simples conteúdo histórico-musical narrado como pano de fundo.
  • Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente o reconhecimento de gêneros textuais jornalísticos e literários (notícia, reportagem, editorial, crônica, resenha, biografia), sempre pedindo que o candidato identifique a função social predominante do texto, e não apenas seu tema.
  • Generalização: para identificar o gênero e sua função em qualquer texto do ENEM, observe três pistas: (1) a estrutura/paratexto (ficha técnica, data, fonte), (2) o objeto de que o texto trata (um evento, uma obra, uma pessoa) e (3) a presença ou ausência de juízo de valor explícito do autor sobre esse objeto.
  • Dica de eliminação rápida: quando o texto abrir com "título, autor, editora, número de páginas", é quase certo que se trata de resenha — elimine de cara alternativas que descrevem gêneros puramente informativos (reportagem factual) ou argumentativos sobre tema social controverso (editorial/polêmica), pois a resenha combina informação e opinião, com predomínio da opinião.
  • Conexões: este tema se conecta a questões sobre gêneros jornalísticos em geral (notícia × reportagem × editorial × crônica) e a questões de variação linguística e registro formal/informal em textos midiáticos, ambos recorrentes na prova de Linguagens.

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