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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 99ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia

Várias plantas, como as bromélias, orquídeas e cactos, possuem uma adaptação metabólica que envolve o fechamento diurno de seus estômatos, levando à produção de ácidos orgânicos e à descarboxilação que permite a fixação do carbono à noite.

Esse processo constitui uma adaptação fisiológica a condições de

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Fisiologia vegetal (metabolismo fotossintético CAM)
  • ⚡ Nível: Médio — exige reconhecer o metabolismo CAM pela sua função ecológica, não apenas decorar a sigla.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Adaptações metabólicas das plantas ao ambiente; relacionar processo fisiológico à pressão seletiva que o originou.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "A qual condição ambiental essa adaptação (estômatos fechados de dia, fixação de carbono à noite) responde?"
  • Palavras-chave decisivas: fechamento diurno dos estômatos, fixação do carbono à noite, adaptação fisiológica a condições de
  • Armadilha típica: confundir a CAUSA da adaptação (o problema ambiental que ela resolve) com os MECANISMOS internos que ela usa (produção de ácidos orgânicos, mudança de pH). A questão pede o problema, não o mecanismo.
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que fechar o estômato de dia serve para reduzir a perda de água por transpiração, logo a pressão ambiental é a falta de água.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Estômatos: poros nas folhas por onde entra o CO₂ para a fotossíntese; abertos, deixam entrar carbono, mas também deixam sair vapor d'água. É o clássico dilema da planta: comer (CO₂) ou economizar água.
  • Transpiração e horário: de dia faz calor e há muita luz; abrir estômatos no calor significa perder muita água. À noite o ar é mais frio e úmido, então abrir os estômatos custa muito menos água.
  • Metabolismo CAM (Crassulacean Acid Metabolism): a planta abre os estômatos à noite, capta CO₂ e o armazena na forma de ácidos orgânicos (principalmente ácido málico) nos vacúolos. De dia, com estômatos fechados, esses ácidos sofrem descarboxilação, liberando o CO₂ internamente para o Ciclo de Calvin usar a energia da luz. Assim a planta fotossintetiza de dia sem precisar abrir o estômato.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "bromélias, orquídeas e cactos" → plantas típicas de ambientes com pouca água disponível (desertos, rochas, troncos de árvores onde a água escorre rápido). O grupo de exemplos já aponta para estresse hídrico.
  • Evidência 2: "fechamento diurno de seus estômatos [...] fixação do carbono à noite" → inverte o horário normal da entrada de CO₂ justamente para evitar abrir o poro na hora mais quente e seca do dia — economia de água.
  • Síntese: o único ganho biológico de separar a captura de CO₂ (noite) da fotossíntese (dia) é gastar menos água. Portanto a adaptação responde à disponibilidade limitada de água.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o processo

Estômatos fechados de dia + carbono fixado à noite + ácidos orgânicos + descarboxilação = assinatura inequívoca do metabolismo CAM. Não há outra via fotossintética que faça essa separação temporal.

Subpasso 4.2 — Ligar o processo à pressão ambiental

Por que valeria a pena abrir o estômato só à noite? Porque de dia, sob sol forte e ar seco, cada segundo com o poro aberto significa perder água por transpiração. Fechando de dia, a planta corta drasticamente essa perda. Isso só é vantajoso — e só evolui — onde a água é escassa. A CAM é, portanto, uma adaptação a ambientes secos: desertos (cactos), superfícies expostas e epifitismo (muitas bromélias e orquídeas vivem sobre outras plantas, sem acesso ao solo úmido).

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando contra as alternativas: a condição ambiental que a CAM combate é a perda de água → escassez de água. Bate exatamente com a alternativa C. As demais confundem mecanismo interno (pH), outro tipo de estresse (oxigênio) ou fatores que não são o gatilho central (temperatura, luminosidade).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) alteração de pH.

❌ Incorreta: a variação de pH nos vacúolos (mais ácido de manhã, menos ácido ao anoitecer) é uma CONSEQUÊNCIA interna do acúmulo e consumo de ácido málico, não a condição AMBIENTAL que originou a adaptação. Confunde efeito bioquímico com causa ecológica.

B) falta de oxigênio.

❌ Incorreta: escassez de O₂ (hipóxia) afeta raízes em solos alagados e é enfrentada por outras adaptações (aerênquima, raízes aéreas). A CAM não tem relação com disponibilidade de oxigênio; ela lida com carbono e água.

C) escassez de água.

✅ Correta: fechar os estômatos durante o dia reduz a transpiração no período mais quente e seco, economizando água. Essa é exatamente a pressão seletiva que fez surgir o metabolismo CAM em plantas de ambientes áridos e em epífitas.

D) variação de temperatura.

❌ Incorreta: embora a temperatura influencie a transpiração, o fator central que a CAM resolve não é a variação térmica em si, e sim a economia de água. Plantas de ambientes com grandes amplitudes térmicas, mas água abundante, não desenvolvem CAM.

E) mudança de luminosidade.

❌ Incorreta: a luz continua sendo captada normalmente de dia — o Ciclo de Calvin ocorre no período iluminado usando o CO₂ estocado. A CAM não é uma resposta à falta ou ao excesso de luz; ela apenas dissocia a entrada de CO₂ da etapa luminosa para poupar água.

🏆 Gabarito: C — o único benefício de captar CO₂ à noite e manter os estômatos fechados de dia é reduzir a perda de água, logo a adaptação responde à escassez hídrica.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa que aponta a pressão ambiental que a CAM efetivamente combate — a perda de água por transpiração diurna.
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora dar a descrição de um mecanismo (CAM, C4, espinhos, cutícula grossa, raízes profundas) e pedir a condição ambiental correspondente. A resposta quase sempre gira em torno de sobrevivência em ambiente seco.
  • Generalização: sempre que uma planta "abre mão" de trocar gases no calor do dia, o objetivo é economizar água — associe estômato fechado de dia a estresse hídrico.
  • Dica de eliminação rápida: corte pH (mecanismo interno, não condição ambiental) e oxigênio (problema de solo alagado, o oposto de ambiente seco). Entre as três restantes, pergunte "o que fechar o estômato economiza?" — água. Chega em C em segundos.
  • Conexões: vias fotossintéticas C3 × C4 × CAM; transpiração e balanço hídrico; adaptações de xerófitas e epífitas (cactáceas, bromélias, orquídeas).

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