Pular para o conteúdo
MemorizeMemorize
Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 127ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia

Em 2011 foi aprovado, pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, o primeiro organismo geneticamente modificado (OGM) produzido exclusivamente no Brasil. Esse OGM é uma variedade de feijão resistente ao mosaico dourado do feijoeiro, doença viral transmitida pela mosca-branca. Para desenvolver a resistência, foi introduzida no DNA da planta uma sequência gênica que codifica uma proteína não funcional, similar à proteína viral denominada Rep, fundamental para a replicação do vírus.

Pesquisa Fapesp, n. 188, out. 2011 (adaptado).

O processo descrito protege o feijão contra o referido vírus porque promove a

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biotecnologia (transgênicos e resistência viral por proteína dominante-negativa)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto entrega o mecanismo, mas exige interpretar corretamente o papel de uma proteína "não funcional".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Engenharia genética aplicada à agricultura; compreender como a inserção de um gene modifica o fenótipo e confere resistência (H14/H17 — biotecnologia e suas implicações).
  • 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por qual mecanismo molecular o gene inserido protege o feijão contra o vírus do mosaico dourado?"
  • Palavras-chave decisivas: proteína não funcional, similar à Rep, fundamental para a replicação do vírus.
  • Armadilha típica: achar que "não funcional" significa "não é produzida" ou que a proteção age contra a mosca-branca (o vetor), e não contra o vírus.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a planta SINTETIZA uma versão defeituosa da Rep e que essa versão bloqueia a replicação viral.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • OGM / transgênico: organismo que recebeu, em seu DNA, uma sequência gênica que passa a ser transcrita e traduzida como qualquer gene próprio — ou seja, o gene inserido É expresso e produz proteína.
  • Proteína Rep (replication-associated protein): proteína viral essencial para iniciar e conduzir a replicação do DNA do begomovírus. Sem Rep funcional, o vírus não se multiplica dentro da célula.
  • Efeito dominante-negativo: uma versão defeituosa de uma proteína que, ao ser produzida em grande quantidade, "atrapalha" a versão funcional — competindo pelos mesmos sítios de ligação ou formando complexos inativos. É esse o truque da resistência aqui.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "foi introduzida no DNA da planta uma sequência gênica que codifica uma proteína não funcional" → a planta ganha um gene novo e passa a produzir essa proteína alterada. "Codifica" = será expressa.
  • Evidência 2: "similar à proteína viral denominada Rep, fundamental para a replicação do vírus" → a proteína falsa se parece com a Rep e interfere justamente na etapa que o vírus não pode dispensar: copiar o próprio genoma.
  • Síntese: a planta fabrica uma "Rep de mentira". Como ela é parecida com a verdadeira mas não funciona, ocupa o lugar da Rep viral e trava a replicação — logo, a proteção vem da síntese dessa Rep não funcional.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — O que o gene inserido faz

Todo gene inserido em um transgênico serve para SER expresso. Aqui, o transgene é traduzido em uma proteína semelhante à Rep viral, porém defeituosa. Portanto, a célula vegetal está ativamente sintetizando essa proteína — ela não é inibida nem silenciada.

Subpasso 4.2 — Por que isso bloqueia o vírus

Quando a mosca-branca transmite o begomovírus, ele precisa da sua Rep funcional para replicar o DNA viral. Só que a célula do feijão já está cheia da versão defeituosa. Essa versão compete com a Rep viral (efeito dominante-negativo): ela se liga aos mesmos alvos, mas não realiza a replicação. Resultado → o vírus não consegue se multiplicar e a infecção não progride.

Subpasso 4.3 — Verificação

A proteção é: (1) contra o VÍRUS, não contra a mosca; (2) por PRODUÇÃO da proteína falsa, não por sua inibição; (3) atuando na REPLICAÇÃO viral. A alternativa que reúne exatamente esses três pontos é a que descreve a síntese da Rep não funcional impedindo a replicação viral. Confere com E.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) produção de proteínas de resistência contra o vírus.

❌ Incorreta: genérica e imprecisa. O texto não fala em "proteínas de resistência", mas de uma proteína específica similar à Rep. O mecanismo é bem definido (interferência na replicação), não uma defesa inespecífica.

B) inibição da síntese das proteínas Rep não funcionais.

❌ Incorreta: inverte o processo. A Rep não funcional NÃO é inibida — ela é justamente o produto do transgene, precisa ser sintetizada em abundância para competir com a Rep viral.

C) produção de proteínas virais que repelem a mosca-branca.

❌ Incorreta: a proteína produzida não repele o vetor. A mosca-branca continua picando a planta; a proteção atua depois, dentro da célula, sobre o vírus — não sobre o inseto.

D) indução de uma resposta de defesa da planta contra a mosca-branca.

❌ Incorreta: confunde alvo. O OGM protege contra o vírus (mosaico dourado), não contra a mosca-branca. Nenhuma resposta imune contra o inseto é descrita.

E) síntese da proteína Rep não funcional, que impede a replicação viral.

✅ Correta: reúne os três elementos do enunciado — há síntese (produção) da proteína, ela é não funcional e similar à Rep, e o efeito é impedir a replicação do vírus. É o mecanismo dominante-negativo descrito.

🏆 Gabarito: E — a planta produz uma versão defeituosa da Rep que, por competir com a Rep viral verdadeira, bloqueia a replicação do vírus dentro da célula.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só E respeita a lógica do transgene: gene inserido → proteína sintetizada → proteína falsa trava a replicação viral. As demais ou negam a síntese, ou erram o alvo (mosca em vez de vírus).
  • Padrão de cobrança: o ENEM adora testar se você sabe que um transgene é EXPRESSO (produz proteína) e cobra a distinção entre agir sobre o patógeno (vírus) e sobre o vetor (inseto).
  • Generalização: em resistência viral por transgenia, o alvo costuma ser uma etapa essencial do ciclo do vírus (replicação, montagem da capa proteica). Uma proteína viral defeituosa expressa pela planta age por efeito dominante-negativo.
  • Dica de eliminação rápida: corte tudo que fala em "mosca-branca" (C e D — alvo errado) e a que "inibe a síntese" da proteína (B — contradiz o enunciado). Entre A e E, escolha a mais específica: E.
  • Conexões: RNA de interferência (silenciamento gênico), Embrapa e o feijão GM brasileiro, ciclo dos begomovírus e transmissão por vetores.

Comunidade Memorize · Grátis

Não perca nenhuma live, aula ou material.

Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.