Mapa de questões · 2º dia
Questão 102 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia
Radionuclídeos são utilizados para a obtenção de imagens médicas de diferentes órgãos do corpo humano. No processo de geração de imagem, o radionuclídeo sofre desintegração com emissão de radiação. O tempo dessa desintegração deve ser suficiente para que haja acúmulo do radionuclídeo no órgão que se pretende examinar, e para que corresponda a cerca de uma vez e meia (1,5 ×) o tempo de duração do exame. Para se obterem imagens de um órgão num exame que tem duração de 4 horas, é necessário selecionar um radionuclídeo dentre os cinco apresentados no quadro.

OLIVEIRA, R. et al. Preparações radiofarmacêuticas e suas aplicações. Rev. Bras. Ciênc. Farm., n. 2, 2006 (adaptado).
Qual é o radionuclídeo adequado para a obtenção dessas imagens?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Química → Radioatividade e meia-vida (radiofármacos na medicina nuclear)
- ⚡ Nível: Fácil — basta calcular 1,5 × 4 h e comparar com a tabela, sem contas de decaimento.
- 🎯 Tema/Habilidade: Meia-vida como critério de escolha de radionuclídeo; interpretar dado numérico e aplicá-lo a um contexto tecnológico (H24 — reconhecer relações entre tecnologia e processos radioativos).
- 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual radionuclídeo tem meia-vida adequada a um exame de imagem que dura 4 horas?"
- Palavras-chave decisivas: uma vez e meia (1,5 ×), duração do exame = 4 horas, meia-vida.
- Armadilha típica: achar que "quanto maior a meia-vida, melhor" (para não acabar durante o exame). Errado: meia-vida longa demais mantém o paciente irradiado por dias após o exame, sem necessidade.
- O que a resposta precisa demonstrar: saber traduzir "1,5 × a duração" em um número (6 h) e localizar, na tabela, o radionuclídeo cuja meia-vida coincide com esse valor.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Meia-vida (t₁/₂): tempo para metade dos núcleos radioativos de uma amostra se desintegrar. É constante para cada radionuclídeo e independe da quantidade inicial.
- Radiofármaco ideal: deve durar o suficiente para se acumular no órgão e permitir todo o exame, mas decair rápido depois, minimizando a dose de radiação recebida pelo paciente.
- Critério do enunciado: a meia-vida procurada é 1,5 × a duração do exame. É uma regra numérica direta fornecida pelo próprio texto — não é preciso deduzi-la.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "corresponda a cerca de uma vez e meia (1,5 ×) o tempo de duração do exame" → define o alvo: t₁/₂ = 1,5 × (duração).
- Evidência 2: "num exame que tem duração de 4 horas" → fornece a duração a ser multiplicada: 4 h.
- Síntese: a resposta é puramente aritmética — calcular 1,5 × 4 h e casar o resultado com a coluna "Tempo de meia-vida" do quadro. Todos os valores precisam estar na mesma unidade (horas) para a comparação ser justa.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Calcular a meia-vida alvo
t₁/₂ alvo = 1,5 × 4 h = 6 h.
O radionuclídeo ideal deve ter meia-vida próxima de 6 horas.
Subpasso 4.2 — Padronizar as unidades da tabela
- ¹³N → 10 min = 0,17 h
- ¹⁸F → 110 min ≈ 1,8 h
- ⁶⁴Cu → 13 h
- ⁹⁹Tc → 6,0 h
- ¹²⁴I → 4,2 dias ≈ 100 h
Subpasso 4.3 — Verificação
Comparando com o alvo de 6 h, o único valor que coincide exatamente é o do ⁹⁹Tc (6,0 h). Os demais ou são muito curtos (decairiam antes de terminar o exame) ou muito longos (irradiariam o paciente por tempo desnecessário). Confirmado: ⁹⁹Tc.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ¹³N
❌ Incorreta: meia-vida de apenas 10 min (0,17 h). O radionuclídeo praticamente desapareceria antes mesmo de o exame de 4 h começar a gerar imagens úteis. Longe do alvo de 6 h.
B) ¹⁸F
❌ Incorreta: 110 min ≈ 1,8 h. Ainda curto: menos da metade do exame estaria coberto com atividade adequada. Não atinge as 6 h exigidas.
C) ⁶⁴Cu
❌ Incorreta: 13 h — mais que o dobro do alvo. Manteria o paciente irradiado por muito tempo após o fim do exame, sem ganho de imagem. Excesso de dose.
D) ⁹⁹Tc
✅ Correta: 6,0 h = 1,5 × 4 h exatamente. Dura o suficiente para se acumular no órgão e cobrir o exame inteiro, decaindo logo em seguida. É, de fato, o radionuclídeo mais usado em cintilografia na medicina nuclear.
E) ¹²⁴I
❌ Incorreta: 4,2 dias ≈ 100 h. Meia-vida absurdamente longa para o critério: o paciente ficaria irradiado por dias. Totalmente fora do valor de 6 h.
🏆 Gabarito: D — Só o ⁹⁹Tc possui meia-vida de 6,0 h, exatamente igual a 1,5 × a duração de 4 h do exame.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: entre os cinco, apenas o ⁹⁹Tc bate com o alvo calculado (6 h); é o único que atende ao critério "1,5 × duração".
- Padrão de cobrança: o ENEM adora dar uma regra numérica pronta no texto e uma tabela — o trabalho real é padronizar unidades e comparar. Química de radioatividade quase sempre vem com meia-vida.
- Generalização: para escolher radiofármaco/radioisótopo, busque meia-vida da ordem do procedimento — nem tão curta que se esgote, nem tão longa que irradie sem propósito.
- Dica de eliminação rápida: converta tudo para horas. Some que o alvo é 6 h e descarte na hora os extremos: ¹³N e ¹⁸F (minutos, curtíssimos) e ¹²⁴I (dias, longuíssimo). Sobram ⁶⁴Cu (13 h) e ⁹⁹Tc (6 h) — e só o segundo casa com 6 h.
- Conexões: cintilografia e PET-scan; tecnécio-99m como radiofármaco mais empregado no mundo; cálculo de decaimento por número de meias-vidas.
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