Mapa de questões · 2º dia
Questão 134 — ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia
Na produção do vinho pode ocorrer a contaminação por Aspergillus carbonarius e Aspergillus niger, fungos oportunistas que se desenvolvem, principalmente, nas bagas danificadas de uvas durante seu amadurecimento. Esses fungos produzem ocratoxina (OTA), um tipo de micotoxina, possivelmente cancerígena, que pode ser transferida para o vinho durante o processo de vinificação.
WELKE, J. E.; HOELTZ, M.; NOLL, I. B. Aspectos relacionados à presença de fungos toxigênicos em uvas e ocratoxina A em vinhos. Ciência Rural, n. 8, out. 2009 (adaptado).
Considerando os princípios dessa técnica de produção, que procedimento reduz o risco da presença de OTA no vinho?
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Microbiologia aplicada e boas práticas na produção de alimentos (micotoxinas)
- ⚡ Nível: Fácil — o próprio texto entrega a pista ("bagas danificadas"), bastando ligar causa e prevenção.
- 🎯 Tema/Habilidade: Contaminação por fungos toxigênicos e controle de qualidade na vinificação (interpretar processos biotecnológicos e propor medidas de prevenção).
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Qual procedimento da vinificação diminui a chance de a ocratoxina (OTA) aparecer no vinho?"
- Palavras-chave decisivas: bagas danificadas, fungos oportunistas, reduz o risco
- Armadilha típica: procurar uma medida "química" ou "tecnológica" sofisticada (inseticida, variedade) em vez da mais simples e direta — a triagem visual dos frutos.
- O que a resposta precisa demonstrar: entender que a toxina nasce do fungo, o fungo cresce em uva estragada, logo eliminar a uva estragada corta o problema na origem.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fungos toxigênicos: Aspergillus carbonarius e A. niger são fungos oportunistas — só proliferam quando a barreira natural da fruta está rompida (bagas machucadas, rachadas ou apodrecidas).
- Micotoxina / OTA: a ocratoxina A é um metabólito secundário tóxico produzido pelo fungo; é possível cancerígena e resistente, passando da uva para o vinho durante a vinificação. Onde não há fungo, não há toxina.
- Boas Práticas na vinificação: controle de qualidade começa na matéria-prima. A seleção (triagem) dos cachos descarta uvas comprometidas antes de entrarem no processo, reduzindo o inóculo fúngico e, consequentemente, a OTA.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "fungos oportunistas que se desenvolvem, principalmente, nas bagas danificadas" → a fonte do fungo é a uva estragada; controlar a uva controla o fungo.
- Evidência 2: "ocratoxina... pode ser transferida para o vinho durante o processo de vinificação" → uma vez colhida a uva contaminada, a toxina segue no processo; portanto a prevenção tem de ser na entrada.
- Síntese: se o fungo mora nas bagas danificadas, a medida eficaz é retirar essas bagas antes de tudo — ou seja, selecionar os cachos na triagem.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar a origem do risco
A cadeia causal é: baga danificada → colonização por Aspergillus → produção de OTA → transferência para o vinho. O ponto mais eficiente de intervenção é o primeiro elo: a matéria-prima.
Subpasso 4.2 — Escolher a intervenção certa
"Considerando os princípios dessa técnica de produção" (a vinificação) pede uma etapa do próprio processo. A triagem/seleção dos cachos é a etapa em que se separam e descartam as uvas machucadas, mofadas ou podres. Menos baga danificada = menos fungo = menos toxina.
Subpasso 4.3 — Verificação
A seleção dos cachos age exatamente sobre a variável que o texto aponta como decisiva (bagas danificadas), enquanto as demais opções ou atuam tarde demais, ou combatem o alvo errado, ou são pouco específicas. Confirma-se a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) Seleção dos cachos.
✅ Correta: remove na triagem as bagas danificadas — justamente onde o Aspergillus se instala — reduzindo o inóculo fúngico e a produção de OTA na origem.
B) Utilização de inseticidas.
❌ Incorreta: inseticidas combatem insetos, não fungos (que exigiriam fungicidas). Além disso, não é uma etapa da vinificação nem atua sobre a toxina já formada.
C) Maceração dos frutos.
❌ Incorreta: a maceração ocorre depois, no esmagamento das uvas, quando a toxina já pode estar presente; ela não elimina fungo nem OTA — pelo contrário, ajuda a extrair a toxina para o mosto.
D) Medição da infrutescência.
❌ Incorreta: medir o cacho não interfere na presença de fungos nem de toxina; é um parâmetro sem relação com o controle microbiológico.
E) Escolha da variedade de uva.
❌ Incorreta: como os fungos são oportunistas e atacam qualquer baga danificada, trocar a variedade não impede a contaminação; o fator decisivo é o estado sanitário da uva, não a cultivar.
🏆 Gabarito: A — a seleção dos cachos elimina as bagas danificadas, cortando a contaminação fúngica exatamente onde ela começa e reduzindo a OTA no vinho.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: só a alternativa A age sobre a causa apontada pelo texto (bagas danificadas), prevenindo o problema antes que a toxina se forme.
- Padrão de cobrança: o ENEM adora questões de "boas práticas" em alimentos e biotecnologia, em que a resposta certa é a medida preventiva na matéria-prima, não a correção depois do estrago.
- Generalização: contaminação de origem pós-colheita/pré-processo → a solução costuma ser triagem/seleção na entrada.
- Dica de eliminação rápida: corte tudo que age depois (maceração), o que combate o alvo errado (inseticida contra fungo) e o que é vago (medição da infrutescência); sobra a triagem.
- Conexões: Aspergillus e micotoxinas (aflatoxinas em amendoim/milho); conceito de fungo oportunista; controle de qualidade e assepsia em alimentos fermentados.
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