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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 109ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia

O uso de terapias celulares no tratamento do diabetes mellitus tem crescido nos últimos anos, com destaque, inclusive, para pesquisas brasileiras. Os critérios de inclusão para participação em uma dessas pesquisas exigem o diagnóstico precoce da doença em jovens com baixa produção de insulina. Os procedimentos terapêuticos envolvem a coleta de células-tronco do próprio paciente, imunossupressão com quimioterapia e transplante das células.

LOJUDICE, F. H.; SOGAYAR, M. C. Células-tronco no tratamento e cura do diabetes mellitus. Ciência & Saúde Coletiva, n. 1, 2008 (adaptado).

Qual é o risco da utilização dessa nova biotecnologia?

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Biotecnologia, imunologia e terapia com células-tronco
  • ⚡ Nível: Médio — exige ligar "imunossupressão com quimioterapia" às suas consequências fisiológicas, e não apenas ler a palavra "transplante".
  • 🎯 Tema/Habilidade: Terapia celular no diabetes mellitus tipo 1 / avaliar riscos de aplicações biotecnológicas na saúde humana (associar procedimento a efeito colateral).
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Qual o principal risco à saúde do paciente que decorre do protocolo dessa terapia celular?"
  • Palavras-chave decisivas: células-tronco do próprio paciente, imunossupressão com quimioterapia, risco
  • Armadilha típica: raciocinar por "transplante = rejeição / compatibilidade genética", ignorando que as células são do próprio indivíduo (autólogas).
  • O que a resposta precisa demonstrar: entender que a etapa de imunossupressão, e não a origem das células, é a fonte do perigo.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Diabetes mellitus tipo 1: doença autoimune em que o próprio sistema imune destrói as células β do pâncreas, reduzindo a produção de insulina — daí o critério "jovens com baixa produção de insulina".
  • Transplante autólogo: as células-tronco são retiradas e devolvidas ao mesmo paciente; por serem geneticamente idênticas, o sistema imune não as reconhece como estranhas.
  • Imunossupressão com quimioterapia: etapa que destrói/desliga o sistema imune do paciente (inclusive os linfócitos autorreativos) para "zerar" a autoimunidade antes de reinfundir as células. O custo é ficar temporariamente sem defesas.
  • Infecção oportunista: infecção causada por microrganismos que normalmente são inofensivos, mas que se aproveitam de um sistema imune enfraquecido.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "coleta de células-tronco do próprio paciente" → terapia autóloga; elimina de saída os riscos de rejeição e de incompatibilidade genética.
  • Evidência 2: "imunossupressão com quimioterapia e transplante das células" → o paciente é deliberadamente deixado sem defesas imunológicas durante o procedimento.
  • Síntese: o único risco compatível com um sistema imune suprimido em um transplante de células próprias é o aumento da vulnerabilidade a infecções — o caminho aponta para a alternativa que fala em infecções oportunistas.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Por que se faz imunossupressão aqui

No DM1 o problema de fundo é a autoimunidade: linfócitos T atacam as células β. A quimioterapia imunossupressora serve para "resetar" esse sistema imune desregulado antes de repovoá-lo com as células-tronco. Ou seja, a supressão é intencional e profunda.

Subpasso 4.2 — Consequência direta da supressão

Com as defesas desligadas, o organismo perde a capacidade de conter bactérias, fungos e vírus que normalmente controlaria. Microrganismos oportunistas (ex.: fungos como Candida, Pneumocystis, citomegalovírus) encontram terreno livre. Esse é um risco clássico e bem documentado de qualquer protocolo com imunossupressão/quimioterapia.

Subpasso 4.3 — Verificação

Testando contra as alternativas: como as células são autólogas, "rejeição", "compatibilidade genética" e grande parte do "conflito ético" caem. "Resistência à insulina" pertence ao DM tipo 2 e não é efeito do tratamento. Resta o risco associado à imunossupressão → maior suscetibilidade a infecções oportunistas.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) O conflito ético na utilização de células-tronco.

❌ Incorreta: o conflito ético relevante envolve células-tronco embrionárias. Aqui usam-se células-tronco adultas do próprio paciente (autólogas), o que praticamente elimina a controvérsia ética — e, sobretudo, isso não é um risco à saúde dele.

B) A ocorrência de rejeição às novas células transplantadas.

❌ Incorreta: rejeição ocorre em transplantes alogênicos (de doador). Como as células são do próprio paciente, são geneticamente idênticas e não disparam resposta de rejeição.

C) A resistência dos receptores de insulina à ação hormonal.

❌ Incorreta: resistência à insulina é o mecanismo do diabetes tipo 2 e não é causada por essa terapia. O caso descrito é DM tipo 1 (baixa produção de insulina), e o tratamento visa restaurar a produção, não alterar receptores.

D) A susceptibilidade maior do paciente a infecções oportunistas.

✅ Correta: a imunossupressão com quimioterapia derruba as defesas do organismo, deixando o paciente vulnerável a microrganismos oportunistas. É o risco direto e esperado do procedimento.

E) A necessidade de testes de compatibilidade genética para o transplante.

❌ Incorreta: testes de compatibilidade (HLA) são exigidos em transplantes de doador. Sendo autólogo, o paciente é seu próprio doador — não há necessidade de compatibilidade — e, além disso, "necessidade de teste" não é um risco.

🏆 Gabarito: D — a etapa de imunossupressão com quimioterapia deixa o paciente sem defesas, e o principal risco daí decorrente é a maior suscetibilidade a infecções oportunistas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: D é a única alternativa que descreve uma consequência real do protocolo (imunossupressão → queda de defesas); as demais descrevem riscos de transplantes alogênicos ou confundem DM1 com DM2.
  • Padrão de cobrança: o ENEM gosta de dar um procedimento biotecnológico e pedir o risco/efeito colateral, testando se você liga a técnica (imunossupressão, quimioterapia) à fisiologia (defesa imunológica).
  • Generalização: sempre que houver imunossupressão ou quimioterapia, o risco imediato é infecção oportunista — a defesa do corpo foi desligada.
  • Dica de eliminação rápida: identifique o termo "do próprio paciente" (autólogo): ele derruba de uma vez rejeição (B) e compatibilidade genética (E). Reconheça DM1 (baixa produção de insulina) para cortar resistência à insulina (C).
  • Conexões: transplante autólogo × alogênico; DM tipo 1 (autoimune) × DM tipo 2 (resistência periférica); imunidade e infecções oportunistas (relação com HIV/AIDS e pacientes transplantados).

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