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Mapa de questões · 2º dia
NaturezaBiologiaMédio

Questão 100ENEM 2025 PPLCaderno azul · 2º Dia

A destruição de florestas prejudica o equilíbrio climático e hídrico, podendo levar à extinção de espécies e causar outros efeitos imprevisíveis, como o reaparecimento de patógenos. Vírus que permaneciam latentes nas florestas podem aparecer e causar as viroses do tipo emergente. Ecologicamente, essa relação desarmônica entre os vírus e o homem pode causar enorme prejuízo para a saúde humana.

GROSETH, A.; FELDMANN, H.; STRONG, J. E. Trends in Microbiology, v. 15, 2007 (adaptado).

O enorme prejuízo ao hospedeiro nesse tipo de virose está associado com o(a)

Alternativas

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Biologia → Ecologia de parasitismo e coevolução hospedeiro-patógeno (viroses emergentes / zoonoses)
  • ⚡ Nível: Médio — o texto é acessível, mas exige conectar "relação nova" com o conceito ecológico de coevolução, e não com imunidade ou mutação.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Relações ecológicas desarmônicas e virulência — compreender como o desmatamento gera viroses emergentes de alta letalidade.
  • 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que os vírus que saem das florestas destruídas causam um dano tão grande ao ser humano?"
  • Palavras-chave decisivas: relação desarmônica, vírus emergentes, enorme prejuízo ao hospedeiro
  • Armadilha típica: achar que dano grande = "baixa imunidade" (A) ou "muita mutação" (B). São plausíveis, mas o texto aponta para o ineditismo da relação, não para o sistema imune nem para a taxa mutacional.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que a alta virulência decorre da ausência de ajuste evolutivo mútuo — ou seja, do pouco tempo de convivência entre vírus e hospedeiro.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Coevolução hospedeiro-parasita: ao longo de muitas gerações convivendo, parasita e hospedeiro se ajustam mutuamente; tende a surgir um equilíbrio em que o parasita não mata (ou mata pouco) o hospedeiro, pois hospedeiro morto = fim da fonte de recursos e da transmissão.
  • Virulência e tempo de relação: relações parasitárias antigas costumam ser menos letais (equilíbrio); relações novas costumam ser muito virulentas, porque nenhum dos dois lados está "adaptado" ao outro.
  • Viroses emergentes / zoonoses: patógenos que estavam restritos a hospedeiros silvestres (reservatórios) e, por perturbação ambiental (desmatamento), passam a infectar o homem — hospedeiro inédito, sem histórico de convivência.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Vírus que permaneciam latentes nas florestas podem aparecer e causar as viroses do tipo emergente" → o vírus tinha outro hospedeiro/reservatório; o homem é um alvo novo para ele.
  • Evidência 2: "essa relação desarmônica entre os vírus e o homem pode causar enorme prejuízo" → o dano vem da própria relação recém-estabelecida, não de uma característica isolada do vírus.
  • Síntese: vírus antigo + hospedeiro humano novo = relação sem coevolução. Sem ajuste evolutivo, a virulência é máxima e o prejuízo é enorme. Isso aponta diretamente para "pouco tempo de relação".

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Por que parasitas "antigos" costumam ser brandos

A seleção natural, no longo prazo, tende a desfavorecer o parasita que mata rápido demais seu hospedeiro: um hospedeiro morto não circula, não transmite e não sustenta o patógeno. Assim, em relações com longa história evolutiva (muitas gerações de convívio), forma-se um equilíbrio — o hospedeiro desenvolve defesas e tolerância, e o patógeno "modera" seus efeitos. Resultado: baixa letalidade.

Subpasso 4.2 — Por que a virose emergente é devastadora

No caso do texto, o vírus ficou "latente" em hospedeiros da floresta e nunca conviveu com o ser humano. Quando o desmatamento força o contato, o homem se torna um hospedeiro totalmente novo. Não houve tempo para nenhum ajuste mútuo: o vírus não está "calibrado" para esse hospedeiro e o hospedeiro não tem histórico de defesa contra ele. Essa relação recém-formada e sem equilíbrio é justamente a "relação desarmônica" que o texto cita — e é por isso que o prejuízo é enorme.

Subpasso 4.3 — Verificação

A causa do dano é o ineditismo da relação = pouco tempo de coevolução entre vírus e hospedeiro. Comparando com as alternativas, a única que descreve exatamente isso é a letra C ("pouco tempo de relação entre o vírus e o hospedeiro").

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) baixa imunidade do hospedeiro.

❌ Incorreta: o problema não é uma imunidade deficiente — pessoas com sistema imune normal também adoecem gravemente. O sistema imune simplesmente nunca "encontrou" esse vírus antes, o que é uma questão de relação nova, não de imunodeficiência.

B) alta capacidade de mutação dos vírus.

❌ Incorreta: mutação favorece o surgimento e a adaptação viral, mas não é o motivo do alto dano inicial descrito. O texto enfatiza a relação recém-estabelecida, não a taxa de mutação.

C) pouco tempo de relação entre o vírus e o hospedeiro.

✅ Correta: sem história evolutiva compartilhada, não há equilíbrio hospedeiro-parasita; a falta de coevolução gera altíssima virulência e, portanto, o "enorme prejuízo" citado.

D) acúmulo de substâncias tóxicas nos vírus emergentes.

❌ Incorreta: vírus não produzem nem acumulam toxinas como bactérias; são partículas acelulares que causam dano ao se replicar dentro das células, não por acúmulo de substâncias tóxicas.

E) grau elevado de especificidade dos vírus com o hospedeiro.

❌ Incorreta: é o oposto do descrito. Vírus emergentes justamente "saltam" de um hospedeiro para outro (baixa especificidade em relação ao novo hospedeiro humano). Alta especificidade combinada com longa convivência tenderia a reduzir a letalidade, não a aumentá-la.

🏆 Gabarito: C — o enorme prejuízo decorre da ausência de coevolução: vírus e ser humano têm pouco tempo de relação, logo não existe o equilíbrio que torna parasitas antigos mais brandos.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: a "relação desarmônica" do texto é uma relação nova; sem tempo de ajuste evolutivo, a virulência é máxima — exatamente o que diz a letra C.
  • Padrão de cobrança: o ENEM associa recorrentemente desmatamento → zoonoses/viroses emergentes → alta letalidade por falta de coevolução, dentro da lógica de "Saúde Única" (One Health).
  • Generalização: relação parasitária antiga → tende ao equilíbrio (baixa letalidade); relação parasitária nova → alta virulência. Tempo de convivência é inversamente proporcional ao dano.
  • Dica de eliminação rápida: corte D (vírus não têm toxinas acumuláveis) e E (emergente é o contrário de específico) quase sem pensar; entre A, B e C, escolha a que fala da relação (C), pois é o foco do texto.
  • Conexões: Ebola, HIV, SARS-CoV-2 e febre amarela silvestre como exemplos de zoonoses; conceito de reservatório natural e a abordagem One Health.

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