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Mapa de questões · 1º dia
HumanasFilosofiaFácil

Questão 87ENEM 2023 PPL

As propostas dele não devem ser levadas a sério, pois foi visto bêbado num restaurante.

GALINDO, R. 20 falácias (e as eleições). Disponível em: www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 17 out. 2021 (adaptado).

A afirmação, eficaz como mecanismo de persuasão de eleitores em contextos políticos, constitui-se como uma falácia porque

Alternativas

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Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Filosofia → Lógica argumentativa e falácias informais
  • ⚡ Nível: Fácil — o texto-base descreve de forma explícita um ataque à pessoa, e apenas uma alternativa nomeia exatamente esse mecanismo
  • 🎯 Tema/Habilidade: Identificação de falácias argumentativas (ad hominem) em discurso político; competência de leitura crítica e análise do discurso (H6/H8 da matriz de Ciências Humanas)
  • 🏆 Gabarito: B — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Por que essa frase, usada para desqualificar um candidato, é uma falácia?"
  • Palavras-chave decisivas: propostas não devem ser levadas a sério, bêbado, restaurante
  • Armadilha típica: confundir "ataque pessoal" com "apelo à autoridade" (E) ou com "apelo à maioria" (D), porque todas as opções mencionam algum tipo de desvio do argumento — o candidato deve identificar QUAL desvio específico ocorre no texto.
  • O que a resposta precisa demonstrar: que o examinando reconhece a estrutura lógica da falácia — não a validade ou a veracidade do fato (o candidato pode até ter bebido de fato), mas a irrelevância desse fato para avaliar as propostas políticas.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Falácia: um argumento que parece logicamente convincente, mas contém um erro de raciocínio que o torna inválido ou irrelevante para sustentar a conclusão. Falácias são eficazes persuasivamente justamente porque exploram vieses emocionais, e não porque provam algo de fato.
  • Ad hominem (ataque à pessoa): ocorre quando, em vez de refutar o conteúdo de um argumento ou proposta, o interlocutor ataca características, comportamentos ou a reputação de quem o defende. A conduta pessoal é usada como se fosse prova contra a tese defendida — mas conduta e mérito da proposta são coisas logicamente independentes.
  • Falácia da autoridade (ad verecundiam): consiste em validar (ou invalidar) uma ideia apenas com base no prestígio ou na posição de quem a defende, sem examinar os fundamentos do argumento.
  • Falácia da maioria (ad populum): apela ao fato de "todo mundo pensa assim" ou "a maioria aprova" como se isso fosse garantia de verdade, substituindo a análise racional pelo consenso numérico.
  • Petição de princípio (circularidade): ocorre quando a conclusão já está pressuposta nas premissas, ou seja, o argumento "prova" algo usando a própria coisa que deveria provar.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "As propostas dele não devem ser levadas a sério" → é a conclusão que se quer impor ao eleitor: descartar as ideias políticas do candidato, sem qualquer análise de seu conteúdo.
  • Evidência 2: "pois foi visto bêbado num restaurante" → é a justificativa apresentada, mas ela fala exclusivamente sobre a conduta pessoal do candidato em um contexto privado, nada dizendo sobre a qualidade, a viabilidade ou o mérito das propostas em si.
  • Síntese: a estrutura do argumento troca "o que ele propõe" por "o que ele é/faz enquanto pessoa". Esse deslocamento do foco — do argumento para o indivíduo — é a marca registrada do ataque ad hominem, o que aponta diretamente para a alternativa B.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Isolar a estrutura lógica do enunciado

O texto de Galindo apresenta um caso clássico de falácia informal usada em retórica política. Para resolver, é preciso separar dois elementos: (1) a conclusão proposta ("não leve a sério as propostas dele") e (2) a premissa oferecida como sustentação ("foi visto bêbado"). Em um argumento logicamente válido, a premissa deveria fornecer razões relacionadas ao conteúdo da conclusão. Aqui, porém, a premissa fala sobre comportamento pessoal em um jantar, enquanto a conclusão fala sobre o valor de propostas políticas — dois assuntos que não têm relação lógica necessária entre si.

Subpasso 4.2 — Nomear o tipo de falácia

Esse desvio — abandonar o exame do argumento e atacar quem o formula — é definido na lógica informal como argumentum ad hominem (literalmente, "argumento contra o homem"). A eficácia persuasiva vem do apelo emocional: associar a imagem do candidato a um comportamento reprovável (embriaguez pública) gera rejeição instintiva no eleitor, que transfere esse julgamento moral para as propostas, sem nunca avaliá-las de fato. É exatamente essa transferência indevida — da pessoa para as ideias — que caracteriza a falácia.

Subpasso 4.3 — Verificação

Confrontando a síntese do Passo 3 com as alternativas, apenas a opção B descreve com precisão essa dupla operação: (i) atacar a pessoa e (ii) desconsiderar (deixar de discutir) as ideias/propostas. As demais alternativas descrevem outras falácias (circularidade, aceitação da conclusão com refutação das premissas, apelo à maioria, apelo à autoridade) que não correspondem ao mecanismo textual apresentado — nenhuma delas menciona um ataque à conduta pessoal do candidato, que é o núcleo do enunciado.

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) recorre à circularidade e afirma as suas teses.

❌ Incorreta: a circularidade (petição de princípio) ocorreria se a conclusão fosse usada como sua própria premissa — por exemplo, "ele é incompetente porque não sabe governar, e não sabe governar porque é incompetente". No enunciado não há repetição da tese como prova de si mesma; há um ataque a um fato pessoal alheio ao conteúdo político.

B) ataca a pessoa e desconsidera as suas ideias.

✅ Correta: descreve com exatidão a falácia ad hominem presente no texto. O argumento desqualifica o candidato por sua conduta (estar bêbado) e, com isso, evita — e desconsidera — qualquer avaliação do mérito de suas propostas políticas.

C) aceita a conclusão e refuta as suas premissas.

❌ Incorreta: essa descrição não corresponde a nenhuma falácia clássica coerente com o texto; o enunciado não aceita conclusão alguma previamente nem refuta premissas — ele constrói uma conclusão (não confiar nas propostas) a partir de uma premissa estranha ao tema (embriaguez).

D) evoca a maioria e apresenta os seus argumentos.

❌ Incorreta: seria o caso de uma falácia ad populum, que apela ao consenso ou à opinião da maioria ("todos pensam assim, logo é verdade"). No texto não há nenhuma menção a opinião coletiva ou popularidade — o argumento é centrado inteiramente na conduta individual do candidato.

E) apela à autoridade e investiga os seus fundamentos.

❌ Incorreta: seria o caso de ad verecundiam, quando se valida ou invalida uma tese com base no prestígio ou posição de quem fala. Além disso, a própria alternativa se contradiz ao dizer "investiga os seus fundamentos", pois a falácia, por definição, dispensa a investigação dos fundamentos da proposta — o que o texto realmente faz é o oposto: ignorar completamente os fundamentos.

🏆 Gabarito: B — o argumento citado desloca o debate das propostas políticas para a vida pessoal do candidato, configurando o clássico ataque ad hominem, que desconsidera qualquer discussão sobre o mérito das ideias defendidas.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa B descreve corretamente a operação lógica do texto — desviar o foco da proposta para o comportamento pessoal do proponente —, o que é a definição exata de ad hominem.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente cobra falácias em contextos de discurso político, publicitário ou de redes sociais, pedindo que o aluno reconheça o mecanismo retórico por trás de frases de efeito, sem exigir memorização de nomes em latim — a banca costuma descrever a estrutura e pedir a identificação do padrão.
  • Generalização: sempre que um argumento abandonar o conteúdo da proposta e atacar características pessoais, morais ou biográficas de quem a defende, trata-se de ad hominem — independentemente de o fato pessoal citado ser verdadeiro ou não.
  • Dica de eliminação rápida: procure no enunciado se há menção a "maioria/opinião pública" (elimina ad populum), a "especialista/autoridade" (elimina ad verecundiam) ou a uma conclusão que se repete como premissa (elimina circularidade); se nada disso aparecer e o foco for o comportamento do indivíduo, a resposta é ataque pessoal.
  • Conexões: falácia do espantalho (distorcer o argumento do adversário) e falácia do falso dilema (reduzir a questão a apenas duas opções) são outras falácias informais frequentemente cobradas em questões de retórica e argumentação no ENEM.

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