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Mapa de questões · 1º dia
LinguagensPortuguêsFácil

Questão 17ENEM 2023 PPL

Disponível em: https://twitter.com/emicida. Acesso em: 23 out. 2021.

Nessa postagem dirigida aos seus seguidores de rede social, o autor utiliza uma linguagem

Alternativas

Resolução em Vídeo

Resolução

Ficha da Questão

  • 📚 Matérias Necessárias: Português → Variação Linguística (sociolinguística); registros de fala; marcas de oralidade em gêneros digitais
  • ⚡ Nível: Fácil — os marcadores linguísticos (gírias, contrações, grafias fonéticas) aparecem repetidos e explícitos ao longo de todo o texto, sem exigir conhecimento técnico aprofundado.
  • 🎯 Tema/Habilidade: Reconhecer a adequação da linguagem à situação comunicativa e identificar marcas de variação linguística diastrática (social) e diatópica (regional) em um gênero digital.
  • 🏆 Gabarito: D — revelado após resolução completa

Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando

  • Comando reformulado: "Que traço caracteriza a variedade linguística usada pelo autor nesta postagem dirigida a seus seguidores?"
  • Palavras-chave decisivas: linguagem, postagem dirigida aos seguidores, rede social
  • Armadilha típica: fixar-se em palavras isoladas como "ringue" e "pódio" e concluir que o texto usa jargão esportivo, ou supor que, por vir de um rapper/poeta, o texto emprega necessariamente "linguagem poética" elevada.
  • O que a resposta precisa demonstrar: capacidade de identificar, a partir de marcas lexicais e fonético-morfológicas concretas do texto, qual grupo social e regional fala daquele jeito.

Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais

  • Variação linguística: a língua muda conforme quem fala (variação social/diastrática), de onde fala (variação regional/diatópica) e em que situação fala (variação estilística/diafásica). Não existe "forma errada", existe adequação — ou não — ao contexto de uso.
  • Registro urbano jovem/periférico: marcado por vocabulário próprio (gírias), redução de pronomes e verbos típica da fala espontânea, e forte identidade de grupo — muito presente na cultura de rua e no rap.
  • Oralidade transposta para a escrita digital: redes sociais reproduzem por escrito traços da fala informal (apagamento de sons, contrações, grafias fonéticas), pois o gênero "postagem" simula conversa direta com quem lê.

Passo 3 — Decodificação do Enunciado

  • Evidência 1: "Aí, maloqueiro, aí, maloqueira" → vocativo afetivo típico da cultura de rua/periferia, na abertura do texto, criando proximidade imediata com quem segue o perfil.
  • Evidência 2: "Cê vai sair dessa prisão" / "Cê vai atrás desse diploma" → "cê" é a redução fonética de "você", marca produtiva da fala coloquial urbana brasileira, transposta para a escrita.
  • Evidência 3: "Faz isso por nóiz" e "tendeu?" → "nóiz" reproduz a pronúncia popular de "nós"; "tendeu" apaga a sílaba inicial de "entendeu", marcador de checagem típico da fala rápida e informal.
  • Síntese: gírias, pronomes reduzidos e grafias fonéticas apontam para um registro específico — a fala de jovens de contextos urbanos populares, ligada à cultura de rua/periferia das grandes metrópoles, de onde vem o próprio autor.

Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)

Subpasso 4.1 — Identificar o gênero e a situação comunicativa

A postagem é publicada no Twitter por Emicida em 10 de maio de 2020, associada à hashtag #EmicidaLiveEmCasa — transmissão ao vivo de casa durante a pandemia, dirigida diretamente ao público que o acompanha. Esse gênero — post curto, dirigido aos seguidores, com tom de fala — pede linguagem espontânea, próxima, quase oral. É esse contrato comunicativo que orienta a leitura das marcas linguísticas a seguir.

Subpasso 4.2 — Levantar sistematicamente as marcas linguísticas do texto

  1. "maloqueiro / maloqueira" (no verso de abertura) — termo de origem popular urbana ("morador de maloca/favela"), ressignificado na cultura de rua como forma afetiva de tratamento entre iguais.
  2. "Cê" ("Cê vai sair", "Cê vai atrás") — redução de "você", um dos fenômenos fonéticos mais característicos da fala informal brasileira em contextos urbanos populares.
  3. "nóiz" (em "por nóiz") — grafia que reproduz a pronúncia de "nós" nesse mesmo dialeto social, reforçando o efeito de oralidade e de pertencimento a um grupo.
  4. "tendeu?" — redução de "entendeu?", marcador de checagem que aproxima quem fala de quem ouve/lê, típico de conversas informais.

Nenhuma dessas marcas pertence à norma-padrão escrita; todas remetem a um recorte social e etário bem definido: jovens de contextos urbanos populares.

Subpasso 4.3 — Cruzar o levantamento com as alternativas

Comparando as marcas acima com as cinco alternativas, apenas uma nomeia com precisão esse fenômeno: a que fala em linguagem "empregada por falantes urbanos jovens de determinada região". As demais descrevem um traço secundário do texto como se fosse central (rima e imagens → "poesia"; "ringue"/"pódio" → "esporte"), ou contradizem o que o texto mostra (norma culta; distanciamento).

Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas

A) própria de manifestações poéticas.

❌ Incorreta: o texto tem cadência e imagens ("a fúria da beleza do Sol"), pois Emicida constrói a postagem quase como letra de música — mas isso é efeito estético secundário, não o traço linguístico central cobrado. "Linguagem poética" não explica por que o autor usa "cê", "nóiz" e "tendeu": esses marcadores são de registro social, não de recurso literário.

B) aplicada em contextos da área desportiva.

❌ Incorreta: "ringue" e "pódio" são empregados em sentido figurado — metáforas da luta pessoal e da vitória sobre as dificuldades —, não como terminologia técnica de esporte (não há regras, categorias ou golpes em sentido próprio). É a armadilha clássica de generalizar o texto a partir de duas palavras isoladas.

C) característica àquela atribuída a falantes escolarizados.

❌ Incorreta: é o oposto do que o texto mostra. Falantes de maior escolaridade em situações formais tendem à norma-padrão ("você", "nós", "entendeu?"); o texto faz o caminho inverso, com reduções fonéticas e gírias que se afastam da norma culta.

D) empregada por falantes urbanos jovens de determinada região.

✅ Correta: "maloqueiro/maloqueira", "cê", "nóiz" e "tendeu" são marcas lexicais e fonéticas do falar de jovens de comunidades urbanas — sobretudo da periferia paulistana, região de origem de Emicida —, confirmando com exatidão a alternativa.

E) marcada por uma relação de distanciamento entre os interlocutores.

❌ Incorreta: ocorre o oposto. O vocativo afetivo ("maloqueiro", "maloqueira"), o pronome inclusivo "nóiz" (que reúne autor e seguidores num só grupo) e o tom de incentivo direto constroem intimidade e cumplicidade, não distanciamento.

🏆 Gabarito: D — o texto reúne gírias, pronomes reduzidos e grafias fonéticas típicas da fala de jovens urbanos de uma região específica, e apenas a alternativa D nomeia esse fenômeno com precisão.

Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova

  • Reafirmação do gabarito: só a alternativa D descreve com exatidão o que "cê", "nóiz", "tendeu" e "maloqueiro/maloqueira" evidenciam: uma variedade linguística associada a um grupo social e etário de uma região específica.
  • Padrão de cobrança: o ENEM recorrentemente usa letras de música, tirinhas e posts de redes sociais para testar se o aluno reconhece variação linguística sem julgá-la "errada" — a resposta certa quase sempre valoriza a adequação da linguagem ao contexto, nunca trata o registro informal como incorreção.
  • Generalização: sempre que o enunciado perguntar sobre "linguagem" ou "registro" e o texto trouxer contrações, gírias e grafias fonéticas, a resposta caminha para variação linguística social/regional — praticamente nunca para "erro gramatical".
  • Dica de eliminação rápida: risque de cara qualquer alternativa que mencione "norma culta" ou "falantes escolarizados" quando o texto tiver gírias e contrações (aqui, C sai primeiro); depois desconfie de alternativas construídas a partir de uma única palavra isolada do contexto (aqui, B, por causa de "ringue"/"pódio").
  • Conexões: variação diastrática e diatópica; registro formal × informal; oralidade na escrita digital; rap e poesia marginal como manifestação da cultura periférica brasileira.

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