Mapa de questões · 1º dia
Questão 64 — ENEM 2023 PPL

ALVES, J. E. D. A nova projeção da população brasileira do IBGE. Disponível em: www.ufjf.br. Acesso em: 1 out. 2021.
A configuração da projeção demográfica apresentada é explicada pelo(a)
Alternativas
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Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → Demografia; transição demográfica brasileira; leitura de gráficos
- ⚡ Nível: Médio — exige converter a forma da curva em um conceito demográfico preciso
- 🎯 Tema/Habilidade: Interpretar projeção populacional e identificar o processo demográfico que a explica
- 🏆 Gabarito: C — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Por que a população brasileira deve crescer até meados do século e depois começar a diminuir?"
- Palavras-chave decisivas: Diferentes projeções para a população brasileira: 2010-2100, IBGE rev. 2018, ONU rev. 2017, configuração da projeção demográfica
- Armadilha típica: atribuir a queda futura a migração ou a êxodo rural, que redistribuem população sem reduzir o total nacional
- O que a resposta precisa demonstrar: que a curva de crescimento seguido de declínio decorre da queda do crescimento vegetativo
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Crescimento vegetativo (ou natural): diferença entre número de nascimentos e de óbitos; é o principal determinante do tamanho de uma população nacional.
- Taxa de fecundidade: número médio de filhos por mulher; no Brasil, caiu de cerca de 6 na década de 1960 para menos de 2 atualmente.
- Transição demográfica: passagem de altas taxas de natalidade e mortalidade para taxas baixas, com desaceleração do crescimento populacional.
- Inércia demográfica: fenômeno que faz a população continuar crescendo por algumas décadas mesmo após a fecundidade cair abaixo do nível de reposição, por causa da estrutura etária jovem.
- Nível de reposição: cerca de 2,1 filhos por mulher; abaixo dele, a população tende a diminuir no longo prazo.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: as duas curvas — IBGE e ONU — sobem de cerca de 195 milhões em 2010 até um pico próximo de 230 milhões em torno de 2040-2045.
- Evidência 2: após o pico, ambas as curvas passam a declinar de forma contínua, chegando a valores abaixo de 190 milhões em 2100 na projeção da ONU.
- Evidência 3: o formato é o de uma curva em sino — crescimento desacelerando, estabilização e queda —, e as duas instituições convergem nesse desenho.
- Síntese: uma população que cresce cada vez mais devagar, estabiliza e depois diminui é a assinatura da queda do crescimento vegetativo, com os nascimentos deixando de superar os óbitos.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler o formato da curva
O gráfico não mostra crescimento constante nem queda imediata. Ele mostra três momentos: crescimento que perde velocidade, um pico por volta de 2040-2045 e declínio a partir daí. Como se trata de projeção para o país inteiro, o que está em jogo é o balanço entre nascimentos e óbitos.
Subpasso 4.2 — Relacionar o formato ao processo demográfico
A população total de um país aumenta enquanto os nascimentos superam os óbitos. O Brasil viveu uma queda acentuada da fecundidade nas últimas décadas, mas continuou crescendo por inércia demográfica — havia muitas mulheres em idade fértil. Com o envelhecimento da estrutura etária, o número de nascimentos cai e o de óbitos aumenta, até que os dois se igualem: é o pico da curva. Depois disso, os óbitos superam os nascimentos e a população diminui. Todo esse movimento é descrito por uma expressão: redução do crescimento vegetativo.
Subpasso 4.3 — Verificação
Nenhuma alternativa concorrente explica o formato observado. Aumento de fecundidade ou retrocesso no controle de natalidade produziriam crescimento continuado, não declínio. Migrações internas não alteram o total nacional. Estagnação de imigrantes teria efeito marginal diante da escala do movimento projetado. Alternativa C confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) ampliação do êxodo campesino.
❌ Incorreta: o êxodo rural é migração interna — transfere pessoas do campo para a cidade sem alterar o total de habitantes do país. O gráfico projeta a população brasileira como um todo, que não se modifica por deslocamentos internos.
B) aumento da taxa de fecundidade.
❌ Incorreta: produziria efeito oposto ao observado. Mais filhos por mulher significaria mais nascimentos e, portanto, crescimento populacional continuado — não o pico seguido de queda que as duas projeções apresentam.
C) redução do crescimento vegetativo.
✅ Correta: a curva mostra crescimento cada vez mais lento até um pico em torno de 2040-2045 e declínio depois disso. Esse desenho corresponde exatamente à diminuição da diferença entre nascimentos e óbitos: com a queda da fecundidade e o envelhecimento da população, os nascimentos deixam de superar as mortes, o crescimento chega a zero no pico e passa a ser negativo em seguida.
D) retrocesso no controle de natalidade.
❌ Incorreta: também levaria a mais nascimentos e a crescimento populacional. Além disso, contraria a tendência histórica brasileira, marcada por queda consistente da fecundidade desde a década de 1970.
E) estagnação da entrada de imigrantes.
❌ Incorreta: o Brasil não tem saldo migratório internacional expressivo o bastante para determinar o formato de uma curva dessa magnitude. Uma variação de dezenas de milhões de habitantes ao longo do século é explicada pela dinâmica de nascimentos e óbitos, não pelo fluxo de imigrantes.
🏆 Gabarito: C — O crescimento desacelerado até o pico de 2040-2045 e o declínio posterior refletem a redução do crescimento vegetativo, com os nascimentos deixando de superar os óbitos.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: C é a única alternativa compatível com o formato da curva; B e D produziriam crescimento, A trata de migração interna e E de um fluxo de impacto desprezível na escala projetada.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra sistematicamente a transição demográfica brasileira, o envelhecimento populacional e a leitura de pirâmides etárias e projeções.
- Generalização: em população nacional, apenas nascimentos, óbitos e migração internacional alteram o total. Migrações internas mudam a distribuição, nunca o montante.
- Dica de eliminação rápida: se o gráfico mostra queda futura, elimine de imediato todas as alternativas que implicariam mais nascimentos.
- Conexões: transição demográfica; envelhecimento populacional e previdência; bônus demográfico; projeções do IBGE e da ONU.
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