Mapa de questões · 1º dia
Questão 73 — ENEM 2023 PPL

VIEIRA FILHO, J. E. R.; FISHLOW, A. Agricultura e indústria no Brasil: inovação e competitividade. Brasília: Ipea, 2017 (adaptado).
A dinâmica espacial expressa no mapa foi viabilizada pela
Alternativas
Resolução em Vídeo
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Geografia → geografia urbana e agrária (fronteira agrícola, rede urbana, Cerrado/Matopiba)
- ⚡ Nível: Difícil — a alternativa mais "óbvia" (mecanização) é uma armadilha; o gabarito exige raciocínio sobre a estrutura da rede urbana, não sobre técnica agrícola
- 🎯 Tema/Habilidade: Expansão da fronteira agrícola brasileira e sua relação com a rede urbana (competência de análise de dinâmicas do espaço agrário e da rede de cidades)
- 🏆 Gabarito: A — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "O que tornou possível o avanço territorial da fronteira agrícola mostrado no mapa, década após década?"
- Palavras-chave decisivas: dinâmica espacial, mapa (períodos 1970/1980/1990/2000), viabilizada
- Armadilha típica: associar automaticamente "expansão agrícola" a "mecanização do setor primário" (alternativa B), ignorando que o mapa não mostra técnica de produção, mas sim o avanço territorial em etapas sucessivas — o que remete à organização do espaço (rede de cidades) que sustenta esse avanço, não ao maquinário em si.
- O que a resposta precisa demonstrar: entendimento de que a ocupação de novas áreas produtivas depende da criação de pontos de apoio urbano (armazenagem, insumos, serviços, crédito) espalhados pelo território — e não apenas de tecnologia agrícola isolada.
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Fronteira agrícola: área de expansão recente da produção agropecuária sobre espaços antes pouco ocupados economicamente (Cerrado, Amazônia, transição Nordeste), avançando em ondas sucessivas ao longo das décadas.
- Rede urbana: conjunto hierarquizado (ou não) de cidades que se relacionam por fluxos de mercadorias, serviços, capital e informação. Pode ser concentrada (poucos polos grandes centralizando tudo) ou fragmentada/dispersa (muitos núcleos pequenos e médios espalhados pelo território, cada um cumprindo funções específicas).
- Cidades do agronegócio (agrópolis): pequenas e médias cidades que nascem ou crescem exclusivamente para dar suporte logístico ao campo — armazéns graneleiros, revendas de insumos, agências bancárias, oficinas de máquinas, portos secos. Sem elas, a produção não escoa e a fronteira não avança.
- Meio técnico-científico-informacional (Milton Santos): a modernização do campo no Brasil não dispensa a cidade — ao contrário, multiplica pequenos núcleos urbanos especializados em servir a produção agrícola moderna, fragmentando a rede urbana regional em vez de concentrá-la em um único grande centro.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1 (título do mapa): "Expansão da fronteira agrícola do Brasil" → o mapa não descreve uma técnica produtiva, mas um processo espacial de avanço territorial organizado por décadas.
- Evidência 2 (legenda de períodos): 1970 em Roraima; 1980 tomando Mato Grosso, Goiás/DF, Mato Grosso do Sul e o triângulo mineiro; 1990 no oeste da Bahia; 2000 avançando sobre Maranhão, Tocantins e Piauí (o núcleo do Matopiba) → cada nova década "acende" uma faixa territorial distinta, o que só é possível se, à medida que a produção avança, surgem novos núcleos urbanos de apoio naquela fronteira — cidades que armazenam grãos, distribuem insumos e prestam serviços àquela região recém-incorporada.
- Síntese: a sucessão de décadas no mapa mostra que a fronteira não avançou de um único centro urbano consolidado, mas por meio da multiplicação de pequenos e médios núcleos urbanos dispersos por um território imenso — ou seja, por uma rede urbana que se fragmenta (se pulveriza em vários pontos) em vez de permanecer concentrada em poucas cidades grandes já existentes.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Ler o mapa como um processo, não como uma foto única
O mapa "Expansão da fronteira agrícola do Brasil" usa cores para marcar em qual década cada porção do território foi incorporada à produção agropecuária moderna: amarelo-claro (1970, região de Roraima), verde (1980, Centro-Oeste — MT, GO/DF, MS e sul de Minas), roxo (1990, oeste da Bahia) e laranja (2000, Maranhão–Tocantins–Piauí, o Matopiba). A pergunta não quer saber como se planta nessas áreas, mas o que permitiu esse avanço se repetir, década após década, sobre diferentes porções do território.
Subpasso 4.2 — Identificar o elemento estrutural que sustenta o avanço
Toda vez que a fronteira agrícola avança sobre uma nova área do Cerrado, essa área só se torna produtiva quando surgem ao redor dela pequenas e médias cidades que oferecem os serviços de que o agronegócio depende: silos, revendas de máquinas e insumos, crédito rural, entrepostos de escoamento. A rede urbana da região deixa de ser concentrada em poucos centros distantes e passa a se fragmentar — multiplicar-se em vários núcleos espalhados, cada um atendendo a um pedaço da nova fronteira (padrão visível no crescimento de cidades como Sorriso, Sinop, Barreiras, Balsas e Palmas, reforçadas justamente para servir de apoio logístico nas décadas mostradas no mapa).
Subpasso 4.3 — Verificação
Sem essa pulverização de centros urbanos de apoio, a produção teria de escoar por rotas muito longas até poucas cidades grandes já consolidadas — o que inviabilizaria economicamente a ocupação de áreas tão distantes e sucessivas como as das quatro décadas do mapa. Logo, a fragmentação da rede urbana é a condição espacial que viabiliza a dinâmica de avanço por etapas retratada no mapa — confirmando a alternativa A.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) fragmentação da rede urbana.
✅ Correta: a expansão da fronteira agrícola em sucessivas décadas (1970 → 1980 → 1990 → 2000) exigiu a multiplicação de pequenos e médios núcleos urbanos dispersos pelo território — cidades de apoio logístico ao agronegócio (armazenagem, insumos, crédito, serviços). Essa pulverização de centros urbanos, em vez da concentração em poucas metrópoles, é o que estruturalmente viabilizou o avanço territorial mostrado no mapa.
B) mecanização do setor primário.
❌ Incorreta: a mecanização é um fator técnico-produtivo real do agronegócio moderno, mas o mapa não representa maquinário ou produtividade — representa a expansão territorial por décadas. Ela não explica por que a ocupação avançou em ondas espaciais sucessivas sobre regiões distintas; essa dinâmica depende da estrutura urbana de apoio, não apenas da tecnologia empregada na lavoura.
C) criação de reservas ecológicas.
❌ Incorreta: o processo mostrado é exatamente o oposto — a fronteira agrícola avança sobre o Cerrado e áreas de transição com a Amazônia, substituindo vegetação nativa por lavouras e pastagens, e não preservando-a em unidades de conservação.
D) estagnação do mercado interno.
❌ Incorreta: um mercado interno estagnado não sustentaria a incorporação contínua de novas áreas produtivas ao longo de quatro décadas; pelo contrário, a expansão da fronteira agrícola está associada ao dinamismo da demanda interna e, sobretudo, externa (exportação de commodities).
E) concentração da produção fabril.
❌ Incorreta: o mapa trata da expansão da produção agropecuária, não da indústria de transformação. Além disso, o padrão observado na fronteira agrícola é de dispersão de núcleos urbanos de apoio pelo território, não de concentração industrial em um polo único.
🏆 Gabarito: A — a sucessão de décadas de avanço da fronteira agrícola só foi possível porque, a cada nova área incorporada, multiplicaram-se pequenas e médias cidades de apoio logístico ao agronegócio, fragmentando a rede urbana regional em vez de mantê-la concentrada em poucos centros.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: apenas a fragmentação da rede urbana explica como um território tão extenso, ocupado em etapas ao longo de décadas e em regiões distantes entre si (Roraima, Centro-Oeste, oeste da Bahia, Matopiba), pôde ser incorporado à produção sem depender de poucos centros urbanos já existentes.
- Padrão de cobrança: o ENEM cobra recorrentemente a relação entre agronegócio moderno e urbanização no Cerrado/Matopiba — geralmente pedindo que o candidato associe a expansão agrícola não apenas à técnica de produção, mas também à reorganização do espaço urbano regional (surgimento de agrópolis, rodovias, entrepostos).
- Generalização: sempre que uma questão apresentar um mapa de expansão territorial em etapas (não uma foto única), desconfie de alternativas que descrevem apenas "técnica de produção" — o examinador costuma testar se você entende a organização espacial (rede de cidades, infraestrutura, logística) por trás do processo, e não só o fator técnico mais óbvio.
- Dica de eliminação rápida: elimine de cara C (o mapa mostra ocupação, não preservação) e D (expansão contínua é incompatível com "estagnação"); depois compare B e E com o que o mapa efetivamente representa (território/décadas, não fábrica nem maquinário) para chegar à resposta que trata da organização das cidades: A.
- Conexões: Revolução Verde e modernização do campo; conceito de meio técnico-científico-informacional (Milton Santos); formação do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí, Bahia) como nova fronteira agrícola do século XXI.
Comunidade Memorize · Grátis
Não perca nenhuma live, aula ou material.
Entre na comunidade do WhatsApp e receba os avisos de tudo que a equipe Memorize lança de graça — direto no seu celular.