Mapa de questões · 1º dia
Questão 3 — ENEM 2023 PPL
Our physical alienation from India almost inevitably means that we will not be capable of reclaiming precisely the thing that was lost; that we will, in short, create fictions, not actual cities or villages, but invisible ones, imaginary homelands, Indias of the mind. […] It may be argued that the past is a country from which we have all emigrated […], but I suggest that the writer who is out-of-country and even out-of-language may experience this loss in an intensified form.
RUSHDIE, S. Imaginary Homelands. Londres: Vintage Books, 2010 (adaptado).
Nesse fragmento de texto, ao abordar a literatura anglo-indiana, o autor Salman Rushdie ressalta a relação entre criação literária e
Alternativas
Resolução
Ficha da Questão
- 📚 Matérias Necessárias: Inglês → Interpretação de texto ensaístico; literatura de diáspora e identidade cultural
- ⚡ Nível: Difícil — o texto é abstrato e exige compreender a relação que Rushdie estabelece entre perda e criação
- 🎯 Tema/Habilidade: Identificar a tese de um ensaio sobre o fazer literário de autores deslocados de seu país de origem
- 🏆 Gabarito: E — revelado após resolução completa
Passo 1 — Leitura Estratégica do Comando
- Comando reformulado: "Segundo Rushdie, o que a escrita do autor anglo-indiano tem a ver com sua distância da Índia?"
- Palavras-chave decisivas: Our physical alienation from India, not be capable of reclaiming precisely the thing that was lost, create fictions, imaginary homelands, Indias of the mind, out-of-country and even out-of-language, experience this loss in an intensified form
- Armadilha típica: ler "imaginary homelands" como saudade ou vontade de voltar, quando o ensaio trata da impossibilidade de recuperar o que se perdeu
- O que a resposta precisa demonstrar: que a criação literária nasce do afastamento em relação às origens culturais, e não de um retorno possível a elas
Passo 2 — Mapa de Conceitos Essenciais
- Literatura anglo-indiana: produção de autores de origem indiana que escrevem em inglês, com frequência a partir do exílio ou da migração.
- Alienação física (physical alienation): distanciamento concreto em relação ao território de origem — estar fora do país.
- Out-of-language: estar fora da própria língua; escrever em idioma distinto daquele da comunidade de origem, o que aprofunda o afastamento cultural.
- Imaginary homelands: pátrias imaginárias; construções ficcionais que substituem o lugar real, inacessível, do qual o autor se afastou.
- Diáspora: dispersão de um povo para fora do território de origem, com efeitos duradouros sobre identidade e memória.
Passo 3 — Decodificação do Enunciado
- Evidência 1: "Our physical alienation from India almost inevitably means that we will not be capable of reclaiming precisely the thing that was lost" → o afastamento físico torna impossível recuperar exatamente aquilo que se perdeu; a perda é irreversível.
- Evidência 2: "we will, in short, create fictions, not actual cities or villages, but invisible ones, imaginary homelands, Indias of the mind" → diante dessa impossibilidade, o escritor produz ficção: Índias mentais, não a Índia real.
- Evidência 3: "the writer who is out-of-country and even out-of-language may experience this loss in an intensified form" → quanto maior a distância — do país e da língua —, mais intensa a perda, e é essa perda que move a criação.
- Síntese: Rushdie relaciona a criação literária ao afastamento do escritor em relação às suas raízes culturais: é porque não se pode recuperar a origem que se inventam pátrias imaginárias.
Passo 4 — Resolução Completa (Passo a Passo)
Subpasso 4.1 — Identificar os dois termos que o ensaio conecta
O comando pede a relação entre "criação literária" e algo mais. Rushdie nomeia esse segundo termo logo na primeira linha: "our physical alienation from India" — o distanciamento em relação ao país de origem. Todo o restante do trecho desenvolve as consequências desse afastamento sobre o modo de escrever.
Subpasso 4.2 — Compreender a natureza dessa relação
A conexão é de causa e efeito. Como o afastamento impede recuperar "precisely the thing that was lost", o escritor não consegue representar a Índia real; ele produz, em seu lugar, "invisible ones, imaginary homelands, Indias of the mind". A ficção é, portanto, o produto da distância: nasce do que já não se pode alcançar. Rushdie ainda amplia o ponto ao acrescentar "out-of-language" — estar fora da própria língua aprofunda o distanciamento cultural e intensifica a perda.
Subpasso 4.3 — Verificação
O ensaio não fala em vontade de retornar, em cidades reais nem em falta de reconhecimento dos autores. O que ele afirma é que o escritor deslocado escreve a partir de uma origem que se tornou inacessível — em outras palavras, a criação literária está ligada ao distanciamento das raízes culturais. Alternativa E confirmada.
Passo 5 — Análise Crítica de Todas as Alternativas
A) desejo de retorno à terra natal.
❌ Incorreta: o texto trata da impossibilidade de recuperação, não de um desejo de voltar. Rushdie afirma que não se é "capable of reclaiming precisely the thing that was lost" — o movimento descrito é de criação de substitutos imaginários, e não de retorno.
B) narrativas de espaços urbanos.
❌ Incorreta: as cidades são mencionadas apenas para serem negadas — "not actual cities or villages, but invisible ones". O ensaio usa a cidade real como contraponto à cidade imaginada; o tema não é a narrativa urbana.
C) consequências da imigração de origem asiática.
❌ Incorreta: o foco de Rushdie é a experiência subjetiva do escritor deslocado e seus efeitos sobre a criação literária, não um balanço sociológico dos efeitos da imigração asiática nos países de destino.
D) invisibilidade de autores de literatura indiana.
❌ Incorreta: o adjetivo "invisible" no texto qualifica as cidades imaginadas ("invisible ones"), e não a recepção ou o reconhecimento dos autores. Rushdie não discute o lugar desses escritores no mercado ou no cânone.
E) distanciamento das raízes culturais.
✅ Correta: Rushdie parte da "physical alienation from India" para afirmar que o escritor deslocado não consegue reaver o que perdeu e, por isso, cria "imaginary homelands, Indias of the mind". Ao acrescentar que estar "out-of-country and even out-of-language" intensifica essa perda, ele vincula diretamente o fazer literário ao afastamento em relação às origens culturais.
🏆 Gabarito: E — Para Rushdie, é o afastamento do país e da língua de origem que torna a terra natal irrecuperável e leva o escritor a criar pátrias imaginárias; a criação literária nasce desse distanciamento das raízes culturais.
Passo 6 — Conclusão, Generalização e Dica de Prova
- Reafirmação do gabarito: E é a única alternativa que nomeia a causa apontada pelo ensaio; A inverte o sentido (impossibilidade vira desejo), B e D se apoiam em palavras isoladas fora de contexto e C troca o plano subjetivo pelo sociológico.
- Padrão de cobrança: o ENEM seleciona ensaios de autores pós-coloniais que escrevem em inglês para cobrar identidade, diáspora e memória cultural.
- Generalização: quando o comando pede "a relação entre X e Y", localize no texto o conector causal — aqui, "means that" — e veja o que ele liga. A resposta costuma estar exatamente nesse ponto.
- Dica de eliminação rápida: desconfie de alternativas construídas a partir de uma palavra reaproveitada do texto com outro referente ("invisible", "cities"); confira sempre a que substantivo o termo se refere no original.
- Conexões: literatura pós-colonial; diáspora indiana; memória e identidade cultural; Salman Rushdie e os Filhos da Meia-Noite.
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